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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Eu, Sara.

Sinto-me escritora desde que me lembro de começar a escrever. Sem presunção. Mas sinto-me escritora. Respiro cada palavra que escrevo e sou apaixonada por pessoas. São fascinantes.
Escrever começou por ser um escape de uma realidade que não correspondia às minhas expectativas. Criava as minhas personagens baseando-me nas vidas que eu gostaria de ler e viver. E era fácil. Era tão incrivelmente fácil!

Quando tinha 13 anos, disseram-me: 'Devias perder menos tempo com escritas e começar a aproveitar a tua vidinha'. Na altura, dizer que estas palavras me caíram mal é um eufemismo. Não passava de uma miúda assustada, envergonhada, e com um grave complexo de inferioridade. Só queria que me deixassem em paz na esplanada do quiosque da minha mãe, a ouvir a rádio comercial, ou o cd do Bryan Adams, Best of me, em replay, no discman que tinha sido do meu irmão.

Viver para quê, se a minha imaginação superava todos os limites, enquanto eu, sobretudo pela idade, estava tão condicionada?

Criava todos os dias um pouco mais, alinhavando histórias, mudando de ideias, procurando caminhos alternativos para os meus personagens. Sem técnica, com paixão. Sem preocupações ou aspirações. Por gosto. Porque meia dúzia de linhas saídas da minha mente exploradora elevavam o meu espírito a um estado de 'auto-satisfação' que nunca havia experimentado.

Um dia, a imaginação deixou de ser suficiente. Estava a crescer. Estava a experimentar emoções reais. Estava a construir amizades com pessoas de verdade. Estava a conhecer cidades. Estava a apaixonar-me e a ver o meu coração partido. Estava a amar a vida e as pessoas.

Nesse dia, parei de escrever histórias. Parei de criar personagens. Não parei de escrever. Não conseguia compreender-me e, por esse motivo, optei pelo discurso directo. Houve momentos em que julguei perder-me em alucinações intensas que me faziam roçar a insanidade. Descrever na primeira pessoa todos os detalhes, os pensamentos mais sórdidos e retorcidos que passavam pela minha cabeça enlouquecida, era o que me permitia voltar à realidade. Analisando objectivamente, como espectadora, como leitora, aquela vida desenfreada que era a minha.
Não fossem os cadernos intermináveis de descrições a roçar, e muitas vezes a ultrapassar, os limites do socialmente aceitável e politicamente correcto, a esta hora estaria internada numa qualquer instituição psiquiátrica com um quadro clínico de esquizofrenia pura, bipolaridade ou outra doença mental.

Demorei algum tempo, mais do que desejaria, a encontrar o equilíbrio. Depois da ficção dos anos da infância e pré adolescência, a forte dose de realidade deixou-me atordoada.
Durante os últimos 3 ou 4 anos andei um tanto ou quanto perdida. Esqueci-me de acreditar em mim e as palavras desapareceram da minha memória. Uma mente em branco. Esqueci-me da importância que escrever tem na minha vida, e quando me lembrei, desesperei por não conseguir construir uma frase. Por não conseguir definir uma linha de raciocínio. Parecia perdida para sempre uma parte de mim. A parte mais importante de todas. A única que me diferenciava, que me caracterizava e que, em última instância, me mantinha sã.

E como recuperá-la? Procurei cadernos antigos, procurei experiências, procurei músicas, procurei livros, filmes, televisão, e procurei sentimentos. Procurei pessoas. Não encontrei. A ansiedade corroía-me o cérebro.
Um dia decidi procurar-me a mim, no presente. Procurei saber mais sobre como cheguei até ao hoje. Vislumbrei a minha sombra numa esquina e isso deu-me o impulso necessário para me embrenhar numa perseguição, no presente, até ao dia que será amanhã. E esta procura, perseguição que seja, parece estar a dar frutos. Um pouco mais, a cada dia que passa, volto a entregar-me ao que me faz feliz, saudável, e acima de tudo, tranquila.

Sinto-me escritora desde que me lembro de começar a escrever. E, hoje, é isso que me faz levantar da cama todos os dias.

A adrenalina provocada pelo desafio de sentir, e provocar sentimento com a simplicidade da palavra.

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