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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Fernando, Fernando...que foste tu dizer?

Não estou a perceber o porquê de toda esta polémica que se gerou à volta das declarações do Sr. Ulrich. Pessoalmente, parece-me que a birra dos portugueses, perante as conclusões óbvias a que chegou o presidente do BPI, só vem dar razão ao nosso querido Pedro, que sabiamente nos apelidou de piegas.
Então querem lá ver que não somos rapazes e raparigas para suportar mais umas medidas de austeridade? Pois está claro que sim, somos sim senhor. Não consigo compreender realmente qual é a necessidade de tanta lamechice. Só porque os vencimentos podem sofrer reduções com a adição de mais um ou dois impostos estapafúrdios, ou porque os escalões de IRS podem voltar a ser alterados, ou porque o IVA pode aumentar para 32% nos bens alimentares de primeira necessidade? Francamente, meu povo, não sejam tontinhos!
Segundo parece, neste momento, só 72% dos portugueses é que não consegue ter as contas em dia no final de cada mês, e esta é uma percentagem que ainda fica muito aquém dos 100%.
Portugueses do meu coração, ainda há muita coisa onde podemos cortar! Não sejam maricas. No nosso país ainda existem muitas casas com donos, que ainda não tiveram que as entregar aos bancos por não pagamento de prestações. E o Sr. Fernando sabe perfeitamente disso.
O Sr. Fernando também sabe que, muitos daqueles que ficaram sem casa e foram viver nas ruas, sobrevivem na mesma. O Sr. Fernando sabe perfeitamente que há muita gente solidária em Portugal, e que não deixamos ninguém morrer à fome ou ao frio. Por isso, porque tem um excelente conhecimento de causa, é que ele pode fazer este tipo de afirmações. Respeitem o Sr. Fernando, e tenham em consideração o que ele diz. Ora se vivemos num país de clima ameno, onde os Invernos nem são muito rigorosos, e onde quase 30% da população consegue cumprir com as suas obrigações financeiras todos os meses, é porque, caso seja necessário, podemos ser mais austeros e aumentar os moradores das avenidas de Portugal.
Em Novembro a taxa de desemprego em Portugal situava-se nos 16,3%, e como se vê este valor está também ele muito longe do máximo, 100%. Então, Portugal aguenta mais austeridade? 'Ai aguenta, aguenta!' – Disse o banqueiro sem ter que pensar duas vezes. E mais, se os gregos aguentam, por que é que os portugueses não hão-de aguentar? E eles já vão quase nos 25%! Se eles se queixam? 'Estão vivos, protestam com um bocadinho de mais veemência do que nós, partem umas montras, mas eles estão lá, estão vivos' – E ao fim ao cabo, não é isso que importa? Estarmos vivos? O que é que interessa se não temos sítio para viver, comida para comer, trabalho que nos dê sustento? O que importa é respirarmos. Mesmo que seja com dificuldade por termos desenvolvido uma pneumonia incurável, por vivermos na rua e não termos dinheiro para ir ao médico, porque entretanto privatizaram o sistema nacional de saúde.

Não vamos ser hostis com o Fernando Ulrich. O homem é presidente do BPI, um banco que lucrou 249,1 milhões em 2012. Um homem que contribui para o desenvolvimento e recuperação deste país, estimulando a economia e contribuindo para...bem, contribuindo para alguma coisa!
Ah, já sei, contribuindo para o aumento da taxa de desemprego, fechando balcões e despedindo 249 funcionários no final de 2012. Contribuindo para o trabalho precário, utilizando empresas de outsourcing para subcontratar trabalhadores que vendam os produtos do banco aos seus clientes. Contribuindo para o desejo crescente de cada português de cometer um crime de sangue.
Pelo contrário, eu não desejo absolutamente nada de mal ao senhor Fernando. Entendo perfeitamente o seu ponto de vista. Teria, porém, todo o gosto em recebê-lo em minha casa, por quanto tempo fosse necessário, para ele poder testemunhar e experimentar a realidade do comum português. Ensiná-lo a fazer compras no supermercado, a andar de transportes públicos, a pagar a água, luz e gás, a fazer a transferência do valor da renda...e a mostrar-lhe como se vive, em família, com o que sobra depois de acertadas essas contas.

Oh Fernando, tu não precisas de austeridade. Precisas é de juízo! - Infelizmente, não és o único, filho.

Pais envenenados

Este país não é para novos. – Já toda a gente sabe.
Fazendo parte desta geração, eu sei que não posso 'meter-me' em grandes aventuras. Já cresci dentro desta crise. Cresci no coração de tudo isto. Eu sei que não posso, para já, fazer determinadas escolhas ou optar por determinados caminhos, porque, como se diz na minha família, 'a vida não está para isso'. Eu sei, por exemplo, que se o meu instinto maternal despertar, não posso ceder à sua vontade. Eu sei que uma criança é uma despesa em crescendo. Uma despesa incomportável para um casal a sobreviver às custas de um salário mínimo, sem regalias e casa própria. Felizmente, ao entrar nesta vida de gente crescida e com responsabilidades, eu já sabia disto, e não fui apanhada de surpresa.
Infelizmente, esta crise não me caçou só a mim e aos outros jovens deste país que, como eu, pensam duas vezes antes de ceder ao capricho que é a maternidade/paternidade. Esta crise atingiu forte e feio a faixa etária seguinte. Aquele nicho de população cuja vida estava já organizada, orientada profissionalmente, e com um futuro bem definido. Famílias de contas bem feitas e planos perfeitamente delineados para pais e filhos. A epidemia de desemprego espalhou-se, e continua a espalhar-se por esta geração. Minando silenciosamente, e destruindo cirurgicamente, centenas de famílias deste país. E esta geração, anterior à nossa, foi surpreendida de forma estrondosa, pela explosão da situação que atravessamos. Uma geração para quem a idade é inimiga. Uma geração de adultos a quem ninguém avisou que tudo isto ia acontecer. E, ao contrário de nós, 'Geração à rasca', para eles não existe luz ao fundo do túnel. Porque são demasiado jovens para se reformar, e demasiado velhos para trabalhar. E também, ao contrário de nós, têm filhos para sustentar aliados a contas que se acumulam todos os dias.

Eu não imagino o desespero de um pai ao perceber que não tem dinheiro suficiente para pôr comida na mesa dos filhos. Não imagino o desespero de um pai ao ver a electricidade e água de sua casa, serem cortadas por falta de pagamento, privando os seus filhos de aquecimento e banho quente. Não imagino a vergonha, a sensação de falhanço, perante a incapacidade sustentar o seu filho. Não imagino a dor crescente dentro de qualquer progenitor neste tipo de situação.

Acredito que a maior fraqueza de um ser humano, é outro ser igual a si. A maior fraqueza de um pai, é o seu filho, que nasceu a partir de si. Sentir o sofrimento de um filho, mata um pouco de cada pai. Ao nos cruzarmos com situações extremas que nos põem à prova, nem todos reagimos da mesma forma. Alguns de nós, sofrem de perturbações psicológicas graves, que podem nunca se ter manifestado por não ter existido um 'potenciador' suficientemente intenso. Alguns de nós, sucumbem quando confrontados com as dificuldades.

Acredito que o desespero aliado a uma condição mental instável, possa levar a um expoente de insanidade tal, que culmine no assassinato de um filho pelo seu progenitor. Também acredito que, nesse momento de loucura, o pai creia que o seu acto terrível, seja um acto de amor e salvação da sua vida e da sua vítima.

Em 1970, um casal que atravessava graves dificuldades financeiras, atirou-se ao rio Tejo com o seu filho.
A mãe de Oeiras envenenou os dois filhos. Especula-se que viviam numa casa sem água e luz. E especula-se sobre tudo o que se passava na vida daquela família monoparental. Ela envenenou os filhos, e matou-se depois. Mas ela não os enforcou, não lhes deu um tiro, não os matou à paulada...procurou uma morte que lhe pareceu ser a que os faria partir com menos sofrimento. Ela envenenou-os.
Na realidade, ela fez o bolo. O veneno, há muito que vinha sendo espalhado pelo Governo com as suas medidas de austeridade, e por esta economia de preços que escalam novos máximos todos os dias. Este país tem tanta responsabilidade na sua morte, e na morte de tantos outros que desconhecemos, quanto a mãe que os trouxe ao mundo.

Infelizmente, este país vai continuar a matar pais e filhos por tempo indeterminado.
É esta geração que vai sofrer as mais graves consequências, eles são os verdadeiros 'enrascados'. Quando tudo isto passar, eu e todos os jovens deste país, continuaremos a ser jovens. Continuaremos a ter diplomas. Estaremos preparados para iniciar verdadeiramente as nossas vidas. Para nós, esta crise é um percalço, um obstáculo que nos colocou em suspenso mas que vamos ultrapassar para viver dias melhores. Para eles, para muitos, vai ser o fim da linha. Não vão conseguir recuperar, arranjar trabalho e proporcionar qualidade de vida às suas famílias. Muitos deles, vão perder as suas famílias e perder-se de si mesmos.

Então, todos nós, que somos a juventude de um Portugal que há-de reerguer-se, devemos agradecer aos líderes políticos que nos governam.
Obrigada pela castração forçada, à saída da faculdade. Afinal de contas, tinham mesmo os nossos melhores interesses em mente.

Desabafo de uma sportinguista curiosa

Gosto de futebol. Não é nenhum segredo. Gosto de gritar com a televisão, de gritar com os jogadores, de gritar com os treinadores, e gosto particularmente de gritar com os árbitros. Não sou doente, fanática, completa maluquinha. E não sou especialista em tácticas, e muito menos nos assuntos de bastidores. Sobretudo gosto do Sporting. É por ser adepta frenética e curiosa que não consigo deixar de analisar, de comparar, de tentar compreender o que acontece no meu clube. E é por isso que, quando me deparo com qualquer nova informação sobre o que 'se passa lá dentro', fico a pensar no assunto e chego a alguma conclusão muito minha, sem pretensões de que forma for.

O que eu aprendi ontem:
Os jogadores custam ao clube, mensalmente, qualquer coisa como 5 milhões de euros.
Actualmente, são vendidos a preço de saldo para tapar buracos de dívidas, que se rompem a cada segundo.
A venda de Ínsua não se concretizou porque o clube deve dinheiro de salários ao jogador.
Esta situação não se verifica exclusivamente com Ínsua, existindo mais jogadores no Sporting com ordenados em atraso.
Godinho Lopes, que há pouco tempo se gabava por esta situação de falha não ocorrer no Sporting, afinal estava a mentir ao sportinguistas, e provavelmente a si mesmo.
Talvez seja esta uma justificação para o baixo rendimento do plantel...não sei. Sei que, se a minha empresa estivesse a dever-me dinheiro, eu não seria a trabalhadora mais esforçada e exemplar.

Até que ponto não seria melhor declarar falência, e procurar um projecto de recuperação do clube a partir do inicio?
Não percebo absolutamente nada de gestão desportiva, nem dos trâmites legais que envolvem um clube, falo apenas do que vejo. Do que está na frente de todos.
É uma vergonha que uma instituição da dimensão desportiva que é o Sporting, esteja estagnada neste estado de caos.
É uma vergonha que qualquer jogador de futebol, qualquer trabalhador deste país, tenha salários em atraso. O mais vergonhoso de tudo é que Godinho, sucumbe ao seu orgulho e não abandona a cadeira seja a que custo for. - Bom, o comandante do Titanic também se recusou a abandonar o barco, e afundou-se com ele.
Afunda-se a história de todas as modalidades, de toda a gente que contribuiu para o crescimento, transformação, e evolução do Sporting.

Estes leilões de jogadores, transformam o Sporting numa prostituta de beira de estrada, que se sujeita à oferta baixa, mais alta, em troca de absolutamente de nada que o beneficie.

Desvalorizamos jogadores e desvalorizamos o Sporting. E sabendo tudo isto, quem, dentro do clube, vai ser a dedicação, a devoção, o esforço? Quem vai querer procurar/conquistar a glória?
É como na vida da pessoa comum, que se empenha diariamente no seu emprego, até começar a perceber que nunca será promovida e nunca verá a sua carreira evoluir, ou o seu esforço recompensado.
E lamentavelmente, sendo o problema dinheiro, o mesmo do resto do mundo, não é a saída de Godinho, ou a entrada de Bruno de Carvalho – cujas empresas pelas quais foi responsável faliram – que o irá resolver.

Sonho com o dia em que um sheik árabe ultra bilionário, chegará a Lisboa e num acto desmedido, comprará o clube de Alvalade por uma ninharia, salvando-o da desgraça iminente e elevando-o finalmente a seu verdadeiro lugar, um dos grandes da Europa: melhor formação, e melhor equipa principal.

Na verdade, sonho com o dia em que o presidente do Sporting vai ser um homem com mais amor à camisola que enverga, do que orgulho pela cadeira que ocupa.

O tiro, é o melhor remédio!

Quando me apercebi da conversa, já ela ia a meio. Passava-se entre duas mulheres. A primeira, mais jovem, contava à segunda, mais velha e de aspecto a dar para o 'vulgaroide', que tinha assistido a uma cena de partir o coração, no hospital onde trabalha: um idoso, desidratado, com fome, que desmaiou e caiu sem que ninguém tivesse chegado a tempo de evitar a queda. A segunda mulher, com o estilo brejeiro que já se lhe adivinhava, logo se indignou: 'Isto é uma vergonha! A culpa é do governo! É tal e qual como as criancinhas que vão para a escola com fome! Este país é uma vergonha! A culpa é daquele Passos Coelho e daquele Gaspar! Alguém lhes devia dar um tiro na cabeça! Aos dois!' - E, assim que profere esta última frase, eis que lhe surge uma ideia ainda mais iluminada: 'Não! A culpa é dos portugueses! Deviam dar um tiro aos portugueses todos que votaram naquela canalha! Esses é que deviam morrer todos! São os culpados pelo estado do país! Deviam todos levar um tiro!' - Muito bem! Confesso que, depois de escutar tão brilhante conclusão e solução para o fim da crise, tive um desejo enorme de questionar aquela senhora sobre se teria votado nas últimas eleições. Imediatamente depois, desenvolvi eu própria, a minha linha de raciocínio, com base naquelas extraordinárias palavras.

A dívida pública portuguesa equivale a, aproximadamente, 120 % do PIB. Segundo parece, cada português deve qualquer coisa como 20 000€. Cada bebé que nasce em Portugal, já está a dever dinheiro ao Estado e ao resto da Europa, que está a sustentar-nos.

Em 2011, nas últimas eleições legislativas, 38,65 % dos portugueses escolheu Pedro Passos Coelho como alternativa às assustadoras medidas que o Governo de Sócrates propunha ao país. 11,70 %, escolhia Paulo Portas como salvador da pátria perdida. De antemão, qualquer um de nós, com dois dedos de testa, já adivinhava a coligação pós-eleições entre os dois partidos, tornando-se uma força política de maioria. A hegemonia PSD-CDS controlaria a partir desse momento todas as decisões, todos os caminhos a seguir em Portugal no combate à crise económica e financeira. Qualquer um de nós, votantes e pessoas portuguesas de Portugal, sabia de antemão que, sendo este o caso, deixaria de haver espaço para que outras medidas que pudessem surgir por parte da oposição, fossem votadas favoravelmente na Assembleia.

Sabendo tudo isto de antemão – porque conhecemos a nossa história, vemos notícias e conversamos uns com os outros –, de que forma escolhemos exercer o nosso poder de 'Povo que mais ordena'?

Bom, 58,07 % de nós, dirigimos-nos às urnas naquele dia. Alguns ainda confusos, assoberbados pela quantidade de informação, pelas políticas apresentadas, pelas propostas sugeridas por cada partido, e ainda sem saber exactamente o que era esta 'crise' de que se falava. Confusos sobretudo pela própria confusão com se apresentavam a maioria dos representantes de cada partido, perante o abismo de que nos aproximávamos. Muitos de nós, ao entregar o boletim de voto, ainda não tínhamos bem a certeza de ter feito a melhor escolha. Provavelmente, muitos dos que votaram naquele dia, não desejavam um Governo de maioria. Provavelmente, muitos desejávamos que os partidos trabalhassem em conjunto, consensualmente, de forma a guiar-nos no difícil caminho que já se avistava. - Azar do caraças!

Outros, não de nós que faço parte dos primeiros, optaram por ficar em casa, ir ao café, ou praticar outra qualquer actividade que consideraram mais interessante, e abdicar do imenso poder de 'quem mais ordena'. Mais de 41 % da população portuguesa com idade superior a 18 anos, disse 'Não, obrigada. Não me apetece votar.'

Então, depois de ouvir a 'sodona' segunda senhora, pois que eu concordo sim senhora! Eu votei, cumpri o meu dever enquanto cidadã deste país, trabalho, tenho os meus descontos em dia, e sofro um bocadinho mais com cada discurso de austeridade do Pedro e do Gaspar. Não votei em nenhum dos partidos da coligação e sou, assumidamente contra as coligações pós-eleições. Ainda assim, devo 20 000€ ao Estado. Cada membro da minha família deve 20 000€, e nenhum de nós escolheu os partidos que, actualmente, governam os portugueses.

Não vou estar aqui a fazer contas de cabeça, mas quer parecer-me que se matarmos o Gaspar, o Pedro, o Miguel, o Paulo, e restante companhia, já metemos uns quantos 20 000€ ao bolso na nação. E se matarmos os 38,65 % que votaram no PSD, e os 11,70 % que votaram no CDS, o cofre continua a encher...o do país, está claro. Naturalmente, os 41 % que se abstiveram, também devem ser abatidos. Se não votaram, não andam aqui a fazer nada a não ser trazer-nos mais despesa enquanto respiram.

Por tudo isto, esta ideia parece-me bastante lógica e viável. É uma forma de parar de gerar dívida, poupando em todas as áreas e cortando, finalmente, na despesa pública.

 

Termino citando, o genial ministro das finanças japonês, que do alto dos seus 72 anos – talvez a idade o tenha impedido de reconhecer a ironia das suas declarações – afirmou peremptoriamente, neste caso referindo-se aos idosos do Japão:

 

'O problema não se resolve a não ser que os deixemos morrer rapidamente'

 

É isto minha gente, deixem-se de manifestações ridículas e organizem uma caça às bruxas que termine num massacre digno dos tempos da inquisição.

 

Nota: Para o massacre, caso não queiram optar pelas balas, sugiro a utilização dos tais submarinos que todos consideram injustificados. É botá-los lá para dentro, e pimba, rebentar com aquilo!

 

Ou então ganhem juízo, lutem pelo nosso país, e não digam disparates como a senhora do metro.

Temporário a tempo inteiro

Actualmente, todas as grandes empresas – nacionais e internacionais – recorrem ao Call Centre, como forma de prestar um serviço customizado e em tempo real aos seus clientes. Existem de todos os géneros e abrangem todo o tipo de necessidade/procura: Prospecção/angariação, apoio ao cliente, assistência técnica, saúde... - Estes são apenas alguns dos exemplos.
Para as empresas, esta é uma excelente forma de atender (literalmente) as questões dos seus clientes, fidelizando-os, enquanto continuamente se promovem junto deles.
Segundo parece, no início, estes eram locais onde os colaboradores eram jovens, geralmente a concluir estudos, transformando os contact centres em lugares de passagem, onde conseguiam algum dinheiro para poderem manter os seus luxos, ou ajudar nas despesas de faculdade. Digo segundo parece, porque li hoje um artigo com alguns anos, que referia isso mesmo. Descrevia o carácter temporário destas colaborações, justificando com isso, o próprio carácter temporário dos contratos de trabalho existentes.
Nos dias que correm, para muitos, cada vez mais, os contact centres são a única alternativa laboral para quem termina a faculdade e não encontra emprego na área, ou mesmo para quem trabalhou
20 anos na mesma empresa, e se vê desempregado de repente. Porém, os contratos de trabalho mantêm o carácter temporário. Exploram-se pessoas desesperadas, com contas para pagar e família dependente, com formações que chegam a durar dois meses. Formações não remuneradas, formações remuneradas se ficarem aptos, formações remuneradas após um mês de contrato efectivo – é de referir que muitos contratos são semanais ou quinzenais. E em todo esse tempo, esta gente desesperada, tem a vida em suspenso. Conta tostões e consome-se de tristeza por ver os filhos/pais/tios ou a si próprios, sem condições mínimas para subsistir.
Ultrapassada a formação, é assinado um contrato de trabalho com salário mínimo, subsídio de refeição pago em cartões só utilizáveis em estabelecimentos de restauração e supermercados – esta é a última moda que por aí anda –, horários e folgas rotativas, subsídio de férias e natal incluídos no salário final. Vamos aceitar porque temos contas para pagar.
Este fantástico pacote de regalias significa que, sempre que o assistente atender uma chamada, terá que ser o expoente máximo da simpatia, disponibilidade, cortesia, entre outros parâmetros que são avaliados com frequência por superiores, muitos deles de credibilidade duvidosa. Estes parâmetros devem ser cumpridos SEMPRE. Ou seja, o cliente pode ser mal-educado, arrogante, usar todo o tipo de linguagem obscena e ofensiva que constar do seu vocabulário que, do outro lado, irá SEMPRE encontrar um Dalai Lama ou Madre Teresa de Calcutá. Sem ai, nem ui. E quando a chamada terminar, o assistente não vai respirar fundo, nem levantar-se para beber água, porque há mais chamadas para atender.
O melhor de tudo? O assistente está a ser 'achincalhado' em nome de uma empresa que nem sequer é a sua. Uma empresa que não tem conhecimento da sua existência, nem lhe paga o ordenado. Porque as grandes empresas, utilizam a pechincha que é o outsourcing para contratar este tipo de empregados. Gente que ganha uma migalha da empresa de trabalho temporário, em comparação com os trabalhadores de primeira, das instituições que facturam milhares/milhões anualmente.
O que os clientes não sabem, ou escolhem ignorar, é que os assistentes de call centre, são quem está mais baixo na cadeia alimentar. Não sabem, ou preferem ignorar, que são estes miseráveis que fazem todo o trabalho, sem ver qualquer lucro. Não sabem, ou preferem ignorar, que atrás do telefone, estão professores, advogados, arquitectos, engenheiros, jornalistas, psicólogos e muitos outros, sem alternativa de carreira. Gente que nada tem de incompetente, mas que é tratada como tal. Trabalhadores tratados como cidadãos de quinta, que não vêem reconhecido o seu valor, por quem assina as autorizações de pagamento, e muito menos pelas grandes empresas do país em que nasceram.

Vale a pena, a título de curiosidade, referir que todas estas empresas têm lojas espalhadas pelo país, onde nada de importante é resolvido sem verificar primeiro com alguma linha do contact centre, e que muitos dos colaboradores das lojas não têm contratos de trabalho temporário. Têm contratos com a própria empresa, e os seus salários são consideravelmente mais altos. Assim de repente, vem-me à ideia uma eléctrica, com lojas onde se trabalha 7 horas por dia, e o rendimento mais baixo, ronda mais de 1000 euros. E o atendimento, meus caros, posso garantir que não é tão 'protocolado', e muito menos os insultos e faltas de tacto, são tolerados por que lá trabalha.

Então, basicamente é isto. Empresas que exigem atendimento de excelência, deveriam proporcionar a quem por lá tudo atura, condições de trabalho de excelência.

Um homem

Era uma vez um homem e uma mulher. Nunca os conheci, mas conta quem viu, que foram, em tempos, um casal feliz. Do seu envolvimento, amor podem chamar-lhe, nasceu uma criança. Uma menina. Salvo o erro corria o ano de 1976. Entre esse homem e essa mulher, meteu-se o tempo. Entre esse homem e essa mulher, cresceu a distância de um país. Correm histórias de que, enquanto seres no mundo, não podiam ser mais diferentes. Ela, uma senhora de convicções cristãs e educação austera. Ele, um activista revolucionário. Um homem de 8 ou 80. Quis a vida que se envolvesse numa organização extremista, e clandestina, conhecida como Forças Populares 25 de Abril. Este envolvimento, e a sua natureza marginal – aliados, possivelmente, a outros factores próprios de qualquer relação -, viriam a desgastar e a ditar o término do seu relacionamento com a mulher, mãe da sua filha.
As acções mais ou menos violentas, mais ou menos condenáveis – fora da Lei –, praticadas por si e pela sua organização, obrigavam este homem a passar a maioria dos seus dias, escondido da sua identidade. Tratando-se de um homem naturalmente desapegado do mundo, em todo esse tempo, não surgia em si a preocupação ou interesse pelo bem-estar e crescimento da filha, deixada para trás, aos cuidados da mulher. - Longe da vista, longe do coração.
É numa destas alturas, em que foge ao julgamento da sociedade, que este homem encontra outra mulher. Apaixonam-se. Talvez tenha, com ela, mais em comum pessoal e ideologicamente, do que com a sua primeira mulher. Vivem um amor livre, porém, limitado, pela marginalidade deste pseudo-revolucionário. Ela tem conhecimento do seu passado, e do seu presente. Ela aceita a sua natureza, e compreende as suas imperfeições afectivas. Toma conhecimento da sua primeira mulher e da sua filha, a essa altura, talvez com 8 anos. Esta mulher, tão diferente da outra, nada austera ou de catequeses, procura melhorar a relação entre pai e filha, perdidos um do outro no tempo. A filha parece aceitar a nova relação do pai, aos poucos, nos fins-de-semana que vai passando com os dois. Infelizmente, findos esses fins-de-semana, o regresso a casa, traz-lhe as dúvidas, o ressentimento pela mulher que – incitada por uma mãe amargurada – considera ter destruído o seu lar.
Do homem, com a nova mulher, nasce um bebé. Entre trocas de tiros e prisões, nasce outra filha. O pai está preso e a mãe também. Esta filha, nasce condenada. Não pela prisão dos pais, não pela sociedade, que a desconhece. Esta filha nasce condenada pela primeira mulher, e pela sua filha, com 10/11 anos de idade. Esta filha nasce condenada pela família de um pai que não escolheu.
A segunda filha deste homem, que não fez mais que fugir de si próprio, escondendo-se atrás de convicções políticas, nasce condenada pelos seus actos. Condenada pelo esquecimento à primogénita. Por ser filha da mulher que destruiu o casamento do seu pai.
A segunda filha deste homem, nunca há-de conhecer a irmã. Nunca há-de ser procurada pelos familiares paternos. A segunda filha deste homem, crescerá com o sentimento constante de falta. Falta do conhecimento de uma parte de si. Há-de crescer com o ressentimento, bem escondido, de não ter sido desejada por uma parte da sua família. A segunda filha deste homem, crescerá com a secreta tristeza de não conhecer a sua irmã.
Esta filha, que não foi a primeira, crescerá sem compreender o motivo da indiferença, do desinteresse, da sua irmã crescida, que nunca quererá conhecê-la.


Este homem, virá a desaparecer. Antes disso, irá trair a segunda mulher com a advogada de ambos. Muito tempo se irá passar até voltarem a existir notícias sobre o seu paradeiro. E, como veio a verificar-se com esta sua fuga, foi sempre a sua natureza a ditadora da clandestinidade. Foi sempre um traço seu, ao qual foi fiel, mesmo após ter sido declarada amnistia aos seus crimes.
O homem, esqueceu duas mulheres – três, contando a advogada –, duas filhas e partiu. Longe da vista, longe do coração.

Era uma vez um homem. Este homem chegou a Angola, conheceu uma mulher. Apaixonaram-se. Desse amor, nasceu uma filha. Aconteceu no ano de 1996. 20 anos depois da primeira, 9 anos após a segunda.

Três irmãs. Desconhecidas. Sem pai. Sem culpas. E se eu percebo isto, como é possível a minha irmã – a primeira –, não conseguir compreender?

Honestidade, dizem elas!

Aborrece-me a quantidade de pessoas que se auto-denominam sinceras, frontais, verdadeiras...e cujo único defeito é a teimosia, ou essa mesma frontalidade. Está realmente recheado de pessoas extraordinárias, este mundo! Nem consigo perceber muito bem, com toda esta 'verdadeirice' que por aí anda, como é possível tanto diz-que-disse em tantos elementos da nossa vida.

Digo sempre aquilo que penso...quando quero.
Sou sincera todos os dias...com quem eu quero.
Digo sempre a verdade...quando julgo conveniente.

Quer parecer-me que toda esta sinceridade, frontalidade e verdade, tem vindo a ser confundida por alguns, com conflitualidade. Por mim, tudo bem! Aprecio uma boa discussão, um bom lavar de roupa suja, em praça pública. Em especial tratando-se de vidas alheias, e ainda mais se for gente com quem não simpatizo particularmente. Daí, até confundir esse desejo de enxovalhar uma pessoa de quem não gosto, por ter feito isto ou aquilo, que em nada influencia a minha vida, com frontalidade, ainda vai um longo caminho.
Ora vamos lá a ver as coisas, com pés e cabeça! Eu não gosto de ti. Estou na minha e tu estás na tua. Tiveste um atrito com uma terceira pessoa que me é perfeitamente indiferente, e com quem nunca troquei mais de meia dúzia de palavras. Mas eu não gosto mesmo de ti. Fervo quando te ponho a vista em cima e só me apetece atirar-te pedras. Só que eu não quero parecer a má da fita. Solução mais (i)lógica: Chego ao pé de ti (ou à tua beira, se estiver no Norte), com o meu ar superior, cheia de razão, e digo bem alto, para toda a gente ouvir: És uma pessoa detestável! Ninguém gosta de ti, e eu também não. O que fizeste à pessoa X, não se faz! Metes nojo! Não tens vergonha! E não sou só eu que digo isto. - Esta última frase é muito importante. Regra geral, estas pessoas que são o expoente máximo da frontalidade, por norma possuem uma segurança tal nas suas palavras, e insultos baratos, que têm sempre de frisar que a sua opinião é partilhada por toda a comunidade envolvente. Crêem, julgo eu, a esta altura, ter sido não só o expoente da 'verdadeirice', mas da coragem, por verbalizarem (aquela que pensam ser) a opinião do povo geral.

Faz sentido, com certeza, dentro das cabeças retorcidas que andam por aí.
Boas impressões, más impressões...se não é relevante para os vossos dias, deixem viver quem está!
E se sofrem de uma patologia que vos provoca a necessidade de humilhar/aborrecer/brincar/levar ao limite a gente que se cruza convosco, abracem essa patologia. Assumam-na como vossa. Não a tentem disfarçar de sinceridade, frontalidade, verdade... Façam-na sair do armário, qual homossexualidade escondida! - Ouvi dizer que o primeiro passo para a recuperação, é admitir que temos um problema.

Zico, o cão que devia ser Homem

O Zico é um cão. O Dinis, um bébé com meses de vida. O Zico matou o Dinis. O Zico deixou de ser um animal doméstico, porque matou um ser humano. O Zico deve ser abatido porque passou a constituir um perigo para a sociedade. O Zico não é um ser racional, não tem culpa, não é levado à justiça, porque todos estes conceitos foram inventados pela sociedade. O Zico vai ser abatido, porque é isso que está previsto na Lei. O Zico é um cão, não vai ser abatido como forma de punição. Vai ser abatido porque a Lei, dos seres racionais, assim o define.
Ou seja: O Zico não tem culpa. O Zico já não é um animal doméstico. O Zico não pode viver na nossa sociedade. O Zico matou uma criança. O Zico não é um ser racional e não está sujeito aos conceitos de justiça, de culpa, de castigo. O Zico vai ser abatido porque a Lei da nossa sociedade assim o definiu.

Sou só eu que estou confusa com estas justificações?

Não sou activista dos direitos dos animais. Não sou activista de todo. Sou defensora convicta da sensibilidade e do bom senso. Sou apologista e seguidora da lógica e coerência.

Morreu uma criança, um bébé. Poucos sabem o nome do bébé. Todos sabem o nome do cão. Esta situação faz confusão a muita gente. Consideram que, o movimento, a petição que existe pela vida do animal, é sinónimo de desconsideração pela vida humana que se perdeu.

A pena máxima de prisão aplicada em Portugal a um cidadão, por qualquer crime, é de 25 anos. Um cidadão é um ser racional. Um cidadão é sujeito a tribunal, a culpa e a todos esses conceitos inventados pela sociedade. Um cidadão é um ser social, que vive/convive com outros seres sociais, consciente dos seus actos. Um cidadão é influenciado pelas circunstâncias que o rodeiam. Um cidadão mata. Um cidadão não pode ser reabilitado da sua essência.

Um cão é um ser irracional. Um cão, ou qualquer outro animal, é educado por um cidadão. Um cão é considerado uma propriedade. Um cão é um pertence de um cidadão. Um cão é responsabilidade do seu dono, um cidadão. Um cão é um animal que não pensa. Um cão reconhece o seu dono e obedece aos seus ensinamentos. Um cão não tem consciência dos seus actos. Um cão mata, sem saber realmente o que isso significa. Um cão mata, sem saber que tirou uma vida.

O Zico é um cão, azar o dele. Se fosse um cidadão era julgado em tribunal e, talvez, condenado à pena máxima de prisão. Foi o Homem, que fez a Lei, que assim o definiu. Como é um cão, a sua pena é a de morte.

Faz sentido. Um homicídio premeditado, cometido por um cidadão a quem foram ensinadas as leis, e que foi educado de acordo com os princípios morais e regras da sociedade, tem muito mais direito à vida do que um animal domesticado, pelo mundo racional, que nunca nos pediu que o trouxéssemos para nossa casa, para viver sobre as nossas regras.

Sim, salvem o Barrabás.

A preocupação de não querer saber

A pessoa intelectualmente inferior não é a pessoa humilde. Não é a pessoa que diz 'Não sei muito sobre esse assunto, mas fala-me um pouco mais'. A pessoa intelectualmente inferior é a pessoa que não vê, ou não procura ver, além do que lhe é mostrado. E é essa pessoa que não constitui um desafio para ti numa conversa, porque não te acrescenta nada de novo, e não te permite evoluir a nível cultural, pessoal ou social. A pessoa que te diz 'Fala-me sobre isso', constitui esse desafio. Não por ser intelectualmente inferior, mas porque o seu interesse vai fazer-te querer saber mais. Claro que, para muitos pseudo-intelectuais que por aí andam, esse 'Fala-me sobre isso', constitui uma massagem ao ego, que provoca esse tal complexo de superioridade. São essas pessoas, esses complexados, que travam a sua própria evolução - pessoal, social e sobretudo, intelectual - por se sentirem acima dos pobres coitados que 'menorizam'. Para mim, a pessoa humilde é a pessoa interessada. A pessoa desafiante, a tal que procura sempre o conhecimento, independentemente dos obstáculos - físicos, ou psicológicos - que teimem em travar-lhe o caminho. Aquele que não sabe do que se fala, assume que não sabe, e pergunta, questiona, do que se trata, não é intelectualmente inferior. Adquire conhecimento, enquanto estimula a nossa inteligência.
Sim, é uma opção. Eu posso escolher não querer saber. Mas o que é que essa escolha implica realmente? E se todos escolhermos, pura e simplesmente, não querer saber? É fácil não ter essa preocupação. Seguir a premissa de deixar andar. No entanto, seguir essa premissa irá definir a pessoa em que nos tornamos e, tão ou mais importante, a sociedade em que vivemos. A cultura do desinteresse irá comandar o nosso dia-a-dia, o dia-a-dia de quem nos rodeia, e o dia-a-dia do mundo que habitamos. Portanto, essa apatia, não vai reflectir-se apenas a nível sócio-cultural. Essa apatia, que foi uma escolha pessoal, vai reflectir-se a nível político, a nível económico, a nível laboral. Então, não aceito, e não respeito essa escolha. Porque somos seres sociais, e vai afectar-me seja de que forma for.
'A cultura não chega a todos' - De que cultura estamos a falar? Livros, internet, cinema, teatro? Esse tipo de cultura? Porque a História chega a todos. A sociedade chega a todos. A informação chega a todos. Porque, se eu não souber, tu sabes e podes partilhar comigo esse conhecimento. Basta eu querer. A humildade está na preocupação pelo saber. Eu não tive oportunidade de estudar, eu não tenho acesso à internet, eu não tenho televisão em casa. Mas tu tens, por isso, diz-me o que se passa.
Depois, a humildade de quem tem o conhecimento e o partilha. Não és intelectualmente superior por informares. Estás só a fazer o teu papel. Não procuras seguidores da tua cultura. Procuras continuar a crescer, e 'levar' alguém contigo nessa jornada. E essa pessoa, que nada sabe sobre o tudo que a rodeia, pelo simples facto de se interessar, acrescentou algo à tua essência. Ensinou-te a ser humilde. Nunca vou saber tudo, ser melhor que alguém. Mas vou procurar saber mais. Sempre. Não só por mim, mas porque posso chegar a alguém. E, na sociedade, cada vez mais, o conhecimento é a nossa maior arma. E a aprendizagem, é uma aquisição social, conseguida pelos e através dos nossos pares.
A título de conclusão, com mais ou menos lógica, gosto de acreditar que podemos tornar o interesse, viral. Trabalhar a cultura do interesse, contagiando quem nos rodeia. Ser mais fortes do que essa apatia, que para muitos pode ser uma opção de vida válida, mas que, para mim, não é mais que o facilitismo da despreocupação de quem a pratica, e de quem a aceita.

Complexo de superioridade...ou não?

O Grande Gatsby, O retrato de Dorian Gray, O amor em tempos de cólera, Oliver Twist, A tale of two cities, Fifty shades freed, Os homens que odeiam as mulheres, Ana Karenina... - Basicamente, o que eu deveria fazer com todo o meu tempo livre.
Pfff...bastava que não existisse Hart of Dixie, Pretty Little Liars, Revenge, How I met your mother, Grey's Anatomy, Once upon a time, The vampire diaries, Modern family, Californication...entre tantas outras! Mas sobretudo, internet ao meu alcance com episódios disponíveis semanalmente, acabadinhos de sair do forno.
Pudera o dia ter o dobro, ou triplo, das suas horas! - Pois que, entre obrigações laborais, obrigações pessoais, obrigações sociais, perco um pouco da minha essência. Pior, perco um pouco da minha inteligência.
Sou da opinião que a inteligência é delicada. A inteligência é preciosa e precisa de ser estimulada. No meu caso, anda de braço dado com a inspiração – tão ou mais delicada, que a primeira.
E a sua pior inimiga, sempre à espreita, a preguiça. Preguiça de fazer mais, de ler mais, de absorver mais, de viver mais, de conversar mais, de conhecer mais. Preguiça de ser mais. Preguiça de procurar sempre o melhor.
Nem sempre temos a sorte de estar rodeados das pessoas mais estimulantes, que partilham aquele simples gosto pela leitura, ou simplesmente, o interesse pela sociedade à sua volta, e nesses momentos, partilhados com essas pessoas, 'emburrecemos' um bocadinho. E nada tem a ver com pseudo-intelectualismos de treta. Tem a ver com necessidades de estimulo cerebral. Apenas, porque, ao longo do nosso crescimento, criámos padrões, desenvolvemos interesses, habituámos-nos a determinado nível de conversa ou de discussão com os nossos pares. E vimos a nossa inteligência frustrar-se, a nossa inspiração esvair-se, porque, diariamente, sem que fosse essa a nossa escolha, quem nos rodeia é gente sem visão do mundo que nos envolve. Aquele tipo de pessoa cuja companhia podemos apreciar em 'horário laboral', ou duas a três horas por dia. Aquele tipo de pessoa, que, francamente, gostamos, mas que nada oferece de mais à nossa vida. Aquele tipo de pessoa com a qual temos de pensar sempre duas vezes antes de utilizar um qualquer termo, mais ou menos complexo, porque sabemos que não irá compreendê-lo por ser intelectualmente inferior.
Não falo pessoas sem estudos. Refiro-me a pessoas desinteressadas, pessoas adormecidas, com uma visão que não chega à linha do horizonte. E quanto mais tempo nos rodeamos destas pessoas, mais de nós se perde em cada conversa sobre nada. Depois, somos tomados pela preguiça do nada. A preguiça de pensar, de descobrir, de conversar sobre o tudo extraordinário que existe nesta vida.
A vida inspira-me. A gente do mundo inspira-me. Infelizmente, algumas pessoas do 'meu' mundo, aborrecem-me. Causam-me a tal preguiça que trava o lado melhor. E, o pior de tudo, é que nem fazem parte dos meus dias por opção. São a falta de opção. - Simpáticas, queridas, mas tão, tão, básicas!

Bom, e daí, talvez não seja mais que o meu complexo de superioridade!

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O Castelo

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