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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Da liberdade (sem)de expressão ou o bater de pé (que não se pode)

 

Às vezes tenho tanto para dizer que torna-se difícil conseguir escrever sobre alguma coisa.

Há sempre tanta coisa a passar-se em simultâneo. No trabalho, na vida, na sociedade viva, no mundo... É fácil ficar assoberbada e perder o fio à meada. Sobretudo quando se tem uma memória tão péssima como a minha.

E depois, escrever sobre determinados assuntos exige uma reflexão profunda para a qual o tempo muitas vezes falta. Nem falo de reflexão naquele sentido filosófico de consideração de variáveis de pensamento ou hipótese. Falo de uma reflexão estupidamente condicionante. Como é que posso colocar as coisas de forma a não ferir susceptibilidades desnecessariamente ou como é que posso dizer isto sem entrar em conflito com uma qualquer entidade patronal... É um raciocínio muitas vezes frustrante e frustrado para alguém que sempre se habituou a chamar os bois pelos nomes.

Ah, a liberdade de expressão...! Pela parte que me toca, a democracia é o regime político/social mais hipócrita no que à liberdade de expressão diz respeito.

Somos todos Charlie, só que afinal não.

Não somos assim tão destemidos. Consequentemente, não somos assim tão livres. A verdade é que, para a maioria, soltar um grito de Ipiranga não é sinónimo de manifestações de apoio ou reconhecimento público. Não traz repercussões heróicas ou metafóricas medalhas de honra.

Mesmo quando a razão está do lado do gritador e escarrapachada à vista de todos.

Geralmente um encolher de ombros carregado de uma vergonha que reconhece a tal razão mas também não grita, seguido de uma consequência desprovida de sentido e sem justificação verdadeiramente justificável ou justificada.

Acho que é simples: todos têm contas para pagar. Sim, o capitalismo torna-nos merdosos medrosos.

Oh foda-se... Exemplo prático:

Numa empresa há funcionários que desde o início do ano vêm os seus recibos de vencimento com erros de processamento salarial em valores absolutamente ridículos. Estamos a falar de pessoas que trabalham horas extraordinárias e que fazem realmente um bom trabalho. Pessoas que tomam nota e confirmam todas essas horas/dias antes dos respectivos processamentos estarem encerrados e que no santo dia de receber têm uma surpresa. Consecutivamente.

Há uma miúda que é compreensiva, admite que os erros podem acontecer, que o responsável pelos tais erros continua a ser merecedor de respeito e confiança independentemente das tais repetições... Só que esse respeito não parece mútuo, porque a repetição continua e os erros são camuflados ao invés de rectificados.

Três meses depois, tudo igual e atinge-se o breaking point. Gabo-lhe a paciência, muito francamente! Não sei quantos e-mails depois, foi hora de saltar um degrau e procurar esclarecimento/resolução de outra forma.

Agitar as águas. Gritar.

Resultado?

Repreensão. Pelas palavras utilizadas na expressão de um descontentamento alimentado ao longo de quase três meses. Alimentado pelo não esclarecimento, pela falta de importância e pela falta de consideração demonstradas desde o primeiro dia. A falta de respeito, intencional ou não, demonstradas pelo trabalho desta miúda sempre disponível e todos os dias responsável.

Consequência? O seu trabalho a ser monitorizado diariamente com a finalidade de não sei o quê, o tal encolher de ombros, até porque o rendimento dela nunca se viu influenciado mesmo no meio de todas as confusões com os vencimentos.

Aparentemente, meia dúzia de palavras crispadas sobrepõem-se à razão e ao bom senso. E aparentemente, fazem esquecer todo o processo que as originou.

Não há um pingo de lógica, sentido ou coerência nesta metodologia. Certamente, é possível fazer melhor.

 

O Castelo

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