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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Troco alguém, por algo

Coisas vs. Pessoas

Troca-se alguém por algo.

O futebol.
Choro porque o meu clube perdeu um jogo de futebol, mas não sinto nada perante a perda de um familiar.
Choro porque o clube de futebol por quem torço atravessa um período de crise profunda a nível económico. Mas não me incomoda que falte pão em cima da mesa para alimentar a minha família.
Fico triste com a saída de jogadores e treinadores da equipa que me entretém aos fins de semana, mas sou a pessoa mais feliz do mundo quando viro costas aos meus pais que vejo duas vezes por mês.
Revolto-me com arbitragens que considero injustas, mas não me dou ao trabalho de oferecer o ombro a um amigo que necessite.
Grito com jogadores dentro de campo exigindo o melhor de cada um deles, como se disso dependesse a minha vida, mas não me chateia muito que os meus filhos tenham um bom desempenho na escola.
Começo a hiperventilar com a perspectiva da próxima contratação, mas estou a borrifar-me para o vestido novo que a minha namorada comprou para me agradar.

A religião.
Sou Jeová, não acredito em transfusões de sangue. O meu filho está a morrer, não faz mal, é a vontade de Deus.
Sou muçulmano. Violas as regras que estão definidas no meu livro mágico, vou apedrejar-te.
Sou indiano, as vacas são sagradas, mas as mulheres podem ser violadas. É engraçado que na Índia existe uma lei que protege militares contra acusações de crimes sexuais. É a lei dos poderes especiais das Forças Armadas.
Sou católico, não posso 'desejar a mulher do próximo', mas não tenho problemas em deitar-me com a mulher do meu vizinho.
Sou ateu, não acredito em nenhuma religião. Tu és estúpido por acreditares nesses disparates todos.

No fundo, está tudo dentro de nós. O desejo egoísta de seguir sempre com a nossa vontade. A concentração em nós mesmos. Naquilo que nos faz sentir bem e que gostamos. O centro da vida de cada um, é a própria pessoa. É por isso que todas as coisas que fazem parte dos nossos dias, são postas à frente das pessoas que nos rodeiam. Seja família, amigos, ou o desconhecido com quem nos cruzámos na esquina. Quando colocados em cena o objecto/actividade/coisa e a pessoa que tenta chegar até nós, escolhemos o primeiro. Podemos não fazê-lo abertamente. Podemos fingir que a nossa atenção está centrada em quem está connosco, mas isso é mentira. A vida passa por nós em momentos, e em cada momento escolhemos o que temos vontade de fazer, o que queremos ver. Preferimos concentrar-nos em coisas, do que viver emoções com a nossa gente. Acontece todos os dias. Porque somos todos egoístas. Queremos todos alimentar os pobrezinhos, mas preferimos comprar um telemóvel novo. Estamos todos solidários com o estado de crise do país, com os cortes de subsídios, e com o número crescente de desempregados, mas este fim de semana temos mesmo de ir gastar uns trocos a Barcelona.

Porém, do alto do nosso egoísmo, somos os primeiros a apontar o dedo aos outros que como nós, agem da mesma forma, mas o fazem com mais abertura. Sem receio de o esconder.
'Que vergonha, tantas crianças a morrer com fome e tu aí a mandar comida para o lixo!'
Somos uns egoístas cheios de moral. Egoístas moralistas! Apregoamos tudo o que é certo, todos os passos que devemos dar para vivermos num mundo equilibrado. Infelizmente, nem quando se trata de escolher entre ajudar o nosso irmão mais novo a estudar, e ver o 'Sozinho em Casa' pela quinquagésima vez na televisão, conseguimos fazer a escolha certa.

As pessoas não duram para sempre. Parece que nos esquecemos disso todos os dias quando ligamos o computador ou a televisão. As pessoas não são objectos, não são coisas para brincar quando não há mais nada para nos distrair. As pessoas, são quem nos dá calor. E quando morrem, não há jogo de futebol, religião, ou o que quer que seja, que nos aqueça como elas.

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