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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Favores em cadeia ou cadeia de favores?

Há um provérbio que diz: 'No good deed comes unpunished'. De acordo.

Rejo-me pela filosofia de que não existem boas acções ou favores desinteressados. A filantropia que praticamos é, no íntimo, movida pelo egoísmo de nos sentirmos bem connosco próprios. Não digo que isto esteja errado. É a nossa natureza. E neste caso, o fim pode justificar-se pelo meio.

Eu, por exemplo, não consigo evitar contribuir para as mais variadas instituições quando me abordam na rua, caso contrário não consigo dormir bem à noite. Isto não quer dizer que sou a melhor pessoa do mundo, aliás nem sei quando me tornei nesta pessoa, mas a verdade é que sinto esse impulso de dizer 'sim' a todos os que me pedem ajuda para tudo e mais alguma coisa. Faz-me sentir bem comigo mesma.
O mesmo se aplica às situações em que alguém que conheço está deprimido ou em dificuldades por certo motivo. Sinto uma necessidade patológica para ajudar essa pessoa. Porque ajudar vai fazer-me sorrir, e sorrir faz-me feliz.
É esse o meu interesse. É esse o meu egoísmo.

Porém, do alto do meu não tão secreto egoísmo jamais usarei das minhas 'boas acções' para conseguir favores em troca. Jamais usarei das minhas 'boas acções' para condicionar o comportamento futuro do seu receptor.
As escolhas pertencem a cada um. Eu escolho ajudar, dar um empurrão quando necessário, porque eu quero. Não vem alguém do abrigo dos animais desamparados, ou da instituição das crianças pobrezinhas, ou um amigo/conhecido qualquer, apontar-me uma arma à cabeça para que eu possa dar um euro ou mexer uns cordelinhos.
Ninguém me deve nada por eu agir de encontro às suas necessidades. Ninguém me deve absolutamente nada. Ninguém precisa de agradecer-me de todas as vezes em que me encontrar no futuro. Não precisam de estender o tapete vermelho para eu passar. Não me devem absolutamente nada.
Afinal de contas, limitei-me a agir de acordo com a minha consciência.

E talvez por tudo isto, a minha filosofia choque de frente com a postura de muitos outros. Também eu, igual ao resto do mundo, sou 'vítima' de boas acções e favores que queiram prestar-me. Aceito de bom grado e aprecio, mais do se pensa, a boa vontade e o interesse pelo meu bem-estar. Não sofro da arrogância de ser demasiado importante para dizer 'obrigada'.
Porém, não vejo lógica no acto de, figurativamente, lamber as botas seja a quem for. Não o faço e jamais o farei. Agradecimento não é sinónimo de desvalorização pessoal. E, quando somos objectos da boa acção de alguém, significa que esse alguém está a valorizar-nos. Não serei certamente eu a desvalorizar-me logo em seguida, só porque essa pessoa parece ter esquecido o que a levou a estender-me a mão em primeiro lugar.

Não aceito castigos em troca de favores. Nem que isso signifique ser isolada na solitária por tempo indeterminado.

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