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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

O meu maior sonho é parar de ver tanta parvoíce

Durante a tarde de hoje, enquanto vagueava inutilmente pela rede social mais utilizada nos últimos dez anos, o Facebook claro está, deparei-me com um página que captou a minha atenção.

A página chama-se: 'Vamos ajudar a F. a realizar o seu sonho'

Naturalmente, a curiosidade levou-me a melhor, coisa que sempre acontece, e quis saber o que se passaria na vida desta jovem para mover tantas partilhas. Imaginei doenças, abandono familiar, desaparecimento de um ente querido, etc. Aquelas situações que é costume e corriqueiro encontrar por ali.
Não estava, de todo, preparada para o que ia ler, ou ver.

'Ola, eu Sou a F., tenho 24 anos.
O meu maior sonho, e espero com a vossa ajuda poder um dia vir a realiza-lo é conseguir uma imagem mais normal de mim eu tenho um problema no meu queixo, ele é grande, e por causa disso sofro imenso com a sociedade(...)'

Bastou ler estas linhas e ver a primeira fotografia para, de imediato, me sentir tomada pelo pequeno demónio que habita dentro de mim. Juro que tentei ainda, a custo, dar o benefício da dúvida, mas quanto mais lia aquela história da carochinha contada através do mau português da moça, mais o meu pequeno demónio se insurgia e escarnecia do ridículo de toda a situação.

A página pertence a uma rapariga perfeitamente normal, sem qualquer tipo de deficiência aparente, mas que, quis o destino que não fosse particularmente bonita. Pelo menos aos olhos da maioria das pessoas, porque felizmente, há gostos/interesses/atracções de todo o tipo.
Sim, a rapariga tem uma cara compridita, com um queixo maior do que estamos habituados a ver, mas essa é apenas uma característica da sua fisionomia. É uma diferença que a distingue das milhares de outras pessoas que passeiam nas ruas todos os dias.

Cara F., não é uma operação que vai alterar a imagem que tens de ti. Nem é uma operação que te vai conseguir uma 'imagem mais normal', como tu dizes. Não há nada de errado contigo fisicamente. O problema está na tua cabeça e na ideia pré-concebida daquilo que possa ser para ti a beleza. Não será a operação a trazer-te mais amigos ou o tal namorado que para ti parece ser tão importante. E não será também a operação que vai impedir as pessoas de criticar-te ou julgar-te quando saíres à rua. O teu problema é psicológico, antes de mais, e quem tentar convencer-te do contrário ou incentivar-te perante esta ideia de operação estética, está a errar. A auto-estima constrói-se a partir de dentro. E o exterior só pode ser alterado, quando já aprendemos a aceitar quem somos e como somos. Antes de procurares a correr uma solução rápida para aquilo que julgas ser o teu problema, deverias procurar ajuda psicológica para identificares se é mesmo esse o problema.
Ninguém se vai afastar de ti por teres um queixo grande, imensas borbulhas, seres demasiado magra ou seres demasiado gorda. Mas toda a gente pode meter-se contigo, de forma desagradável, a qualquer altura por um desses motivos. E quando ou se, ultrapassares essas questões, irão meter-se contigo por outro motivo qualquer.
Na escola chamavam-te nomes? A quem é que isso não aconteceu? E todos nos julgamos os mais infelizes e miseráveis do mundo quando isso acontece. Tu nunca 'chamaste nomes' a ninguém? Isso não é bullying. São miúdos a serem miúdos, e ajuda-nos a crescer. Ajuda-nos a desenvolver carácter e ganhar 'estaleca'. Ensina-nos a importância do que importa e a 'desimportância' do que não interessa.
E hoje, és tu a complexada. És tu que tens vergonha de ti mesma. O problema está em ti e em mais ninguém. Se te fechas em casa estás a martirizar-te a ti, porque mais ninguém vai pensar duas vezes acerca do tamanho do teu queixo.
Querida F., não venhas escrever no Facebook que pensas suicidar-te como solução para todos os teus problemas, porque isso não é verdade. As pessoas que consideram o suicídio não vêm apregoá-lo para as redes sociais. Não venhas também dizer que se as pessoas conhecessem toda a tua história chorariam contigo, acompanhando essas frases por fotografias tuas com os olhos vermelhos de alegadas lágrimas derramadas. Quando choramos, é em silêncio. Não publicitamos ao mundo um sentimento que é muito nosso.
E, por último, querida F., deixa-me dizer-te que quando estamos deprimidos, realmente deprimidos, seja por que motivo for, não temos vontade de maquilhar-nos, pintar o cabelo e tirar fotografias com um sorriso gigante e rosas na mão.

Aí está uma miúda a gritar desesperadamente por atenção. Não vejo mal nenhum nisso, mas não consigo aceitar a forma como o faz. Nem percebo como pode alguém incentivar este tipo de comportamento, em vez de incentivar ao amor próprio.

Ganhem juízo.
Ao menos a Pépa não quis a nossa contribuição para comprar a Chanel. E a mala também serve para lhe elevar a auto-estima!

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