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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

'Amiguinha' ou o raio que parta!

Amizade.
Tenho bons amigos. Grandes amigos. Amigos enormes. Porque foi eu que os escolhi.
Por mania estúpida, ou mau feitio mesmo, é comum ouvirem da minha boca a frase 'Não estou aqui para fazer amigos. Esses já os tenho há muito tempo', ou algo dentro deste género. É provavelmente o expoente máximo da minha arrogância, mas tem uma razão de ser.

No meu local de trabalho não procuro amizades para a vida, pessoas com quem partilhar alegrias e tristezas ou bebedeiras de fim-de-semana. O emprego é um local onde se trabalha, se estabelecem relações profissionais e se desempenham funções com o brio que devemos a nós próprios.
Partindo do pressuposto de que, quando integro o mundo laboral já não sou nenhuma criança, é anti-natural chegar a uma empresa à procura de amigos.
Faz-me confusão, comichão mesmo, aquele tipo de pessoa que trabalha numa empresa há dois dias, acabou de conhecer os colegas e começa logo a querer combinar cafés, jantares e saídas em grupo. Pior ainda, quem desde a primeira hora de refeição partilhada, desfia os pormenores mais íntimos da sua vida: a discussão com o marido, a relação com os filhos, a desilusão com o namorado que a traiu na semana passada com a melhor amiga... Coisas deste género. Por mais sociável que se seja, sou da opinião que a imagem de cada um deve ser preservada, e os desabafos não pertencem aos colegas recentes que amanhã podemos não voltar a ver. Alguns até, poderão condicionar o nosso futuro na empresa.

A vida partilha-se com os amigos. Com os tais que escolhemos.
Sou aquela pessoa que gosta de conversar, de conhecer os outros aos poucos. E, quando conhece gente nova, aquela pessoa que ouve muito e fala muito pouco. Se necessário, afasto-me propositadamente das pessoas que vou conhecendo e evito criar relações de proximidade com elas. Não caço novos amigos. Abomino quem tem essa necessidade. É coisa de gente desesperada.
Não alinho em jantares de grupo, saídas de grupo, passeios de grupo. Esse tempo está reservado para os meus amigos (ou família, ou namorado, mas não é esse o assunto!). Os meus colegas são isso mesmo, colegas. Com quem passo oito/seis/quatro horas por dia, cinco dias por semana. Seria uma pessoa tão triste se nas minhas folgas não tivesse mais ninguém na minha vida com quem partilhar o meu precioso tempo.
Seria tão triste se nos dias em que me sinto realmente triste não tivesse uma amiga a quem ligar, e tivesse de esperar por segunda-feira para desabafar com a minha colega que chegou à equipa há meia dúzia de dias, mas teve o azar de sentar-se ao meu lado.
Tão triste não ter memórias de momentos de risos e lágrimas com quem nos conhece ao tempo que parece uma vida e, mesmo sem razão, tem direito a dar palpites sobre a nossa vida. Tão triste! Faz-me confusão só de pensar.

Não me julguem presunçosa. Ou julguem, quero lá saber. Quando se trabalha no mesmo sítio há muito tempo, rodeada pelas mesmas pessoas, é impossível não desenvolver as tais relações de proximidade com algumas delas. E, obviamente, há sempre espaço para mais um amigo.
Mas estas não são as amizades-relâmpago de que falo mais acima. Estas são aquelas tão naturais, que vão acontecendo aos poucos, com as conversas de todos os dias, as partilhas desta ou daquela curiosidade, que nos vão fazendo gostar de alguém e querer continuar a falar de assuntos que já não são o tempo. Pessoas que nos vão surpreendendo devagarinho, a quem eu também surpreendi por algum motivo, e que decidimos num acordo silencioso, que queremos continuar a relacionar-nos, a descobrir pontos comuns e de desacordo, tornando-nos eventualmente amigos.
E eu deixo de ver esta ou aquela pessoa como a colega da hora de almoço, ou das pausas, ou da equipa, ou do que seja, e passa a ser alguém com quem me preocupo e que fará parte da minha vida mesmo quando já não trabalharmos juntas. Mas este é um processo gradual e NUNCA pode ser forçado.

As amizades-relâmpago são isso mesmo: um clarão que aparece no céu e desaparece rapidamente. Tenho pena dos desesperados por atenção que se contentam com tão pouco.

Por tudo isto, eu sou arrogante quando digo que não preciso de novos amigos. Mas não é mentira. Não preciso mesmo. Eu já tenho os melhores do mundo. Escolhi os melhores de todos os mundos que já foram meus. Eu não os vejo todos os dias. Passam-se semanas, meses e anos sem encontrar alguns deles, mas são os meus. E não preciso de mais.

São as minhas pessoas. Para quem eu vou correr sempre que o meu coração acelerar ou bater devagarinho, quase parado. E eu sou a pessoa de todos eles. É isso que me faz verdadeiramente feliz.
E sim. Há sempre espaço para mais um. Porque em todas as esquinas podemos encontrar pessoas extraordinárias. Mas isso só sabemos depois de conhecer as suas essências.

Eu sou assim. Levo esta coisa da amizade demasiado a sério. Culpa desses príncipes e princesas que preenchem a minha vida e o meu coração.

(Culpa das minhas pessoas de Estremoz, de Portalegre, de Lisboa, e claro, do meu Vimieiro)

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