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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Cuidado com o cão!

As redes sociais podem ser uma arma perigosa. A esta altura já todos o sabemos e não surge como novidade para ninguém. Todos, uns mais que outros, as utilizamos, com mais ou menos responsabilidade. Para gáudio do humor e do ridículo, a grande maioria do povo, com menos responsabilidade, com tremenda falta de bom senso, e com assustadora incapacidade de medição de consequências. Emocionais, sociais, pessoais, criminais... Todo o tipo de consequência.

E há pessoas que são simplesmente estúpidas. Julgo que serão o expoente da crença de que a ignorância é uma benção. E uma desculpa. Só que não é.

Porque vivemos numa sociedade virtual global e retardada, a grande maioria de nós, não perde tempo em atirar pedras - as tais, virtuais - ao próximo. Ainda não aprendemos que escrever uma frase atrás de um ecrã, não é só escrever uma frase atrás de um ecrã. Mais uma vez, na maioria dos casos, é apenas idiotice. Como não verbalizamos, esquecemos-nos de medir as palavras.

O que acontece é que, com as redes sociais habituámo-nos a estar a um clique do político, da figura pública, da instituição, dos jornais e das revistas. Tão próximos quanto vizinho do lado. E o que acontece, é que as opiniões, os desagrados e as frustrações para com todos esses agentes, passam a ser publicados numa página pública. Geralmente, com o objectivo de que o impacto popular seja maximizado, gerando mais reações, e o agente representado virtualmente aja de forma a resolver a tal situação.

Quando desta noção de realidade virtual/aldeia global participa uma sociedade real, no caso prático, uma vila do interior do país, o potencial de colisão é elevado ao quadrado. 

No Vimeiro, ou, em Vimieiro (como o meu amigo E. sempre escreve, sendo que eu gosto de o fazer também) toda a gente conhece toda a gente. Toda a gente fala sobre toda a gente. Toda a gente critica toda a gente. Toda a gente faz disparates, toda a gente diz verdades e toda a gente diz mentiras. Sobre toda a gente. É maravilhoso e reconfortante, na verdade. Não, não estou a ser irónica.

Também toda a gente está no facebook. Até a Junta de Freguesia. As conversas a meia voz na esquina não desaparecem porque estão na internet. Limitam-se a ganhar novas proporções.

Caso prático? 

Gerou-se na terra um burburinho de indignação para com um determinado funcionário da Junta de Freguesia. Parece que este senhor dedica, ou dedicava, grande parte do seu horário laboral, ao seu pedaço na horta comunitária da vila, em detrimento, das funções diárias que lhe estão atribuídas. Sim, esta pessoa, vamos chamar-lhe Sr. Manuel (essencialmente,porque é este o nome dele), é a epítome do preconceito que nos leva a desprezar um funcionário público. Obrigada Sr. Manuel.

Calhou que, uma conversa que seria de esquina, se transformou num comentário no facebook. Na página da Junta de Freguesia. Calha que o Sr. Manuel é a quem a Junta atribuiu a função de 'mestre de obras' - ajuda a população sénior a realizar pequenas empreitadas sem gastos com a mão de obras (aplauso para esta iniciativa, pioneira no concelho). E calha que que foi num destes dias, partilhado em forma de fotografia um panfleto da iniciativa. Calhou que uma senhora, vamos chamar-lhe Dona Angélica (porque é esse o nome dela), ou chamar-lhe mãe da Sara, como preferirem, intrometida como só ela, fosse publicamente brincar com a falta de ética laboral do Sr. Manuel. A Dona Angélica/Mãe da Sara não ofendeu, não foi agressiva e nem julgou o Sr. Manuel. Não me surpreendiria se o tivesse julgado ou usado um tom mais sério, mas de facto não o fez. 

O erro da Dona Angélica/Mãe da Sara é que utilizou o facebook para dar conta de uma questão, que mais ou menos, melindra a população (esta rima não foi propositada), da qual todos tinham conhecimento e que todos comentavam, mas sobre a qual nenhum responsável, até à data (hoje, não sei), tomara medidas.

O Sr. Manuel terá visto o comentário da Dona Angélica/Mãe da Sara e parece não tê-lo apreciado. Calha que a falta de profissionalismo só é notada se for feita pública virtualmente. Não há qualquer problema em ser calão conhecido, desde que fora da internet.

Eis que surge a defesa do Sr. Manuel! Homem de bons valores, responsável, ético, eco da moral e senhor de uma razão inolvidável, o Sr. Manuel decide responder, pelo mesmo meio virtual, à Dona Angélica/Mãe da Sara.

E de que forma justifica o Sr. Manuel o seu comportamento sedentário no decorrer do horário que seria laboral? Tão simples, tão claro, tão óbvio! Já dizia o outro que a melhor defesa é um bom ataque... O Sr. Manuel atacou da melhor forma que a estupidez e a ignorância lhe permitem:

Chorrilho de adjectivos depreciativos. - Clássico, que nunca passa de moda.

E, depois, as grandes armas:

Tem três filhos de três homens diferentes.

Esteve presa.

E, em interpretação livre, se estivesse estado presa ao mesmo tempo que o Sócrates teriam tido um belo filho.

Sim. Foi isto! Mas não satisfeito com a falta de resposta da Dona Angélica/Mãe da Sara, às suas palavras, pegou na sua carrinha, conduziu até ao Monte dos Domingos, e resolveu fazer uma espera à antiga.

Que homem, meu Deus! Que homem, este Sr. Manuel!

Sr. Manuel, se estiver a ler isto, há três ou quatro coisas que eu gostava que retivesse:

O nome Angélica, é escrito desta forma. Não há 'Anjélica' no dicionário, pelo menos no português, ou pelo menos, neste caso. Não tem de quê.

E sim, a Dona Angélica/Mãe da Sara, é realmente pequena, baixinha, admitamos. Só que do baixo metro e sessenta que lhe assenta, é muito mais homem do que o Sr. Manuel algum dia será.

Agora vá lá trabalhar e fazer o que lhe compete. Afinal de contas, não é para ser estúpido que lhe estamos a pagar. E Deus queira que não tenha tido a diarreia verbal no facebook durante o seu horário de trabalho. Quanto à carta que enviaram à Junta a denunciar a sua inércia profissional, só lamento realmente que não tenha sido a Dona Angélica/Mãe da Sara, a escrevê-la. Pode ser que sirva para que finalmente o metam na linha ou o metam a mexer. Há muita gente a querer trabalhar. Na mesma medida lamento que ela, de facto, ao contrário do que também foi escrever na sua página facebookiana, não tivesse nenhuma caçadeira à mão para lhe pregar um valente susto quando achou que ia conseguir intimidá-la à porta de casa.

Ganhe juízo Sr. Manuel. Vá trabalhar.

 

 

2 comentários

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    Sara A. Silva 29.01.2016 06:34

    You're such a bad ass :D
  • Comentar:

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