Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

O tiro, é o melhor remédio!

Quando me apercebi da conversa, já ela ia a meio. Passava-se entre duas mulheres. A primeira, mais jovem, contava à segunda, mais velha e de aspecto a dar para o 'vulgaroide', que tinha assistido a uma cena de partir o coração, no hospital onde trabalha: um idoso, desidratado, com fome, que desmaiou e caiu sem que ninguém tivesse chegado a tempo de evitar a queda. A segunda mulher, com o estilo brejeiro que já se lhe adivinhava, logo se indignou: 'Isto é uma vergonha! A culpa é do governo! É tal e qual como as criancinhas que vão para a escola com fome! Este país é uma vergonha! A culpa é daquele Passos Coelho e daquele Gaspar! Alguém lhes devia dar um tiro na cabeça! Aos dois!' - E, assim que profere esta última frase, eis que lhe surge uma ideia ainda mais iluminada: 'Não! A culpa é dos portugueses! Deviam dar um tiro aos portugueses todos que votaram naquela canalha! Esses é que deviam morrer todos! São os culpados pelo estado do país! Deviam todos levar um tiro!' - Muito bem! Confesso que, depois de escutar tão brilhante conclusão e solução para o fim da crise, tive um desejo enorme de questionar aquela senhora sobre se teria votado nas últimas eleições. Imediatamente depois, desenvolvi eu própria, a minha linha de raciocínio, com base naquelas extraordinárias palavras.

A dívida pública portuguesa equivale a, aproximadamente, 120 % do PIB. Segundo parece, cada português deve qualquer coisa como 20 000€. Cada bebé que nasce em Portugal, já está a dever dinheiro ao Estado e ao resto da Europa, que está a sustentar-nos.

Em 2011, nas últimas eleições legislativas, 38,65 % dos portugueses escolheu Pedro Passos Coelho como alternativa às assustadoras medidas que o Governo de Sócrates propunha ao país. 11,70 %, escolhia Paulo Portas como salvador da pátria perdida. De antemão, qualquer um de nós, com dois dedos de testa, já adivinhava a coligação pós-eleições entre os dois partidos, tornando-se uma força política de maioria. A hegemonia PSD-CDS controlaria a partir desse momento todas as decisões, todos os caminhos a seguir em Portugal no combate à crise económica e financeira. Qualquer um de nós, votantes e pessoas portuguesas de Portugal, sabia de antemão que, sendo este o caso, deixaria de haver espaço para que outras medidas que pudessem surgir por parte da oposição, fossem votadas favoravelmente na Assembleia.

Sabendo tudo isto de antemão – porque conhecemos a nossa história, vemos notícias e conversamos uns com os outros –, de que forma escolhemos exercer o nosso poder de 'Povo que mais ordena'?

Bom, 58,07 % de nós, dirigimos-nos às urnas naquele dia. Alguns ainda confusos, assoberbados pela quantidade de informação, pelas políticas apresentadas, pelas propostas sugeridas por cada partido, e ainda sem saber exactamente o que era esta 'crise' de que se falava. Confusos sobretudo pela própria confusão com se apresentavam a maioria dos representantes de cada partido, perante o abismo de que nos aproximávamos. Muitos de nós, ao entregar o boletim de voto, ainda não tínhamos bem a certeza de ter feito a melhor escolha. Provavelmente, muitos dos que votaram naquele dia, não desejavam um Governo de maioria. Provavelmente, muitos desejávamos que os partidos trabalhassem em conjunto, consensualmente, de forma a guiar-nos no difícil caminho que já se avistava. - Azar do caraças!

Outros, não de nós que faço parte dos primeiros, optaram por ficar em casa, ir ao café, ou praticar outra qualquer actividade que consideraram mais interessante, e abdicar do imenso poder de 'quem mais ordena'. Mais de 41 % da população portuguesa com idade superior a 18 anos, disse 'Não, obrigada. Não me apetece votar.'

Então, depois de ouvir a 'sodona' segunda senhora, pois que eu concordo sim senhora! Eu votei, cumpri o meu dever enquanto cidadã deste país, trabalho, tenho os meus descontos em dia, e sofro um bocadinho mais com cada discurso de austeridade do Pedro e do Gaspar. Não votei em nenhum dos partidos da coligação e sou, assumidamente contra as coligações pós-eleições. Ainda assim, devo 20 000€ ao Estado. Cada membro da minha família deve 20 000€, e nenhum de nós escolheu os partidos que, actualmente, governam os portugueses.

Não vou estar aqui a fazer contas de cabeça, mas quer parecer-me que se matarmos o Gaspar, o Pedro, o Miguel, o Paulo, e restante companhia, já metemos uns quantos 20 000€ ao bolso na nação. E se matarmos os 38,65 % que votaram no PSD, e os 11,70 % que votaram no CDS, o cofre continua a encher...o do país, está claro. Naturalmente, os 41 % que se abstiveram, também devem ser abatidos. Se não votaram, não andam aqui a fazer nada a não ser trazer-nos mais despesa enquanto respiram.

Por tudo isto, esta ideia parece-me bastante lógica e viável. É uma forma de parar de gerar dívida, poupando em todas as áreas e cortando, finalmente, na despesa pública.

 

Termino citando, o genial ministro das finanças japonês, que do alto dos seus 72 anos – talvez a idade o tenha impedido de reconhecer a ironia das suas declarações – afirmou peremptoriamente, neste caso referindo-se aos idosos do Japão:

 

'O problema não se resolve a não ser que os deixemos morrer rapidamente'

 

É isto minha gente, deixem-se de manifestações ridículas e organizem uma caça às bruxas que termine num massacre digno dos tempos da inquisição.

 

Nota: Para o massacre, caso não queiram optar pelas balas, sugiro a utilização dos tais submarinos que todos consideram injustificados. É botá-los lá para dentro, e pimba, rebentar com aquilo!

 

Ou então ganhem juízo, lutem pelo nosso país, e não digam disparates como a senhora do metro.

1 comentário

Comentar post

O Castelo

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D