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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

O meu encontro com Gatsby

Terá sido em finais de Dezembro, talvez início de Janeiro, que me perdi de amores por Gatsby. Namorava-o há que tempos, de longe. Pegava-lhe timidamente sempre que ia à Fnac, e em todas as minhas visitas, deixava promessa: 'Um dia levo-te comigo!'. Cresci viciada em livros, séries e cinema. Devoradora do mundo lá fora e da história das nossas vidas. Ouvira falar nele anos a fio, pequena desconhecedora de quase tudo, e sem saber ao certo que história era aquela, já me cativava pela envolvente histórica da louca década de 20.
Gatsby chegou a minha casa com dois ou três outros livros, a acompanhá-lo. Não o li de imediato. Quis guardá-lo para quando me chegasse o tempo suficiente, para mergulhar na sua magia. Um dia, foi domingo e ele saiu da estante. Cheirava a novo-velho, a magia, a glamour.
Nessa tarde perdi-me em Jay, Nick, Tom e Daisy, Jordan, Myrtle e George. Apaixonei-me.
Fitzgerald trabalha com o leitor, estimula a imaginação de quem devora cada página, de uma história que podia perfeitamente ser a dele, do próprio autor. Ler as suas palavras é respirar os cheiros, dançar o foxtrot, ouvir o cristal dos copos de champanhe, deliciar-se com o piano. Ler Gatsby é sentir o seu eterno amor por Daisy, sentir o tiro no seu peito, sentir a revolta de Nick ao vê-lo abandonado de todos no momento final.
Fitzgerald oferece de mãos beijadas o mais precioso que um livro pode oferecer: a imaginação. Gatsby corre-nos livre pelas veias e podemos torná-lo mais, de cada um de nós. Perdi-me de amores por Gatsby, o Grande.

Baz Luhrmann, o mesmo de Moulin Rouge, apaixonou-se também. E escolheu, com dedos de ouro, os actores que embarcaram consigo na viagem.
Leonardo Dicarprio, uma eterna juventude que continua a surpreender com a magnificência das suas interpretações. A loucura de Jay, assenta-lhe na perfeição. A simplicidade, o desespero, a ânsia pelo felizes para sempre de um homem que esperou cinco anos para tomar o seu amor, é representada na sua plenitude.
Carey Mulligan, não conhecia. Perfeita na sua Daisy, não tão inocente assim. A menina mimada, que não cresceu e precisa de ser cuidada e orientada. A encantadora esposa de Tom, apaixonada pelo seu passado com Jay, de riso fácil e nada equilibrada, emocionalmente.
Tobey Maguire, afastado há algum tempo de grandes produções, é um extraordinário Nick. Leal, confidente, cúmplice e encantado por um amor que não é seu. É a personagem real da maravilhosa realidade criada por Fitzgerald. O outsider. Nick, o enlouquecido.

A tarefa de Luhrmann não era complicada. Gatsby é uma obra fácil de adaptar à grande tela, por sugerir a cada um, a sua interpretação. O realizador surpreende com a banda sonora actual misturada num passado que já não se reconhece, e cativa mais ainda. Um pouco exagerado em algumas melodias, poderá dizer-se entre os mais tradicionalistas.
A verdade é que o filme, não deixa a desejar. Capturou a essência da época. O pensamento, a vida, a cultura, e o sentimento de cada personagem.

Dizer que gostei, não chega!

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