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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

F.

Chegar ao trabalho e uma colega aproximar-se para te contar que outra colega faleceu durante o fim de semana.

Nunca lhe prestei muita atenção.

Temos este defeito de não prestar muita atenção às pessoas que nos rodeiam para evitar o risco de elas nos desconcentrarem do centro do mundo que somos nós.

 

Há poucas coisas que sei sobre a minha colega que morreu.

Quando chegou à equipa esteve sentada ao meu lado para aprender a arte da coisa.

Infoexcluída como sou, ensinou-me a mudar a cor do memento sem estar constantemente a abrir e fechar até encontrar a pretendida.

Era uma pessoa estranha, ou peculiar, se quiser ser politicamente correcta.

Tinha uma paixoneta pelo meu namorado.

Trabalhava aos domingos.

Estava de baixa há imenso tempo.

Gostava de procurar e ver rapazes giros no facebook.

Agora que ela morreu.

Descobri que perdera o movimento num dos braços.

Caiu no trabalho e perdeu o movimento numa das pernas.

Descobriram que a sua doença era degenerativa.

Fazia fisioterapia e acreditava que ia melhorar.

Só ingeria líquidos.

Morreu porque se engasgou e dizem que não foi devidamente assistida no hospital.

 

Morreu porque se engasgou. Ridículo.

Parece um daqueles programas doidos das '1001 maneiras de morrer'. Acho que é assim que se chama. Ou algo deste género, pelo menos.

 

Ainda ontem pensava como é fácil alguém com quem trabalhas diariamente desaparecer de um dia para o outro sem que tu consigas sequer perceber porquê. Ficas incrédulo e perguntas como raio é possível não te teres apercebido de algo que podia estar errado, quando a resposta é tão simples.

(Favor reler terceiro parágrafo)

Conhecer alguém dá muito trabalho e exige muito de nós. Quanto mais tempo passa, quanto mais crescemos e vivemos, menos disponibilidade tendemos a ter para dar de nós e receber de alguém. Muito menos de alguém que é apenas um colega de trabalho com o qual nos cruzamos algumas horas por dia. Por norma, não parece valer a pena.

O mais estúpido, e falo sobre a minha postura, é que a F. foi provavelmente a única pessoa com a qual me cruzei neste local que não me dei ao trabalho de conhecer um pouco. Ou de descobrir um pouco.

Tenho uma curiosidade natural que abrange tudo e todos à minha volta. Quando alguém se senta ao meu lado para aprender ou para me ensinar, presto atenção à pessoa e interesso-me por descobrir uma ou outra curiosidade sobre si. Naquela semana em que nos conhecemos estava demasiado envolvida na minha cabeça e nos meus problemas para me dar ao trabalho de ouvir ou conhecer alguém.

Agora a F. é uma memória distante na minha mente de alguém com quem me cruzei e que, com a sua partida, reforça em mim que a facilidade com que viramos as costas, é a mesma facilidade com que perdemos pessoas.

 

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