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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Filosofias

Estudara sobre um filósofo a famosa frase 'Penso, logo existo'.

 Perguntava-se naquele momento se, parando de pensar, poderia deixar de existir durante uns momentos.


Precisava de tempo para se reorganizar.
Infelizmente, a cada dia passado, o tempo, parecia cada vez mais um luxo ao qual não poderia dar-se.
Todos os dias se tornaram numa batalha de emoções dentro do seu peito. Todos os dias, todos os dias sem excepção, no momento em que abria os olhos, a ansiedade assaltava-lhe o ser.
Sabia o que estava errado com toda aquela imagem perfeita, de mulher perfeita, na casa perfeita, com o emprego perfeito, e relação perfeita.
Sabia-o tão bem e isso matava-a um pouco mais a cada nascer do sol.


O seu conflito interior prendia-se meramente com o facto de odiar ter tudo o que uma jovem mulher do seu tempo poderia desejar, a nível pessoal e profissional, e ainda assim sentir-se insatisfeita. Infeliz, em toda a simplicidade do significado desta palavra.
Sorrindo, diariamente, o sorriso mais simples e verdadeiro. Escondendo, com meticulosa delicadeza, toda a intensidade da sua mente.
A sua vida, numa palavra, definida pelo conceito de ironia.
Tão rodeada de gente, tão isolada em si mesma.


A respiração descontrolada a cada vez que o pensamento voa, e transcende a controlada realidade no mundo que desenvolveu em seu redor.
E só. Completamente só.
Apavorada pela ideia da brisa fresca da madrugada, provocando-lhe o sentimento.
Apavorada pelo intenso conhecimento de si própria, convicta e teimosa, impossível de controlar ou contrariar, perante o delicioso arrepio trazido pelo primeiro vento do dia. O único instante de risco.
Risco de pensar, logo existir.
Risco de fugir. Largar tudo e correr em direcção ao horizonte, poeticamente, mas sem pôr-do-sol. Um horizonte onde a Lua nasce e com ela a vida.

E o segredo, este segredo que a consome, por não admiti-lo a si própria, com o medo de se lhe aflorarem as palavras aos lábios.
E só. Completamente só.

 

Outubro, 2012

O Castelo

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