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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

A propósito da Escola Cunha Rivara, em Arraiolos.

Eu não queria escrever sobre isto. É um assunto ultrapassado, que se arrasta há demasiado tempo e os assuntos que se arrastam são coisas que me aborrecem de morte. Porque não gosto de coisas complicadas. Melhor, não gosto de complicar. Gosto de 'descomplicar'. De resolver. De ultrapassar. Não vou entrar em detalhes, porque eu própria os desconheço em pormenor (redundante?). Há coisas que eu nunca vou perceber.

Eu nunca vou perceber por que razão se lutou tanto pela liberdade neste país, pelo direito de poder dizer-se e reclamar-se aquilo que é o justo, e agora quem liderou essa luta, tanto se esforça por tapar as suas bocas e dos outros. Às vezes tenho a sensação de que quem vive na Coreia do Norte é mais livre de dizer aquilo que pensa, do que muitos dos que vivem nesta nossa sociedade. E não há justificação lógica para isso.
Perturbam-me as conversas a meia voz, os cochichos entre conhecidos, os olhares furtivos e o olhar por cima do ombro com medo de que apareça alguém. Nunca vou conseguir compreender o medo de 'represálias' e 'consequências', nunca designadas por algo em concreto. Ameaças silenciosas que não passam disso mesmo, de silêncio, e o silêncio, que também não passa disso mesmo. Um pequeno nada, com a pequena importância que se lhe quiser dar.

Menos compreendo, que numa época em que pouco se consegue e nada se tem, as pessoas temam aquilo que ainda desconhecem. Desprezo em absoluto a falta de reconhecimento do ser humano, por si mesmo. A falta de reconhecimento pela sua força, pela sua capacidade de sobrevivência e subsistência. Desprezo. Desprezo ainda mais que se escolha o ser individual em detrimento dos pares que são quem nos permite evoluir enquanto sociedade.

Bom, mas dispersei-me no meu raciocínio. Eu vinha apenas reflectir sobre o seguinte:
Na Escola Cunha Rivara em Arraiolos, há putos intoxicados por qualquer coisa que ainda é desconhecida. Esta situação arrasta-se desde Outubro, e tem vindo a atingir proporções maiores todos os dias. Os miúdos sentem-se mal, com tonturas, enjoos, alguns já chegaram a desmaiar, e a escola o que faz? Arranja um bombeiro residente, que está numa sala da escola, e sempre que um aluno se sente mal, enche-o de chás e bolachas. - Não é assim tão superficial como estou a escrever, mas esta é a condição actual. Antes de ter sido tomada esta decisão, a escola esteve encerrada, decorreram testes e medições (ou pelo menos, é o que dizem), e não se chegou a conclusão nenhuma. Qualquer coisa como 'análises inconclusivas'. A escola reabriu. Os miúdos voltaram a sentir-se mal. Vão aos magotes para o hospital. Chamaram-se os meios de comunicação social, reuniu-se a Associação de Pais, tentou-se chegar à fala com a Direcção Executiva, e nada. Todos os dias, sem excepção, há miúdos com os tais enjoos, com as tais tonturas, com dificuldades em respirar, entre outros. Todos os dias, sem excepção. Hoje, estiveram dois pais no programa das tardes da SIC, com a Conceição Lino. Outra mãe deu o seu testemunho ao telefone. Confesso que fiquei chocada com as declarações daqueles pais. Não por estarem dispostos a fazer de tudo para descobrir o problema e apurar responsabilidades. Fiquei chocada por descobrir que aqueles pais estão sozinhos naquela luta. Porque a maioria dos encarregados de educação, receia 'dar a cara', receia denunciar uma situação que prejudica gravemente a saúde dos seus filhos. Quando abordados pela jornalista que tratou este caso para o programa, a maioria dos pais negou-se a aparecer publicamente, alegando 'medo de represálias', as tais, não identificadas. As tais, silenciosas. Essas, que são mais fortes do que a vontade de defender aqueles que são crianças, que dependem de si.

Perturba-me que o indivíduo imponha medo a si mesmo. Perturba-me que o indivíduo não compreenda que socialmente consegue ser mais forte.
Socialmente, é imbatível.

Somos o país que temos, ou será que temos o país que somos?

Pronto. Era só isso.

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