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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

O Alentejo

Região para onde fogem os lisboetas quando querem sair da cidade.
Região onde alguns lisboetas abastados aquirem montes, herdades e propriedades, porque é cool.
Região onde os vizinhos matam outros vizinhos por causa de galinhas.
Região de onde jovens fogem na primeira oportunidade, por se deslumbrarem com a vida das cidades.
Região onde quase todas as pessoas que vivem nas cidades têm familiares afastados, com quem falam duas vezes por ano.
Região de onde se espera que todos os provenientes sejam simpáticos e hospitaleiros.
Região que toda a gente das cidades conhece, mas que na realidade, não sabe identificar no mapa.

Na cidade grande, um alentejano é um ser exótico. Uma ave rara. Não se percebe muito bem porquê. É como se não existissem por aí aos magotes!

'Oh, costumava ir às festas de Verão da aldeia da minha avó!'
'Hum, as migas alentejanas são mesmo deliciosas!'
'Ah, conheço bem o Alentejo. Em pequeno passava férias lá, em casa de um primo meu!'

Há infinitos exemplos. Mas já perceberam a ideia.

O Alentejo é muito mais que que esse pouco que está nas vossas cabecinhas. Raios, o Alentejo é muito mais do que está na minha cabeça, e eu já o conheço (grande parte!) há mais de vinte e cinco anos!

Quantos génios citadinos sabem que o Alentejo é composto por três distritos? Beja, Évora e Portalegre. Em conjunto, representam um terço do território português.
Imaginando que sou de Beja, parece-vos lógico perguntarem-me se conheço o vosso tio de Gavião, como se vivêssemos um lado do outro?
Não façam aquelas caras de desilusão quando digo que nunca ouvi falar dessa aldeiazinha perto de Castro Verde, onde nasceu a vossa mãe.
Afinal de contas, eu também não fico desiludida quando vos pergunto onde fica a Avenida das Forças Armadas e vocês moram em Entrecampos. E nem sequer fico indignada quando digo que sou do Vimieiro e vocês, com ar entendido, me respondem que é a terra das águas. - Amigos, isto é bem mais grave porque significa que não sabem ler!

É que se vocês, que vivem na Rua Morais Soares, não conhecem a minha amiga que vive na Rua Carlos Mardel, por amor de quem, é que eu havia de conhecer uma pessoa que vive a mais de 200 km de distância da minha terriola?

Quero também elucidá-los de que nem só de pequenas aldeias é constituído o Alentejo. Existem vilas e cidades como em qualquer zona do país. E os habitantes dessas localidades, que vos parecem extraterrestres, são pessoas tão humanas como as das cidades grandes. Com oscilações de humor iguais às dos outros todos. E ninguém nasceu com uma marca de doçura e hospitalidade no rabo! - Não esperem um sorriso quando da vossa boca só saírem barbaridades.

Quando falarem de gastronomia, não vale a pena entusiasmarem-se com o facto de terem comido uma açorda no dia anterior, porque não é isso que nos vai aproximar. Imaginem que o Alentejo é de tal forma vasto e rico que, há zonas em que a açorda são migas (isto só para vos dar um exemplo, considerando naturalmente, o 'meu' Alentejo).

Quando recordam, saudosistas, aqueles Verões passados com os tais primos alentejanos, ao menos não generalizem! Aprendam o nome da localidade de que estão a falar, e aprendam a identificá-la no espaço.
A geografia é uma disciplina que faz parte do ensino regular há muitos anos, e desde muito cedo!
Por que não evitar o constrangimento de passarem um atestado de estupidez a vocês mesmos?

Daqui a pouco estão pior que os americanos, que não sabiam identificar o Perú enquanto país!

Entristece-me concluir que não conhecem o vosso país, mas nem é esse o problema porque eu própria não sou especialista.
Entristece-me concluir que não se dão a esse trabalho. Julgarem-se no centro do mundo enquanto vivem numa cidade onde não passam de formigas desprovidas de vida, olhando o Alentejo de longe, sem ver a sua imensidão. Sem reconhecer que foi, e é, ele que nos dá vida.

Entristece-me a ignorância e a atitude simplista.

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