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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Zico, o cão que devia ser Homem

O Zico é um cão. O Dinis, um bébé com meses de vida. O Zico matou o Dinis. O Zico deixou de ser um animal doméstico, porque matou um ser humano. O Zico deve ser abatido porque passou a constituir um perigo para a sociedade. O Zico não é um ser racional, não tem culpa, não é levado à justiça, porque todos estes conceitos foram inventados pela sociedade. O Zico vai ser abatido, porque é isso que está previsto na Lei. O Zico é um cão, não vai ser abatido como forma de punição. Vai ser abatido porque a Lei, dos seres racionais, assim o define.
Ou seja: O Zico não tem culpa. O Zico já não é um animal doméstico. O Zico não pode viver na nossa sociedade. O Zico matou uma criança. O Zico não é um ser racional e não está sujeito aos conceitos de justiça, de culpa, de castigo. O Zico vai ser abatido porque a Lei da nossa sociedade assim o definiu.

Sou só eu que estou confusa com estas justificações?

Não sou activista dos direitos dos animais. Não sou activista de todo. Sou defensora convicta da sensibilidade e do bom senso. Sou apologista e seguidora da lógica e coerência.

Morreu uma criança, um bébé. Poucos sabem o nome do bébé. Todos sabem o nome do cão. Esta situação faz confusão a muita gente. Consideram que, o movimento, a petição que existe pela vida do animal, é sinónimo de desconsideração pela vida humana que se perdeu.

A pena máxima de prisão aplicada em Portugal a um cidadão, por qualquer crime, é de 25 anos. Um cidadão é um ser racional. Um cidadão é sujeito a tribunal, a culpa e a todos esses conceitos inventados pela sociedade. Um cidadão é um ser social, que vive/convive com outros seres sociais, consciente dos seus actos. Um cidadão é influenciado pelas circunstâncias que o rodeiam. Um cidadão mata. Um cidadão não pode ser reabilitado da sua essência.

Um cão é um ser irracional. Um cão, ou qualquer outro animal, é educado por um cidadão. Um cão é considerado uma propriedade. Um cão é um pertence de um cidadão. Um cão é responsabilidade do seu dono, um cidadão. Um cão é um animal que não pensa. Um cão reconhece o seu dono e obedece aos seus ensinamentos. Um cão não tem consciência dos seus actos. Um cão mata, sem saber realmente o que isso significa. Um cão mata, sem saber que tirou uma vida.

O Zico é um cão, azar o dele. Se fosse um cidadão era julgado em tribunal e, talvez, condenado à pena máxima de prisão. Foi o Homem, que fez a Lei, que assim o definiu. Como é um cão, a sua pena é a de morte.

Faz sentido. Um homicídio premeditado, cometido por um cidadão a quem foram ensinadas as leis, e que foi educado de acordo com os princípios morais e regras da sociedade, tem muito mais direito à vida do que um animal domesticado, pelo mundo racional, que nunca nos pediu que o trouxéssemos para nossa casa, para viver sobre as nossas regras.

Sim, salvem o Barrabás.

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