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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

O livro que mais ordena

Dei por mim a sentir falta daquelas noites, enquanto crescia, durante as férias, em que devorava dois livros quase sem perceber. Não sinto falta por na altura ser tudo tão fácil e não existirem grandes preocupações.

Sinto falta porque tinha tempo. O tempo dá-nos conhecimento. Dá-nos cultura. O tempo dá-nos muito mais do que conseguimos apreciar e, às vezes, perdemo-nos nele.

Sinto falta de perder-me no tempo de um livro. Respirar uma história, mergulhando nos cheiros e sentidos. Correr páginas ofegando pela intensidade da emoção, chegar ao fim e sentir a perda. Encher-me de um novo ensinamento, de uma nova descoberta. 

Cada livro é um segredo que revelamos. Conta muito mais do que uma história. O livro ensina a cada um, um pedaço da sua vida. E mais do que a descoberta, são páginas de auto-descoberta.

Sim, um livro é um segredo. Um segredo nosso, partilhado na initimidade de nós mesmos. Cada livro é uma história de quem o lê. 

 

Nas palavras de quem escreve, encontramos pedaços de quem somos. Decidimos quem queremos ser. Traçamos objectivos e definimos onde queremos chegar. Deixamo-nos inspirar.

 

As últimas linhas de uma última página, são o início de novas vidas. 

A leitura estimula os nossos desejos e as nossas vontades. A leitura estimula a necessidade, a ânsia, de querer saber mais, chegar mais longe, fazer mais. Ser mais!

Permite-nos crescer com a noção de que podemos ser gigantes num mundo cheio de pessoas-formigas.

 

Mais do que prevenir erros ortográficos, erros de concordância ou promover a fluência de discurso, é por tudo o que descrevi que os livros e as leituras devem fazer parte dos nossos dias.

O gosto pela leitura deve cultivar-se desde cedo, o mais cedo possível. E deve alimentar-se a vida inteira. 

 

Se não lermos, não conhecemos. Se não conhecermos, não procuramos. Se não procurarmos, não questionamos. Se não questionarmos, não sabemos. Se não soubermos, não somos.

E se não somos, não passamos de partículas de água e poeira inúteis que habitam o planeta.

 

Por todas estas razões, que são muito minhas, dei por mim a sentir falta das tais noites em que devorava dois livros.

É que quando nos tornamos adultos, falta-nos o tempo e esquecemo-nos de nós.

Esquecemo-nos d' Os cinco, da Agatha Christie, do Hitchcock, d'A Fada Oriana, d' O Principezinho d' A Lua de Joana, d' A viagem ao mundo da droga, de Tudo o que temos cá dentro, do Harry Potter, d' A casa do espíritos, d' A filha de Mistral, d' Os marginais... e tantos outros que, durante aqueles dias em que havia tempo, nos formaram e ensinaram a crescer.

A propósito de notícias que mexem por aí

Porque hoje me perguntaram se não há nada que ande a mexer-me com os nervos, e que me leve a fazer aquelas dissertações críticas geniais pelas quais se pauta este meu espaço! (Or not...)

Na verdade, não há uma temática a despertar-me aquele interesse doentio que me faz corroer por dentro enquanto não atiro uns bitaites sobre o assunto.
Ora vejamos o que se passa neste nosso pequeno mundo:

Bruno de Carvalho é o novo presidente do Sporting, contra todas as minhas previsões. E não vou debruçar-me mais sobre este assunto porque este não é um blog sobre futebol, e eu, claramente, não sou entendida no tema.

No Chipre anda tudo doido com as aprovações das taxas sobre os depósitos. Nos últimos dias já li notícias sobre impostos desde os 10% aos 30% que vão incidir sobre depósitos de 100 mil euros. Consta que os ciprianos (eu gosto de chamá-los assim) estão loucos de alegria com estas medidas 'sugeridas' pelos manda-chuva europeios (okay, esta foi só porque me lembrei de uma amiga minha!). Tendo em conta que estes nossos companheiros cipriotas (sim, eu conheço a designação correcta!) votaram a adesão à moeda única em 2008, a esta altura devem estar a esconder a cabeça de vergonha, nas suas almofadas.
Ainda a esta propósito, quando a notícia estourou, logo o drama se instalou em Portugal com a oposição a cair em cima do pequeno Gaspar 'Ah e tal então e nós? Essas modas também hão-de parar por cá?'. Pessoalmente não percebo o porquê do pedido de explicações. Perdoem-me a ignorância mas...há assim uma grande fatia do povo português com 100 mil euros depositados em bancos? Em caso afirmativo, por que raio estão tão aborrecidos com o aumento da taxa de desemprego?
De qualquer forma, eu se fosse cipriana (ah, ah, ah) não ia ficar por feliz, ao acordar um dia de manhã, ir ao multibanco levantar dez euros, e a máquina dizer-me 'Vai mas é para casa que hoje não há nada para ninguém!'

Entretanto parece que a generalidade dos portugueses está indignada com a RTP por ter contratado ou convidado ou sei lá o quê, José Sócrates como comentador político do canal. Julgo que tem um bocado a ver com o facto de ter coincidido com o despedimento de Nuno Santos do canal público.
Outro drama que não compreendo. 'Ah porque o Zé afundou o país e não percebe nada de política', 'Ah, porque não tem vergonha na cara', 'Ah porque dói-me a barriga e a culpa é dele'. Enfim...toda uma panóplia de motivos que justificam com tremenda causa o porquê de tanta indignação.
Quanto a este assunto, aproveito para colocar algumas questões:

O José terminou ou está a terminar uma licenciatura em filosofia. Não tem, como toda a gente, direito a um estágio curricular, não remunerado, numa área que nada tem a ver com a sua formação?

Recordem-me por favor, não foi ele que ganhou as eleições duas vezes? E se bem me lembro, foi ele que se demitiu depois do PEC 4 não ter sido aprovado, certo? (Oh, que saudades dos tempos em que um PEC era o nosso maior problema!)

Se não me falha a memória, foi esse senhor que não pôs paninhos quentes e alertou logo para a gravidade da situação que ia atravessar-se.
Depois veio o Pedro que nos intrujou a todos com falinhas mansas, peremptórios 'comigo não!' e 'eu é que sei o que é melhor para o país!'. O que é que aconteceu a seguir?

Francamente, não era pior se fosse o Miguel Relvas?

Bom, mas quarta-feira certamente que estaremos todos, ou grande parte de nós, agarrados à televisão, prontos a escutar tudo o que o José tem a dizer. Vai ser giro depois começar a ver os anti-Sócrates a gritar 'volta por favor' ou 'afinal a culpa não foi tua'.
Os portugueses, e seres humanos em geral, têm memória curta e selectiva. Tendem também, a unir-se em torno de um inimigo comum.

E porque este texto já vai longo, uma última consideração estúpida sobre um assunto delicado:

Tomara ao Carlos Cruz e companhia que nos tempos deles já existisse Ask. Poupavam-se imensas situações desagradáveis, e ainda poderiam alegar ter sido eles os aliciados pelas criancinhas para fins sexualmente condenáveis. Eu acreditava.

E uma curiosidade: O novo filme de Brad Pitt dá pelo nome de World Wide Z (de zombie) e tem qualquer coisa a ver com uma guerra mundial em que somos atacados por zombies...
Isto merece algum tipo de comentário?

Ah, quase me esquecia! Foram inaugurados uns cruzeiros de luxo no Douro com pompa e circunstância, cujas convidadas de honra foram a Sharon Stone e a Andie Macdowell. É tão bom ver que Portugal continua a ser mais importante para o bem-estar dos turistas, do que para a vida dos portugueses...
É isto e a importância que se dá ao Jamie Oliver por usar tábuas de cozinha fabricadas em Portugal...

Nota sobre as eleições no Campo Grande

Hoje é dia de eleições no Sporting.
Não sou sócia. Sou, nada mais, que adepta fervorosa e aficionada. Já aqui falei sobre este clube, que é o meu do coração - e por herança de família - mantendo neste momento a mesma opinião e os mesmos desejos para o futuro.
Hoje é dia de eleições no Sporting e, depois dos debates da última semana, estou convicta de que nenhum dos três senhores que se propõem a presidentes, servem de material presidencial para um grande clube. Ora isto não é uma novidade. Foi apenas o constatar de um facto.
Entristece-me essa conclusão.

Entre Carlos Severino, Bruno de Carvalho e José Couceiro, venha o diabo e escolha.
O primeiro, faz-me lembrar Godinho Lopes. Nervoso, orgulhoso, queixinhas. Carlos Severino é um fantasma. Não nos lembramos que está lá, a menos que diga alguma coisa. Demasiado pequenino para o universo leonino.
Depois, temos o Bruno de Carvalho que faz lembrar um miúdo entusiasmado, que quer muito para o clube, mas que está disposto a não olhar a meios para atingir os fins. É sangue novo, como tanta gente apregoa, mas aquele ar de mafioso é algo que eu não consigo ultrapassar. Bruno de Carvalho é uma raposa. Demasiado dissimulado para o meu gosto.
Por último, José Couceiro. O que dizer sobre ele? Seria um bom homem para o futebol, quer parecer-me, mas o Sporting é muito mais que isso. José Couceiro é uma farsa: Aparentemente calmo e tranquilo, mas não faz ideia do que está a dizer ou fazer. Demasiado bem ensaiado, na minha opinião.

Analisando de forma objectiva, pesando os sonhos dos novos sportinguistas e o poder de decisão dos mais antigos, creio que o vencedor será Couceiro.
Se há coisa que me faz confusão é essa história dos votos consoante a antiguidade do associado. Não me faz qualquer tipo de sentido e, como já tivemos oportunidade de verificar, condiciona de forma negativa o processo eleitoral. Bruno de Carvalho poderá agradecer uma nova derrota ao facto de um único sócio poder votar trinta vezes. - E atenção, não estou a dizer que deveria ser ele o vencedor.

Que tal rever os estatutos? Não me parece lógica esta falta de democracia...

Posto isto, reitero que nenhum dos três me parece um bom presidente para o Sporting. Gostaria apenas que o vencedor fosse escolhido efectivamente, pela maioria dos sportinguistas.

Também não acredito que depois destas eleições o clube recupere a tranquilidade e regresse a união entre os órgãos representativos. Não acredito que as finanças sejam recuperadas, e não acredito que o futebol regresse ao topo, recuperando o respeito e admiração dos rivais e dos sócios e adeptos.
Não acredito que nenhum dos senhores acima mencionados seja o cavaleiro andante, que todos esperam que venha salvar o Sporting.

Infelizmente, assumo-me pessimista.
Receio por este universo de leões.

Receio que chegue um dia em que o Sporting não passe de uma história contada a filhos e netos. A história de um clube que se perdeu devido às más gestões, sem que houvesse alguém com capacidade para procurar soluções fazendo frente às adversidades.

Chega de glórias de passado. Chega de História. Chega de viver no ontem.
Mas também chega de viver no amanhã.

Quem é que pensa no hoje?

É por não reconhecer sentido prático e, verdadeiramente, realista a nenhum dos candidatos que acredito que nenhum deles será o presidente do Sporting e dos sportinguistas. E é por não existir democracia nas eleições do clube que sei que, mais facilmente Palestina e Israel se entendem, do que a tão famigerada paz reinará em Alvalade.

Para Portalegre com amor.

Portalegre…
Cidade mais que especial.
Cidade mais que importante.
Cidade que me apaixonou.

E não foi um amor à primeira vista este nosso. Foi uma paixão que foi crescendo à medida que o tempo ia passando. Amor recíproco. Portalegre que sempre me tratou tão bem.
Portalegre que me recebeu de braços abertos.
Portalegre onde vivi.
Portalegre onde amei, onde me perdi.
Portalegre que me refugiou, que me protegeu.
Portalegre onde sorri, onde brinquei.
Portalegre onde chorei.
Portalegre de onde fugi.
Portalegre onde me encontrei.
Portalegre que me fez feliz.

Portalegre cidade de loucuras.
Cidade de amores perdidos e encontrados.
Cidade de paixões fugazes.
Cidade de amizades únicas. De amizades puras.
Cidade de noitadas de estudantes.
Cidade de copos.
Cidade de passeios e brincadeiras.
Cidade de sonhos encontrados.
Cidade de mágicas paisagens.

Portalegre que amei.
Portalegre de esplanadas e karaokes.
Portalegre de jardins repletos de magia.

Portalegre que nos enfeitiça.
Portalegre que não queremos deixar.
Portalegre onde nada somos além de nós próprios.
Portalegre que respiramos, que bebemos, que sentimos e vivemos.

Cidade onde o tempo parou.
Cidade que nos tomou, nos acolheu.
Cidade que cuidou de nós.
Cidade de nós.

Portalegre, família.
Portalegre que abraçamos.
Portalegre onde querer é poder.
Portalegre para não esquecer.
Portalegre porto de abrigo.

Cidade que não esquecemos.
Cidade onde permanecemos.
Cidade do coração.
Cidade de sentimentos.
Cidade de pura ilusão.


(Texto escrito a 23 de Julho de 2008)

Pessoas Vs. Pessoas

Somos pessoas cansadas. Todos os dias. Somos pessoas que falam com pessoas. Somos pessoas que dependem de pessoas. Somos pessoas de quem dependem pessoas. Somos pessoas cansadas de pessoas. Todos os dias.

É este o nosso trabalho.

Todos os dias, durante um determinado número de horas, tudo o que eu faço tem influência directa na vida de alguém. Todas as minhas acções, interpretações, explicações e decisões. Todas as minhas palavras.
A delicadeza do assunto não está perdida em mim. O cuidado, a atenção, a sensibilidade exigidas pelas funções que se desempenham, não estão perdidos em mim. Reconheço-os e respeito-os. Estimo-os.

Sou uma pessoa cansada. Cansada de pessoas responsáveis por pessoas, que todos os dias se esquecem dessa responsabilidade. Todos os dias.

"In a hierarchy, every employee tends to rise to his level of incompetence" - Isto é o príncipio de Peter, que levanta o seguinte problema:
Depois de elevado a esse grau, não está prevista uma 'despromoção', o que rapidamente transforma a realidade envolvente da tal pessoa, num caos absoluto.

Pessoas responsáveis por pessoas que influenciam a vida de outras pessoas, originando um terrível efeito bola de neve.
Acções, interpretações, explicações e decisões. Sem nexo, sem objectividade, sem coerência, sem profissionalismo.

A palavra não é lei. E não saber, nunca foi vergonha. Questionar não é uma ameaça, e uma resposta não significa perda de poder.

Quando se aspira à excelência, não se pode utilizar o conhecimento como arma de defesa. Uma equipa vencedora tem de estar ciente dos obstáculos que pode encontrar, e dos meios à disposição para os ultrapassar.

As análises não podem ser subjectivas. As decisões não podem ser regradas pelo bom ou mau humor. Não podem ser regradas pela preguiça de olhar com olhos de ver. Não podem ser regradas pela hora que conta o relógio.

As decisões das pessoas responsáveis por pessoas que influenciam a vida de pessoas, não podem ser regradas pelas certezas de quem não sabe e tem vergonha de procurar saber.

A pessoa responsável por pessoas que influenciam a vida de pessoas, não pode ser egocêntrica. Tem de ser humilde. Tem de querer saber mais. Ser melhor. Tem de confiar em si o suficiente para continuar a questionar.

Não foi afinal por esse motivo, que se tornou pessoa responsável por pessoas que influenciam a vida de pessoas?

Não gosto destas pessoas pouco responsáveis que existem por aí. Não as respeito. Nunca as irei respeitar.
Parecem esquecer-se que também elas, algures, são pessoas com vidas influenciadas por pessoas que são da responsabilidade de alguém.

Ask.fm ou uma nova forma de comer criancinhas

O último grito nas redes sociais. Um site em crescente popularidade no seio da faixa etária entre os 13 e os 16. Já tinha tido oportunidade de ver algumas actualizações de estado no Facebook com links para o perfil de cada um dos utilizadores para a tal página, mas francamente, não despertou o meu interesse ou curiosidade. Da minha lista de 'amigos' fazem parte alguns miúdos da terra, ou porque são amigos da minha irmã, ou porque me conhecem de vista, enfim. No entanto, não tenho por hábito acompanhar as suas actualizações ou seguir o tipo de utilização que fazem do Facebook. Estão ali por estar.
Há duas semanas, quando estive com a minha irmã mais nova pela última vez, tivemos oportunidade para conversar um pouco a propósito de nada, e ela falou-me neste tal site. Do alto dos seus 15 anos, disse-me basicamente que era uma coisa estúpida e que se fartava de gozar com o tipo de coisas que por ali se podem ler.
'Então mas não é preciso estar-se registado para se poder utilizar?' - Perguntei eu, ainda sem conhecer aquilo de que estávamos a falar.
Sim, de facto, para utilizar é preciso estar-se registado. Mas qualquer pessoa tem acesso às conversas que por ali acontecem.
A miúda lá me mostrou o site e me explicou o funcionamento daquela bela ferramenta, que nada de bom vem acrescentar à vida dos adolescentes neste mundo.

Qualquer pessoa pode registar-se, interagir-se com os restantes registados, trocando perguntas entre si. Qualquer tipo de perguntas.

Em primeiro lugar, choca-me desde logo o desespero de alguns putos que publicitam o facto de estarem online (não sei se será a palavra adequada) naquele momento, com frases do género:
'Vamos lá pessoal, podem perguntar. Respondo a tudo!'

Gostem ou não, estamos a falar de crianças, adolescentes se preferirem, carregados de hormonas, ódios e amores. Resultado: receita perfeita para o desastre.

Em segundo lugar, choca-me que, aparentemente, não existam configurações de privacidade associadas ao site.
São partilhadas fotografias, videos e links de páginas do facebook de utilizadores que podem ou não ter conta no ask.fm.
A gravidade? Qualquer utilizador da internet pode aceder essas partilhas, a todas essas informações pessoais que são publicadas na internet.

Porém, o que mais me choca é a passividade parental. A falta de supervisão daqueles que deveriam ser os educadores e que deveriam proteger estas crianças. Choca-me a falta de alertas para as consequências que podem advir da sobreexposição destes pequenos seres na internet.

Ora vejamos, a maioria dos pais que conheço são utilizadores das redes sociais. E são 'amigos' dos seus rebentos. Consequentemente, tal como eu, têm acesso às actualizações de estado dos pequenos. Enquanto papás e mamãs, diz-me a experiência e o meu próprio instinto, que deveriam, mais não fosse por curiosidade, verificar os links partilhados. Sobretudo quando são precedidos por frases como aquela que referi mais acima.

Infelizmente, esses papás e mamãs estão mais preocupados com jogos online, engates passageiros, ou em fazer na net as peixeiradas que antigamente ocupavam as esquinas, para se preocuparem com o que os filhos andam a fazer a partir das suas próprias casas.
Dá-me a sensação que, com a banalização do acesso à rede, com os pais a tornarem-se subitamente informatizados, eles próprios descobrindo e encantando-se todos os dias com as maravilhas da web, ficaram esquecidas as fugas de casa, a pedofilia, os raptos, o bullying que esteve tanto na moda, as depressões e os suicídios.

Pior que tudo, ficou esquecida a educação.

E para que não digam que estou a exagerar, ficam algumas 'perguntas' que eu vi respondidas no ask.fm por miúdos/as, que claramente não compreendem a forma como podem prejudicar-se, ou afectar a vida uns dos outros:

UMA FOTO TUA EM BIQUÍNI SEM SER AQUELA

O que tens vestido?

Quanto pesas?

e de sexo gostas?

usas renda?

Se estas mais quente agora

entao excitame

ha quanto tempo n fazes sexo?

o que me da mais piada é que tu já nem dizes que não es porca nem puta, enfim, ao menos sincera

Faz um favor ao mundo e cai num tanque de tubarões enquanto estiveres com o período

**************************************************************************************************

É importante referir que todas as 'asks' acima, tiveram resposta 'adequada'.

Parabéns papá e mamã, enquanto se ocupavam da vossa quinta no facebook, o/a vosso/a filho/a tornou-se a vítima perfeita de um predador sexual.

Ainda não estão assustados?

'Amiguinha' ou o raio que parta!

Amizade.
Tenho bons amigos. Grandes amigos. Amigos enormes. Porque foi eu que os escolhi.
Por mania estúpida, ou mau feitio mesmo, é comum ouvirem da minha boca a frase 'Não estou aqui para fazer amigos. Esses já os tenho há muito tempo', ou algo dentro deste género. É provavelmente o expoente máximo da minha arrogância, mas tem uma razão de ser.

No meu local de trabalho não procuro amizades para a vida, pessoas com quem partilhar alegrias e tristezas ou bebedeiras de fim-de-semana. O emprego é um local onde se trabalha, se estabelecem relações profissionais e se desempenham funções com o brio que devemos a nós próprios.
Partindo do pressuposto de que, quando integro o mundo laboral já não sou nenhuma criança, é anti-natural chegar a uma empresa à procura de amigos.
Faz-me confusão, comichão mesmo, aquele tipo de pessoa que trabalha numa empresa há dois dias, acabou de conhecer os colegas e começa logo a querer combinar cafés, jantares e saídas em grupo. Pior ainda, quem desde a primeira hora de refeição partilhada, desfia os pormenores mais íntimos da sua vida: a discussão com o marido, a relação com os filhos, a desilusão com o namorado que a traiu na semana passada com a melhor amiga... Coisas deste género. Por mais sociável que se seja, sou da opinião que a imagem de cada um deve ser preservada, e os desabafos não pertencem aos colegas recentes que amanhã podemos não voltar a ver. Alguns até, poderão condicionar o nosso futuro na empresa.

A vida partilha-se com os amigos. Com os tais que escolhemos.
Sou aquela pessoa que gosta de conversar, de conhecer os outros aos poucos. E, quando conhece gente nova, aquela pessoa que ouve muito e fala muito pouco. Se necessário, afasto-me propositadamente das pessoas que vou conhecendo e evito criar relações de proximidade com elas. Não caço novos amigos. Abomino quem tem essa necessidade. É coisa de gente desesperada.
Não alinho em jantares de grupo, saídas de grupo, passeios de grupo. Esse tempo está reservado para os meus amigos (ou família, ou namorado, mas não é esse o assunto!). Os meus colegas são isso mesmo, colegas. Com quem passo oito/seis/quatro horas por dia, cinco dias por semana. Seria uma pessoa tão triste se nas minhas folgas não tivesse mais ninguém na minha vida com quem partilhar o meu precioso tempo.
Seria tão triste se nos dias em que me sinto realmente triste não tivesse uma amiga a quem ligar, e tivesse de esperar por segunda-feira para desabafar com a minha colega que chegou à equipa há meia dúzia de dias, mas teve o azar de sentar-se ao meu lado.
Tão triste não ter memórias de momentos de risos e lágrimas com quem nos conhece ao tempo que parece uma vida e, mesmo sem razão, tem direito a dar palpites sobre a nossa vida. Tão triste! Faz-me confusão só de pensar.

Não me julguem presunçosa. Ou julguem, quero lá saber. Quando se trabalha no mesmo sítio há muito tempo, rodeada pelas mesmas pessoas, é impossível não desenvolver as tais relações de proximidade com algumas delas. E, obviamente, há sempre espaço para mais um amigo.
Mas estas não são as amizades-relâmpago de que falo mais acima. Estas são aquelas tão naturais, que vão acontecendo aos poucos, com as conversas de todos os dias, as partilhas desta ou daquela curiosidade, que nos vão fazendo gostar de alguém e querer continuar a falar de assuntos que já não são o tempo. Pessoas que nos vão surpreendendo devagarinho, a quem eu também surpreendi por algum motivo, e que decidimos num acordo silencioso, que queremos continuar a relacionar-nos, a descobrir pontos comuns e de desacordo, tornando-nos eventualmente amigos.
E eu deixo de ver esta ou aquela pessoa como a colega da hora de almoço, ou das pausas, ou da equipa, ou do que seja, e passa a ser alguém com quem me preocupo e que fará parte da minha vida mesmo quando já não trabalharmos juntas. Mas este é um processo gradual e NUNCA pode ser forçado.

As amizades-relâmpago são isso mesmo: um clarão que aparece no céu e desaparece rapidamente. Tenho pena dos desesperados por atenção que se contentam com tão pouco.

Por tudo isto, eu sou arrogante quando digo que não preciso de novos amigos. Mas não é mentira. Não preciso mesmo. Eu já tenho os melhores do mundo. Escolhi os melhores de todos os mundos que já foram meus. Eu não os vejo todos os dias. Passam-se semanas, meses e anos sem encontrar alguns deles, mas são os meus. E não preciso de mais.

São as minhas pessoas. Para quem eu vou correr sempre que o meu coração acelerar ou bater devagarinho, quase parado. E eu sou a pessoa de todos eles. É isso que me faz verdadeiramente feliz.
E sim. Há sempre espaço para mais um. Porque em todas as esquinas podemos encontrar pessoas extraordinárias. Mas isso só sabemos depois de conhecer as suas essências.

Eu sou assim. Levo esta coisa da amizade demasiado a sério. Culpa desses príncipes e princesas que preenchem a minha vida e o meu coração.

(Culpa das minhas pessoas de Estremoz, de Portalegre, de Lisboa, e claro, do meu Vimieiro)

Maria

Fragmentos de memórias. Partículas de pensamentos.
Naquele dia escolheu caminhar sozinha até ao cemitério. Havia meses desde que ali passara pela última vez. Corroía-lhe o ser aquele sentimento de perda que teimava em não transformar-se em saudade.

Ela cresceu com a avó porque a mãe trabalhava três vezes mais para ter mil escudos no final do mês. Durante anos a fio, a sua coisa preferida no mundo era dormir naquela casa, no meio do barulho da vila, aquecida pelos lençóis gelados que nunca eram de flanela, mas com o conforto de quem lhe queria bem.

Nunca foi um exemplo de neta. Irrequieta, respondona, gaiata cheia de malandrice. Embirrante sempre que era contrariada, nunca ganhava as brigas e depressa apanhava um par de nalgadas. Chegou a fugir-lhe numa ocasião, mas quando ia à esquina a consciência dos seus cinco anos mandou-a parar. A avó logo a alcançou de chinela na mão, e o caminho de regresso a casa foi um festival de choramingar por entre palmadas.

No tempo em que era Maria! A avó Maria.

Numa vila de festas no ano inteiro, foi sempre a sua companhia. Era tão feliz com aquela avó que a levava aos bailes e deixava correr livre, na galdeirice com os meninos da sua idade. E dançavam as duas, conversavam sobre o nada e ensinava-lhe as histórias da vida. Ensinava-lhe a sua vida. E escutava-a fascinada. Ouvindo e memorizando cada detalhe. Admirando aquela mulher. Respeitando-a, muito embora testasse os seus limites. Admirava a consideração e, até mesmo, alguma reverência com que todos a tratavam. Não a surpreendia, apenas admirava. Sabia que era uma mulher forte, sem calos que pudessem ser pisados, e sem voz que se sobrepusesse à sua.

Apesar de tudo, não se deslumbrava com a avó. Era uma admiração natural. Também lhe reconhecia o feitio difícil, defeito genético parecia-lhe, por passar de geração em geração. Reconhecia-lhe os defeitos. Ou começou a reconhecê-los mais tarde, possivelmente por se rever a si própria em alguns deles. A capacidade de distorcer a verdade a seu favor, a perícia na chantagem emocional, a manipulação do seu clã.

Nada disso interessava. Nunca foi importante. O importante sempre foi aquela relação especial entre as duas. O importante sempre foram os seus ensinamentos. A forma como lhe cultivou o gosto pela leitura, como a ensinava gostar da escola e de aprender cada vez mais.

E a cada último sábado, de todos os meses, quando iam ao mercado da vila e ela sempre lhe comprava um pano da loiça, para acrescentar ao enxoval.

No tempo em que era Maria! A avó Maria.

Com o tempo foi-se o tempo que partilhavam. As confidências que confidenciavam. Com o tempo, foi-se o tempo de dormir nos lençóis frios aquecidos pelo conforto do amor que partilhavam.

Estava longe quando chegou o primeiro susto. Quando finalmente a visitou, não a reconheceu. Viu-a definhar pelos constantes problemas de saúde e pela preguiça de esforçar-se para melhorar. Sempre que se despedia, quebrava-se um bocadinho de si. Sentia o coração apertadinho, com o medo, o medo enorme de que fosse a última vez.

Sorria sempre, nas horas da visita. Levava-a a passear aos fins-de-semana de sol. Saiam com a cadeira de rodas e percorriam as ruas durante duas horas, antes de voltarem para jantar. E a cada metro que avançavam, logo tinham que parar tal a popularidade daquela avó que todos queriam cumprimentar.

'Então Mariazinha, como estás?' - E como a avó ficava feliz com todo aquele interesse! Mais não fosse, nos dias em que estava mais em baixo em que aproveitava para queixar-se um bocadinho.

Depois, chegava domingo, a neta despedia-se, respirando fundo para controlar a lágrima.

'Avó, tens de por-te bem. Quando eu casar vais ser a menina das alianças! Toda vestida de cor-de-rosa com muitos folhos, e a cadeira bem decorada.'

Foi de madrugada que o telemóvel tocou. Tal como nos guiões dos filmes de quinta categoria.
Veio-lhe há memória o último fim-de-semana em que estiveram juntas, quinze dias antes. Por razão nenhuma, dera-lhe de jantar como se faz aos bebés.

'Quando eu era pequena, tu davas-me comida à boca. Agora é esse o meu papel. Aproveita!' - A avó sorriu envergonhada, e ela decidiu que tinha de fazer aquilo mais vezes.

Não fez.

Fragmentos de memórias. Partículas de pensamentos.
Estava sentada junto à campa e não conseguia sorrir. Recordações não são vida. E na morte, perde-se parte de nós.

O tempo em que deixou de ser Maria. A minha avó Maria.

Se é o tipo de pessoa que tira conclusões prematuras do que aqui se escreve, e considera a maioria das minhas palavras inapropriadas, não leia este texto! Vai poupar a si mesmo algumas dores de cabeça.

Desato a rir às gargalhadas com a mesma facilidade com que choro compulsivamente. Acho que é um defeito de fabrico.
Não me torna uma pessoa mais ou menos séria, mas origina interpretações erradas por parte de quem assiste a cada um destes espectáculos.
Há quem julgue que não levo determinado assunto a sério porque opto por sorrir enquanto estou a discuti-lo. Há quem julgue que estou a fazer fita, a ser mariquinhas, quando começo a chorar por motivos aparentemente sem justificação.
A verdade é que, por natureza, sou uma pessoa bem disposta, que não vê necessidade de dramatizar situações que por si, já poderão ser complicadas. Sou assim no meu dia-a-dia, em horário de expediente. Prefiro discutir questões com sorrisos e resolver problemas da mesma forma. Infelizmente há quem associe esta minha natureza, a falta de maturidade profissional. Parece que, para a maioria das pessoas, o profissionalismo mede-se pela cara mais carrancuda. Basicamente, uma pessoa só leva o seu trabalho a sério se agir como se estivesse em TPM constante. Seja mulher ou homem.
Para além de me ser impossível conviver dessa forma, sofro de intolerância crónica para com as pessoas que o fazem. Fui educada para respeitar e ser respeitada. E aprendi há bastante tempo que esse respeito não é um direito adquirido. É uma conquista. E conquista-se através do respeito ao próximo. Respeito ao próprio pelo respeito ao próximo.
Esta intolerância de que falo é o que por vezes me faz chegar às lágrimas. Rebentam-se as águas nos meus olhos quando sinto a raiva a crescer em mim. A minha boa educação impede-me de responder muitas vezes à altura das faltas de consideração a que assisto, ou do abuso que algumas pessoas tentam exercer sobre quem, hierarquicamente, está abaixo de si. E o esforço que faço para manter a minha boca calada é de tal forma gigante que transborda pela minha cara. Odeio injustiças. Odeio ainda mais incompetentes frustrados que sentem necessidade de se afirmar rebaixando quem dá o couro e o cabelo por eles todos os dias. Gentinha insegura de si, de tal forma que em vez de liderar, como seria o seu dever, opta por fazer ameaças ridículas a quem, por medo, não consegue defender-se. Armam-se em leões a caçar gazelas indefesas, quando na realidade não passam de hienas repugnantes.
Lamento que, nem todos nós, consigamos defender-nos desses ataques, por falta de capacidade de argumentação lógica. A maioria cede sobre a pressão que está a ser exercida e perde a capacidade de raciocínio.
Jamais alguém deveria estar sujeito a ameaças e intimidação no seu local de trabalho. Muito menos quando a pessoa se esforça, divide-se entre mil e uma tarefas e está sempre disponível para aceitar trabalho extra.
Onde está o respeito pelo empenho dessa pessoa?
Quando é que deixou de ser importante saber o significado de liderança?
Eu, pessoalmente, não quero sentir medo cada vez que algum superior vem ter comigo para me pedir o que quer que seja. E, na verdade, não sinto. Felizmente não sofro deste problema. Não tenho medos. As palavras não passam disso mesmo e o truque é conhecê-las e saber utilizá-las nos momentos certos. A minha assertividade não se deixa sobrepor pelas imposições de ninguém. Eu não vou calar-me se alguém me faltar ao respeito.
Não se deixem enganar por uma lágrima ou outra. Ou então deixem, e o engano será vosso. Não se deixem enganar por um sorriso ou gargalhada. Não significam que farei tudo o que bem entenderem, acenando a cabeça como um cachorrinho. Tenho 25 anos, já sou crescidinha. Há muitos anos que a resposta 'Porque sim!', parou de me chegar.
Só tenho pena que nem todos tenhamos evoluído no mesmo sentido, e que tanta gente que conheço e outros tanto de quem gosto, se deixem sucumbir perante o primeiro acto de estupidez e arrogância de que são vítimas.
A culpa é tanto de quem ataca, como de quem é atacado. Ganhem fibra, percam o medo. Percebam de uma vez por todas que o bom e o mau chegarão de qualquer forma, independentemente de quais forem as vossas reacções. E sobretudo, confiem em vós. Quando não se faz nada de errado, não há nada a temer. Por mais que tentem fazer-vos crer o contrário.

O meu maior sonho é parar de ver tanta parvoíce

Durante a tarde de hoje, enquanto vagueava inutilmente pela rede social mais utilizada nos últimos dez anos, o Facebook claro está, deparei-me com um página que captou a minha atenção.

A página chama-se: 'Vamos ajudar a F. a realizar o seu sonho'

Naturalmente, a curiosidade levou-me a melhor, coisa que sempre acontece, e quis saber o que se passaria na vida desta jovem para mover tantas partilhas. Imaginei doenças, abandono familiar, desaparecimento de um ente querido, etc. Aquelas situações que é costume e corriqueiro encontrar por ali.
Não estava, de todo, preparada para o que ia ler, ou ver.

'Ola, eu Sou a F., tenho 24 anos.
O meu maior sonho, e espero com a vossa ajuda poder um dia vir a realiza-lo é conseguir uma imagem mais normal de mim eu tenho um problema no meu queixo, ele é grande, e por causa disso sofro imenso com a sociedade(...)'

Bastou ler estas linhas e ver a primeira fotografia para, de imediato, me sentir tomada pelo pequeno demónio que habita dentro de mim. Juro que tentei ainda, a custo, dar o benefício da dúvida, mas quanto mais lia aquela história da carochinha contada através do mau português da moça, mais o meu pequeno demónio se insurgia e escarnecia do ridículo de toda a situação.

A página pertence a uma rapariga perfeitamente normal, sem qualquer tipo de deficiência aparente, mas que, quis o destino que não fosse particularmente bonita. Pelo menos aos olhos da maioria das pessoas, porque felizmente, há gostos/interesses/atracções de todo o tipo.
Sim, a rapariga tem uma cara compridita, com um queixo maior do que estamos habituados a ver, mas essa é apenas uma característica da sua fisionomia. É uma diferença que a distingue das milhares de outras pessoas que passeiam nas ruas todos os dias.

Cara F., não é uma operação que vai alterar a imagem que tens de ti. Nem é uma operação que te vai conseguir uma 'imagem mais normal', como tu dizes. Não há nada de errado contigo fisicamente. O problema está na tua cabeça e na ideia pré-concebida daquilo que possa ser para ti a beleza. Não será a operação a trazer-te mais amigos ou o tal namorado que para ti parece ser tão importante. E não será também a operação que vai impedir as pessoas de criticar-te ou julgar-te quando saíres à rua. O teu problema é psicológico, antes de mais, e quem tentar convencer-te do contrário ou incentivar-te perante esta ideia de operação estética, está a errar. A auto-estima constrói-se a partir de dentro. E o exterior só pode ser alterado, quando já aprendemos a aceitar quem somos e como somos. Antes de procurares a correr uma solução rápida para aquilo que julgas ser o teu problema, deverias procurar ajuda psicológica para identificares se é mesmo esse o problema.
Ninguém se vai afastar de ti por teres um queixo grande, imensas borbulhas, seres demasiado magra ou seres demasiado gorda. Mas toda a gente pode meter-se contigo, de forma desagradável, a qualquer altura por um desses motivos. E quando ou se, ultrapassares essas questões, irão meter-se contigo por outro motivo qualquer.
Na escola chamavam-te nomes? A quem é que isso não aconteceu? E todos nos julgamos os mais infelizes e miseráveis do mundo quando isso acontece. Tu nunca 'chamaste nomes' a ninguém? Isso não é bullying. São miúdos a serem miúdos, e ajuda-nos a crescer. Ajuda-nos a desenvolver carácter e ganhar 'estaleca'. Ensina-nos a importância do que importa e a 'desimportância' do que não interessa.
E hoje, és tu a complexada. És tu que tens vergonha de ti mesma. O problema está em ti e em mais ninguém. Se te fechas em casa estás a martirizar-te a ti, porque mais ninguém vai pensar duas vezes acerca do tamanho do teu queixo.
Querida F., não venhas escrever no Facebook que pensas suicidar-te como solução para todos os teus problemas, porque isso não é verdade. As pessoas que consideram o suicídio não vêm apregoá-lo para as redes sociais. Não venhas também dizer que se as pessoas conhecessem toda a tua história chorariam contigo, acompanhando essas frases por fotografias tuas com os olhos vermelhos de alegadas lágrimas derramadas. Quando choramos, é em silêncio. Não publicitamos ao mundo um sentimento que é muito nosso.
E, por último, querida F., deixa-me dizer-te que quando estamos deprimidos, realmente deprimidos, seja por que motivo for, não temos vontade de maquilhar-nos, pintar o cabelo e tirar fotografias com um sorriso gigante e rosas na mão.

Aí está uma miúda a gritar desesperadamente por atenção. Não vejo mal nenhum nisso, mas não consigo aceitar a forma como o faz. Nem percebo como pode alguém incentivar este tipo de comportamento, em vez de incentivar ao amor próprio.

Ganhem juízo.
Ao menos a Pépa não quis a nossa contribuição para comprar a Chanel. E a mala também serve para lhe elevar a auto-estima!

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O Castelo

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