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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

'Cantas bem, mas não me alegras'



O movimento 'Que se lixe a Troika' resolveu no dia de hoje manifestar-se na sessão da Assembleia da República, entoando a emblemática canção 'Grândola vila morena' de Zeca Afonso. Este será um protesto contra os elevados números de desemprego e taxa de recessão, anunciados esta semana. A demonstração de descontentamento ocorreu durante o discurso de Pedro Passos Coelho, que aceitou a interrupção e aguardou pacificamente, enquanto os manifestantes foram 'convidados' a abandonar a Assembleia, continuando a cantar. A reacção do primeiro ministro não surpreende. Com excelente sentido de humor, coerentemente desrespeitando os motivos que levam a estas acções, afirmou, sorrindo, que se tratou da melhor interrupção que poderia ocorrer durante uma sessão parlamentar e que, inclusivamente, lhe recordou a comemoração do 25 de Abril de 2012.

A notícia está em todos os jornais e a ser discutida em blogs e nas redes sociais. Na sua maioria, vejo comentários de incentivo, muitos deles citando uma frase da letra da canção - 'O povo é quem mais ordena'
Também há quem diga que Pedro Passos Coelho teria 'saído por cima' se tivesse entoado a canção juntamente com os manifestantes.

Gostava de saber quantos elementos do movimento 'Que se lixe a Troika', votaram PSD nas últimas legislativas. Não acredito que sejam todos comunistas, bloquistas ou socialistas. E, se forem apartidários, se muitos deles nem tiverem sequer votado, então, tenho em crer que não lhes devia ser permitido manifestar-se.
Não podemos interessar-nos pela política do nosso país só depois de os governantes estarem eleitos e as decisões tomadas.

De qualquer forma, e de encontro a tudo o que tenho dito e escrito sobre todas estas 'polítiquices' ou 'anti-polítiquices', já vinha sendo altura de parar com estas manifestações pacíficas de descontentamento, que remetem para uma revolução que aconteceu naquela que parece ter sido, uma outra vida.
Estaríamos já a tempo de acabar com sonhos, transformando-os em objectivos. Não vivemos num musical da Broadway, em que cantamos todos juntos até os problemas se resolverem magicamente. Quando muito, a continuar com estas cantorias e falta de acção, não passaremos de uns pobres miseráveis numa versão ainda mais dramática que Les Misèrables. A continuar desta forma, seremos um Jean Valjean que morre precocemente.

Se há por aí tanta gente que acredita que é 'o povo quem mais ordena', por que razão continuam a deixar-se ordenar por governantes que, perante a passividade destes protestos, nada mais fazem do que sorrir e continuar a impor medidas que levam à ruína centenas de famílias todos os dias?

Vamos sair para as ruas. Forçá-los a sair. Sem medos da reacção que a nossa acção possa provocar. Sem receio da polícia, sem receio do abuso de poder. O nosso inimigo é esta passividade. O tal medo de agir e o egoísmo perante o próximo. Para conseguirmos algo, o que quer que seja, temos de pensar no todo e não apenas no individual. E aqueles de nós que sofrerem as represálias do abuso de poder, é por eles que continuaremos a lutar. Continuaremos a lutar ao invés de nos queixarmos. Devem ser uma motivação para todos.

O grande problema para os portugueses em geral, é que o sofá e a Tv são bem mais apelativos do que o grito da revolta. Simpatizamos com os pobres que perdem casas e refeições, mas só levantamos o rabo do sofá quando a crise nos bate à porta.

'O povo unido jamais será vencido' - Pena que, para existir união, seja preciso ficarmos todos na merda. É a velha história de só se ver um determinado umbigo.

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