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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Felizmente, há os pobres!

Estou triste por ver que os milhões de alguns, não chegam para pagar aos pobres a miséria que lhes ofereceram.

Estou revoltada. No meio de tanto lucro, de tantas palmas, tantos investimentos milionários. No meio de tanta inovação, de tanta aposta, de tanta excelência. No meio dos mares de possibilidades, de oportunidades que se apregoam.

Estou triste.
Como continuar a ser a cara dos milhões quando em casa falta a comida, o gás, a água, a luz, o sustento?

A frustração do estômago vazio. O meu e o da minha mãe.
A frustração da impotência pela procura de não encontrar solução.

Como raio posso eu dormir descansada à noite sabendo que quem está na minha lista de pagamentos não tem cobertor, e eu estou rodeada de mantas de pele?

É que eu não preciso de ter muito, para partilhar o pouco. Dinheiro não vale mais que uns trocos. Pessoas valem muito mais. Ou deveriam valer.

Qual é a força necessária para sair da cama de manhã, sem comer há 24 horas, caminhar quilómetros até ao local de trabalho, porque não há dinheiro para transportes, à beira das lágrimas e com vergonha de chorar, desesperando a cada passo, envergonhado por não se conseguir ser mais?

A minha mãe perdeu o emprego e provavelmente não encontrará outro durante anos. É uma daquelas velhas para trabalhar e novas para reformar. O meu trabalho é precário, mal pago, como tantos outros, e tem de pagar as contas. É dia 19 e o fim do mês ainda vem longe. Na carteira nem um cêntimo. O frigorífico, vazio.

A culpa não é minha e também não é da minha mãe. Mas sinto vergonha porque, apesar de saber conscientemente que não está ao meu alcance, acho que deveria fazer mais. Mas NÃO depende mesmo de mim.

Para os homens do lucro não há caras. Não há crise. Não há miséria. Não há a pergunta: 'Como é que conseguimos chegar a estes números?' - O que interessa é que no final de cada ano eles existam.

Os verdadeiros pobres jamais deixarão de o ser porque é neles que está a solidariedade. São eles que sabem contar tostões e partilhar a sua pobreza com quem tem menos ainda.
Ainda bem que estes pobres existem. Ainda bem que faço parte deles. Ainda bem que não esqueço que há quem precise mais.

Posso não ter um euro na carteira, mas o meu frigorífico está cheio. Posso comprar champô da marca que gosto e pasta de dentes daquela mais cara. E enquanto eu puder fazê-lo, posso sair do meu pedestal de egoísmo e ajudar quem não pode sequer comprar uma lata de salsichas de marca branca.

Não esqueço que pode chegar a minha vez. Nenhum de nós devia esquecer. Porque no meio desta desigualdade social, estamos mais próximos do que tentamos fazer-nos crer.

E a verdade é que, por entre milhões desaparecem os nossos tostões.

No fim, restam pessoas. Gente que encontra força entre si, ajudando-se a sobreviver a cada dia. Parte de uma mesma família, unida por circunstâncias não tão extraordinárias, respirando a verdadeira solidariedade desinteressada, dando mãos sem largar, até estarmos todos de volta no mesmo patamar.

Sim, o mundo está recheado de interesses políticos, económicos, e outros que tais. Nesta vida há muita gente que não presta, nem merece o tal bom ar que ainda se respira. São esses os do lucro. Felizmente, do lado de cá, também há muita gente boa.

Hoje vi alguém a mover montanhas para ajudar outra pessoa. Faz-me acreditar que amanhã pode ser melhor.

O Castelo

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