Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Duas vidas resumidas num pedaço de cartão

'O desespero de um jovem casal'

É do Correio da Manhã, esta imagem.
Mostra-nos um casal, sentado no degrau de uma casa, no Chiado, em Lisboa, com uma mala de roupa e dois corações em desespero, que pede ajuda, uma esmola, algo para comer. Perderam a casa e não usam drogas. Obrigado.
Este país não é para novos. Esta é a frase que ecoa na minha cabeça todos os dias, a todas as horas, em todos os minutos, a cada segundo. Alta e a bom som. Palavras gritadas com a certeza de quem vê no futuro apenas o incerto.

ESTE PAÍS NÃO É PARA NOVOS.
ESTE PAÍS NÃO É PARA NOVOS.
ESTE PAÍS NÃO É PARA NOVOS.

Por baixo desta imagem, podem ler-se vários comentários. Quero destacar dois.

'Agora venham fazer comentários que os governantes é que são culpados,mas quando estavam vivendo acima das possibilidades ninguém criticava os governantes,tenho pena nenhuma, são 80% da população queriam ter vida de luxo'

'Não entendo as pessoas de hoje em dia não lutam para sobreviver,culpam o governo e sentam-se à espera de um milagre,os idosos ainda compreendo mas gente jovem não dá para entender.'

Nesta imagem estão dois jovens. Um casal. Procuraram ser independentes, trabalhar, responsabilizar-se por si mesmos. Dois jovens. Um casal. Perderam a casa. O tecto que os abrigava e protegia. O tecto que certamente, se esforçavam por manter. Ninguém quer perder o seu abrigo. Nenhum jovem, nenhum casal, quer perder a sua casa. Ninguém, acabado de entrar no mundo da gente grande, da procura de emprego e da luta diária por fazer chegar o pão à mesa, quer sentar-se num degrau da casa de alguém, a pedir esmola para ter como sobreviver.
Ninguém, desta minha geração, teve uma remota possibilidade de viver acima 'das possibilidades', afogar-se em créditos ao consumo ou crédito à habitação. Quando nós chegámos, foi este país que encontrámos. Foi isto que estava à nossa espera. É aqui que acordamos. É nesta realidade que respiramos todos os dias, alguns com uma corda ao pescoço, que se vai apertando e que nunca tiveram oportunidade de perceber como lá foi colocada.
Nada nos chega de mão beijada. Nada nos chega, ponto final.
Corremos. Agarramos tudo o que aparece. Subvalorizamos o nosso saber e a nossa educação. Menosprezamos as nossas necessidades básicas e o nosso bem-estar. Vendemos-nos por meia dúzia de cêntimos, em prol de uma sociedade que nada nos deu, e quer, a todo o custo, a tirar-nos aquilo que sobra: a nossa dignidade.
Vendemos-nos a troco de nada e com a única certeza de nada ser certo.
As nossas vidas não são de futuro, são de cada dia. Sobrevivemos, lutando mais do que alguma vez se lutou, sendo o nosso objectivo tão pequeno, tão simples: Sobrevivemos porque queremos ser, um dia, os sobreviventes.

Eu não acredito em milagres. Se acreditasse, diria que um milagre é, por entre ignorância, falta de oportunidade, miséria e injustiça, neste país em que somos bastardos, conseguirmos acreditar em nós todos os dias, ao abrir os olhos pela manhã, e respirar antes de mais um dia de luta.

3 comentários

Comentar post

O Castelo

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D