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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Aquilo que se semeia.

Há coisa de cinco anos, o Vimieiro começou a mudar. Depois de anos e anos, e anos e mais anos, da mesma cor pintada na Junta de Freguesia, embora tímidos, os vimieirenses sentiram que era altura de abraçar novos padrões. Nos quatros anos que se seguiram, surgiram projectos concretizados, ideias que saíram do papel e iniciativas que foram realizadas. O Vimieiro voltou-se para a sua gente, procurou responder-lhe às necessidades mesmo quebrando com o instituído, e sempre enfrentando a desaprovação da hierarquia.

A verdade é que a freguesia cresceu. Em termos humanos e até na qualidade de vida. Somos uma vila do interior, de onde os jovens fogem em busca de um futuro, para onde famílias voltam em fuga das cidades, e de uma população envelhecida de uma geração que nunca abandonou a terra. Procurou-se responder, com um sentido prático, às necessidades de quem acredita que este é o sítio ideal para constituir família, criar filhos e viver. Se estamos longe dos centros urbanos, se é preciso percorrer cerca de quarenta quilómetros para chegar ao hospital e a outros serviços, então vamos compensar estas famílias que fazem desta terra a sua casa. Foi este um dos pensamentos inovador que trouxe ao Vimieiro um novo poder político.

E que belo pensamento!

No Vimieiro, as crianças que frequentam o primeiro ciclo do ensino primário vêm os pais, que já lutam diariamente com a conjuntura económica, aliviados do fardo que é a compra dos livros escolares.

No Vimieiro, os pais dos recém-nascidos vêm a Junta de Freguesia pagar-lhes a vacinação que não consta do plano nacional de saúde.

No Vimieiro, os jovens estudantes, independentemente do ano escolar que frequentam, sabem que podem dirigir-se à Junta de Freguesia e, gratuitamente, ter acesso à fotocopiadora.

A população, seja qual for a idade, tem ao dispor um transporte semanal, para a sede de concelho, gratuito, sempre que houver necessidade de lá se deslocar.

Há cerca de cinco anos, nem tanto ainda, também se pensou nos tais envelhecidos. Nos velhos que nos pertencem, aqueles em que havemos de nos tornar.

Aos nossos velhos foi divulgado, e devidamente esclarecido, aquilo a que se chama o Complemento Social do Idoso, e as simpáticas funcionárias da Junta ajudaram todos quantos decidiram avançar com o pedido.

O Vimieiro destacou funcionários seus para pequenas reparações e obras nas casas dos reformados que necessitavam. Qualquer maior de sessenta e cinco viu esse serviço, também ele gratuito, ser-lhe colocado à disposição.

E no Vimieiro, os nossos velhos também passaram a ter disponível transporte oficial, duas vezes por ano, se não estou em erro, para se deslocarem ao hospital em caso de, por exemplo, internamento.

Tudo isto foram projectos bem conseguidos e são exemplos daquilo que uma equipa com muita vontade de fazer a diferença, fez por toda a população. Habituaram-nos a uma freguesia que olha por si, e não me lembro de alguma vez isso ter acontecido.

Há um ano atrás fervilhava a campanha eleitoral e já todos sabíamos que a nossa presidente não seria a mesma. O projecto era o mesmo, uma continuação do que descrevi e uma evolução lógica do que sempre se pretendeu, procurando soluções na nova fase que haveria de iniciar-se para aqueles como eu. Os que ainda não construíram família, e estão a adaptar-se e a procurar o seu lugar na vida adulta e mercado de trabalho.

Sem surpresas, desta vez, sem timidez, o mesmo projecto ganhou, consolidando-se como a representação de todos nós. Infelizmente, algo parece ter-se perdido pelo caminho. Quase um ano depois, a evolução ambicionada é só uma palavra, e alguns dos projectos tão bem implementados parecem atrasar-se, por quem está na cadeira.

Fiquei feliz quando soube que esta terra ia ter uma loja solidária, era um objectivo antigo, dos tais primeiros quatro anos. Montou-se a loja, e todos contribuíram com as suas peças de vestuário. Pareceu-me tendencioso quando a sobrinha da nova presidente foi destacada como responsável, mas toda a gente precisa de trabalhar!

Neste momento, a loja está fechada. A máquina de lavar habita a casa de alguém e não é utilizada em prol da freguesia. Não sei se é utilizada.

Por altura na Feira Anual de Agosto, foi pedido às crianças que participam dos Tempos Livres (outra iniciativa promovida pelo projecto antigo) que criassem assentos a partir de pneus grandes e forrados a tecido, para usufruto dos visitantes da feira.

Na sede dos Tempos Livres foram entregues sacos cheios de roupa usada, daquelas que foram doadas por quem da população lhe pareceu que estava a fazer o bem, para serem cortadas de forma a forrar os tais assentos.

Ora isto não nos representa. Este não é o nosso projecto. O que apoiámos, aquele em que acreditámos, porque comprovava-se que estava a fazer o bem.

Quero acreditar que este é um terrível lapso de julgamento, como muitos outros que infelizmente já foram cometidos. Quero acreditar aquela equipa tão vencedora, que fez o bem durante quatro anos, vai perceber o errado que está a acontecer e emendar a situação.

Não quero acreditar que os interesses pessoais e conveniências familiares, políticas ou outras, irão continuar a sobrepor-se a tudo o que foi construído e ao conceito de trabalho por e para todos, que já se entranhava em nós.

Porque ainda acredito no melhor de vós, em equipa, peço a vossa atenção e apelo à vossa memória. Trabalha-se por algo, por alguém. Vocês, que nos fizeram acreditar, e mostraram, que tão pequenos no mapa, somos tão grande entre nós, não percam agora a noção ou o norte àquilo que verdadeiramente importa.

Plantaram ventos de mudança na terra, que se espalharam por cada vimieirense. Não se arrisquem agora a colher a tal tempestade.

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