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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Ask.fm ou uma nova forma de comer criancinhas

O último grito nas redes sociais. Um site em crescente popularidade no seio da faixa etária entre os 13 e os 16. Já tinha tido oportunidade de ver algumas actualizações de estado no Facebook com links para o perfil de cada um dos utilizadores para a tal página, mas francamente, não despertou o meu interesse ou curiosidade. Da minha lista de 'amigos' fazem parte alguns miúdos da terra, ou porque são amigos da minha irmã, ou porque me conhecem de vista, enfim. No entanto, não tenho por hábito acompanhar as suas actualizações ou seguir o tipo de utilização que fazem do Facebook. Estão ali por estar.
Há duas semanas, quando estive com a minha irmã mais nova pela última vez, tivemos oportunidade para conversar um pouco a propósito de nada, e ela falou-me neste tal site. Do alto dos seus 15 anos, disse-me basicamente que era uma coisa estúpida e que se fartava de gozar com o tipo de coisas que por ali se podem ler.
'Então mas não é preciso estar-se registado para se poder utilizar?' - Perguntei eu, ainda sem conhecer aquilo de que estávamos a falar.
Sim, de facto, para utilizar é preciso estar-se registado. Mas qualquer pessoa tem acesso às conversas que por ali acontecem.
A miúda lá me mostrou o site e me explicou o funcionamento daquela bela ferramenta, que nada de bom vem acrescentar à vida dos adolescentes neste mundo.

Qualquer pessoa pode registar-se, interagir-se com os restantes registados, trocando perguntas entre si. Qualquer tipo de perguntas.

Em primeiro lugar, choca-me desde logo o desespero de alguns putos que publicitam o facto de estarem online (não sei se será a palavra adequada) naquele momento, com frases do género:
'Vamos lá pessoal, podem perguntar. Respondo a tudo!'

Gostem ou não, estamos a falar de crianças, adolescentes se preferirem, carregados de hormonas, ódios e amores. Resultado: receita perfeita para o desastre.

Em segundo lugar, choca-me que, aparentemente, não existam configurações de privacidade associadas ao site.
São partilhadas fotografias, videos e links de páginas do facebook de utilizadores que podem ou não ter conta no ask.fm.
A gravidade? Qualquer utilizador da internet pode aceder essas partilhas, a todas essas informações pessoais que são publicadas na internet.

Porém, o que mais me choca é a passividade parental. A falta de supervisão daqueles que deveriam ser os educadores e que deveriam proteger estas crianças. Choca-me a falta de alertas para as consequências que podem advir da sobreexposição destes pequenos seres na internet.

Ora vejamos, a maioria dos pais que conheço são utilizadores das redes sociais. E são 'amigos' dos seus rebentos. Consequentemente, tal como eu, têm acesso às actualizações de estado dos pequenos. Enquanto papás e mamãs, diz-me a experiência e o meu próprio instinto, que deveriam, mais não fosse por curiosidade, verificar os links partilhados. Sobretudo quando são precedidos por frases como aquela que referi mais acima.

Infelizmente, esses papás e mamãs estão mais preocupados com jogos online, engates passageiros, ou em fazer na net as peixeiradas que antigamente ocupavam as esquinas, para se preocuparem com o que os filhos andam a fazer a partir das suas próprias casas.
Dá-me a sensação que, com a banalização do acesso à rede, com os pais a tornarem-se subitamente informatizados, eles próprios descobrindo e encantando-se todos os dias com as maravilhas da web, ficaram esquecidas as fugas de casa, a pedofilia, os raptos, o bullying que esteve tanto na moda, as depressões e os suicídios.

Pior que tudo, ficou esquecida a educação.

E para que não digam que estou a exagerar, ficam algumas 'perguntas' que eu vi respondidas no ask.fm por miúdos/as, que claramente não compreendem a forma como podem prejudicar-se, ou afectar a vida uns dos outros:

UMA FOTO TUA EM BIQUÍNI SEM SER AQUELA

O que tens vestido?

Quanto pesas?

e de sexo gostas?

usas renda?

Se estas mais quente agora

entao excitame

ha quanto tempo n fazes sexo?

o que me da mais piada é que tu já nem dizes que não es porca nem puta, enfim, ao menos sincera

Faz um favor ao mundo e cai num tanque de tubarões enquanto estiveres com o período

**************************************************************************************************

É importante referir que todas as 'asks' acima, tiveram resposta 'adequada'.

Parabéns papá e mamã, enquanto se ocupavam da vossa quinta no facebook, o/a vosso/a filho/a tornou-se a vítima perfeita de um predador sexual.

Ainda não estão assustados?

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