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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Fernando, Fernando...que foste tu dizer?

Não estou a perceber o porquê de toda esta polémica que se gerou à volta das declarações do Sr. Ulrich. Pessoalmente, parece-me que a birra dos portugueses, perante as conclusões óbvias a que chegou o presidente do BPI, só vem dar razão ao nosso querido Pedro, que sabiamente nos apelidou de piegas.
Então querem lá ver que não somos rapazes e raparigas para suportar mais umas medidas de austeridade? Pois está claro que sim, somos sim senhor. Não consigo compreender realmente qual é a necessidade de tanta lamechice. Só porque os vencimentos podem sofrer reduções com a adição de mais um ou dois impostos estapafúrdios, ou porque os escalões de IRS podem voltar a ser alterados, ou porque o IVA pode aumentar para 32% nos bens alimentares de primeira necessidade? Francamente, meu povo, não sejam tontinhos!
Segundo parece, neste momento, só 72% dos portugueses é que não consegue ter as contas em dia no final de cada mês, e esta é uma percentagem que ainda fica muito aquém dos 100%.
Portugueses do meu coração, ainda há muita coisa onde podemos cortar! Não sejam maricas. No nosso país ainda existem muitas casas com donos, que ainda não tiveram que as entregar aos bancos por não pagamento de prestações. E o Sr. Fernando sabe perfeitamente disso.
O Sr. Fernando também sabe que, muitos daqueles que ficaram sem casa e foram viver nas ruas, sobrevivem na mesma. O Sr. Fernando sabe perfeitamente que há muita gente solidária em Portugal, e que não deixamos ninguém morrer à fome ou ao frio. Por isso, porque tem um excelente conhecimento de causa, é que ele pode fazer este tipo de afirmações. Respeitem o Sr. Fernando, e tenham em consideração o que ele diz. Ora se vivemos num país de clima ameno, onde os Invernos nem são muito rigorosos, e onde quase 30% da população consegue cumprir com as suas obrigações financeiras todos os meses, é porque, caso seja necessário, podemos ser mais austeros e aumentar os moradores das avenidas de Portugal.
Em Novembro a taxa de desemprego em Portugal situava-se nos 16,3%, e como se vê este valor está também ele muito longe do máximo, 100%. Então, Portugal aguenta mais austeridade? 'Ai aguenta, aguenta!' – Disse o banqueiro sem ter que pensar duas vezes. E mais, se os gregos aguentam, por que é que os portugueses não hão-de aguentar? E eles já vão quase nos 25%! Se eles se queixam? 'Estão vivos, protestam com um bocadinho de mais veemência do que nós, partem umas montras, mas eles estão lá, estão vivos' – E ao fim ao cabo, não é isso que importa? Estarmos vivos? O que é que interessa se não temos sítio para viver, comida para comer, trabalho que nos dê sustento? O que importa é respirarmos. Mesmo que seja com dificuldade por termos desenvolvido uma pneumonia incurável, por vivermos na rua e não termos dinheiro para ir ao médico, porque entretanto privatizaram o sistema nacional de saúde.

Não vamos ser hostis com o Fernando Ulrich. O homem é presidente do BPI, um banco que lucrou 249,1 milhões em 2012. Um homem que contribui para o desenvolvimento e recuperação deste país, estimulando a economia e contribuindo para...bem, contribuindo para alguma coisa!
Ah, já sei, contribuindo para o aumento da taxa de desemprego, fechando balcões e despedindo 249 funcionários no final de 2012. Contribuindo para o trabalho precário, utilizando empresas de outsourcing para subcontratar trabalhadores que vendam os produtos do banco aos seus clientes. Contribuindo para o desejo crescente de cada português de cometer um crime de sangue.
Pelo contrário, eu não desejo absolutamente nada de mal ao senhor Fernando. Entendo perfeitamente o seu ponto de vista. Teria, porém, todo o gosto em recebê-lo em minha casa, por quanto tempo fosse necessário, para ele poder testemunhar e experimentar a realidade do comum português. Ensiná-lo a fazer compras no supermercado, a andar de transportes públicos, a pagar a água, luz e gás, a fazer a transferência do valor da renda...e a mostrar-lhe como se vive, em família, com o que sobra depois de acertadas essas contas.

Oh Fernando, tu não precisas de austeridade. Precisas é de juízo! - Infelizmente, não és o único, filho.

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