Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

O que esperar quando não se fica à espera

O meu nome é Sara Maria Reis Alves da Silva, e nasci no dia 06 de Setembro de 1987. Tenho 25 anos.
Como qualquer pessoa da minha idade, sou licenciada. O meu curso é Jornalismo e Comunicação, vertente Jornalismo, iniciado antes de Bolonha, mas para todos os efeitos, pós-Bolonha. Concluí a licenciatura em 2008, poucos meses antes de celebrar 21 anos de vida. Ao contrário de alguns colegas, não optei por continuar na faculdade, escolher uma pós-graduação ou mestrado. Ao contrário de outros, também não optei por, terminado o estágio curricular, regressar a casa dos meus pais e aguardar pacientemente por uma vaga num jornal, revista ou qualquer outro meio de comunicação. De forma ingénua, optei pela procura da independência. - Conceito interessante este de 'independência', de significados multivariados, que poderá suscitar algum tipo de debate filosófico, de relatividade e da própria interacção com o conceito de 'liberdade'. Para mim, era bastante claro e simples.

Independência:
Emprego estável
Casa própria;
Água, Luz, Gás e TV por cabo;
Carta de Condução e carro;
Mais do que 10€ na conta no final do mês

Absolutamente impensável:
Regressar a casa dos pais;
Depender financeiramente dos pais;
Vegetar no sofá dos pais, à espera da GRANDE oportunidade

O meu nome é Sara Maria Reis Alves da Silva. Tenho 25 anos. Não tenho estabilidade laboral, não tenho estabilidade financeira. Tenho 25 anos. Sou licenciada. Recebo em média 600€ por mês. A renda da minha casa é de 420€. A electricidade 27€, a água 20€, e o gás, 27€ de dois em dois meses. A Tv cabo fica em 47€. Ah, o telemóvel, 12,5€ por mês. A carta de condução está em stand-by há quatro anos. Mas, obviamente, não seria possível suportar estas despesas sozinha. Tenho 25 anos e vivo com o meu namorado. Não decidimos viver juntos por estarmos loucamente apaixonados. Optámos por esta via, por ser mais fácil sobreviver a todas as contas sobrehumanas que é necessário calcular mensalmente. Ainda assim, não é suficiente. Empregos precários, com salários precários não facilitam o dia-a-dia, e tão pouco, permitem fazer planos a médio ou longo prazo. Não permitem investimentos no futuro de qualquer um de nós, nem muito menos num futuro para duas pessoas, e mais tarde, três.

O meu nome é Sara Maria Reis Alves da Silva. Tenho 25 anos, e sair de casa foi uma escolha. Abandonar o porto seguro que é a casa dos pais, o conforto desse lar que nos dá tudo, foi uma escolha feita por mim há coisa de 4 anos. Positivismo foi, ao longo, dos últimos anos, o meu 'nome do meio'. Porém, o cerco aperta um pouco mais a cada dia que passa. E, não consigo evitar pensar que, tivesse eu escolhido ficar na terra que me viu crescer, a vida seria hoje bem mais fácil. Talvez não tivesse apenas uns trocos no bolso. Talvez não tivesse que fazer contas de cabeça todos os dias. Talvez não trabalhasse na minha área de formação, coisa que aqui também não faço, mas talvez tivesse um emprego mais satisfatório, por pequenino que fosse. Talvez o ordenado fosse uma miséria, mas não teria que pagar renda e, por isso, já estaria a poupar. Há quatro anos, talvez devesse ter feito essa escolha. E, talvez, hoje, mesmo rodeada desta crise, pudesse ter mais que meia dúzia de trocos no banco e pudesse estar agora a sair de casa. Viver com o tal namorado. Com receio, é certo, mas com a minha própria rede de segurança.
É que, por estes dias, é díficil manter o positivismo. É díficil acreditar que melhores dias virão. Seria tão mais fácil ter regressado a casa depois de terminado o estágio, e esperar.
A ironia está, na decisão mais arriscada que tomei nesta vida, ser o pesadelo que assalta os meus dias, todos eles, de forma cada vez mais intensa e assustadora.

6 comentários

Comentar post

O Castelo

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D