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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

A preocupação de não querer saber

A pessoa intelectualmente inferior não é a pessoa humilde. Não é a pessoa que diz 'Não sei muito sobre esse assunto, mas fala-me um pouco mais'. A pessoa intelectualmente inferior é a pessoa que não vê, ou não procura ver, além do que lhe é mostrado. E é essa pessoa que não constitui um desafio para ti numa conversa, porque não te acrescenta nada de novo, e não te permite evoluir a nível cultural, pessoal ou social. A pessoa que te diz 'Fala-me sobre isso', constitui esse desafio. Não por ser intelectualmente inferior, mas porque o seu interesse vai fazer-te querer saber mais. Claro que, para muitos pseudo-intelectuais que por aí andam, esse 'Fala-me sobre isso', constitui uma massagem ao ego, que provoca esse tal complexo de superioridade. São essas pessoas, esses complexados, que travam a sua própria evolução - pessoal, social e sobretudo, intelectual - por se sentirem acima dos pobres coitados que 'menorizam'. Para mim, a pessoa humilde é a pessoa interessada. A pessoa desafiante, a tal que procura sempre o conhecimento, independentemente dos obstáculos - físicos, ou psicológicos - que teimem em travar-lhe o caminho. Aquele que não sabe do que se fala, assume que não sabe, e pergunta, questiona, do que se trata, não é intelectualmente inferior. Adquire conhecimento, enquanto estimula a nossa inteligência.
Sim, é uma opção. Eu posso escolher não querer saber. Mas o que é que essa escolha implica realmente? E se todos escolhermos, pura e simplesmente, não querer saber? É fácil não ter essa preocupação. Seguir a premissa de deixar andar. No entanto, seguir essa premissa irá definir a pessoa em que nos tornamos e, tão ou mais importante, a sociedade em que vivemos. A cultura do desinteresse irá comandar o nosso dia-a-dia, o dia-a-dia de quem nos rodeia, e o dia-a-dia do mundo que habitamos. Portanto, essa apatia, não vai reflectir-se apenas a nível sócio-cultural. Essa apatia, que foi uma escolha pessoal, vai reflectir-se a nível político, a nível económico, a nível laboral. Então, não aceito, e não respeito essa escolha. Porque somos seres sociais, e vai afectar-me seja de que forma for.
'A cultura não chega a todos' - De que cultura estamos a falar? Livros, internet, cinema, teatro? Esse tipo de cultura? Porque a História chega a todos. A sociedade chega a todos. A informação chega a todos. Porque, se eu não souber, tu sabes e podes partilhar comigo esse conhecimento. Basta eu querer. A humildade está na preocupação pelo saber. Eu não tive oportunidade de estudar, eu não tenho acesso à internet, eu não tenho televisão em casa. Mas tu tens, por isso, diz-me o que se passa.
Depois, a humildade de quem tem o conhecimento e o partilha. Não és intelectualmente superior por informares. Estás só a fazer o teu papel. Não procuras seguidores da tua cultura. Procuras continuar a crescer, e 'levar' alguém contigo nessa jornada. E essa pessoa, que nada sabe sobre o tudo que a rodeia, pelo simples facto de se interessar, acrescentou algo à tua essência. Ensinou-te a ser humilde. Nunca vou saber tudo, ser melhor que alguém. Mas vou procurar saber mais. Sempre. Não só por mim, mas porque posso chegar a alguém. E, na sociedade, cada vez mais, o conhecimento é a nossa maior arma. E a aprendizagem, é uma aquisição social, conseguida pelos e através dos nossos pares.
A título de conclusão, com mais ou menos lógica, gosto de acreditar que podemos tornar o interesse, viral. Trabalhar a cultura do interesse, contagiando quem nos rodeia. Ser mais fortes do que essa apatia, que para muitos pode ser uma opção de vida válida, mas que, para mim, não é mais que o facilitismo da despreocupação de quem a pratica, e de quem a aceita.

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