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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Família

Às vezes não conseguimos perceber o que passa pela cabeça das pessoas de quem gostamos. Das pessoas que são a nossa família. Não conseguimos compreender por que se afastam, por que deixam de falar connosco, por que se fecham. Às vezes não conseguimos perceber se errámos ou se falhámos de alguma forma. Porque quando as vimos pela última vez, tudo parecia bem e no lugar certo. Às vezes não conseguimos perceber... E o pior, é mesmo essa dúvida. Resta-nos acreditar que, eventualmente, falarão connosco e tudo se comporá. A família é o mais importante. E nunca devemos desistir dela. Devemos respeitá-la e nutri-la. E sempre, sempre que houver uma ameaça de mal-entendido, devemos falar. Falar, nunca é demasiado.

É um tanto ou quanto complexa esta história da família. É uma temática delicada, pelas ramificações que, muitas vezes, a envolvem.

Na minha, em particular, as ramificações são quase infinitas.

A minha família materna é uma família de mulheres. Verdadeiras ‘mulheres de armas’, com garra, com uma força por vezes, sobre-humana. Carregam o mundo às costas, cada mundo, à sua maneira. Gostam de carregar o mundo às costas. É uma particularidade muito própria de cada uma delas.

São tão independentes que lhes custa aceitar que não estão sozinhas, e que não é sinal de fraqueza, aceitar uma mão.

Têm fantasmas e situações que nunca resolveram a tempo de ficarem esclarecidas, e essa é a maior fraqueza de cada uma delas. É uma fraqueza que, ao olho mais atento, é impossível de escapar.

São três irmãs, dois cunhados, uma cunhada, dois filhos, cinco filhas e sete sobrinhos. Havia um avô-pai que partiu há muitos anos, um irmão-filho que perdemos anos depois, e uma avô-mãe cuja presença física também deixou de existir.

Os homens, por um motivo ou outro, sempre assumiram um papel secundário em toda a história. Curiosamente, um deles, o mais velho filho-neto-sobrinho, foi talvez a maior fonte de discórdia e polémica entre todas. Curiosamente, também, nunca o assunto foi discutido abertamente.

A comunicação é essencial. Sobretudo quando gostamos, quando amamos e quando queremos bem. O desagrado não pode mascarar-se de sorriso, nem a inveja, que não é pecado, é humana. Discordar é crescer e fazer evoluir qualquer relação. Significa honestidade. E, em família, devemo-nos honestidade e respeito.

O último ano tem sido difícil. Muito difícil para a família. Parecem ter-se perdido no caminho alguns valores que não devíamos esquecer. Provavelmente não foi por maldade, não foi com intenção de magoar. Mas é o que tem acontecido.

Estou cansada de ver as pessoas que eu gosto tão magoadas todos os dias. Estou cansada das lágrimas. Estou cansada dos ataques inconscientes e das atitudes não pensadas. Estou cansada que se esqueçam de quem foram, do que significaram, do que viveram, e de como se gostam.

Não é tarde para dar um passo atrás, engolir um orgulho sem sentido e admitir que erraram. Não é sinal de fraqueza. É sinal de que são GRANDES. É sinal de que são muito mais, muito melhores do que uma atitude menos correta num momento inoportuno.

Desde quando uma vida pode valer menos do que uma noite? Uma única noite! E desde quando pode fazer sentido que uma vida de companheirismo, de confidência, de amizade, de apoio, seja esquecida porque um dia esqueceram-se de falar?

Vocês são o exemplo com que cresci. Não se desiludam mais.

Chega de hipocrisias, chega de desculpas e chega de influências externas.

Chega de mentiras que contam a vós próprias para não lidar com a dor que provocaram a vós e à vossa família.

Foram um pilar.

Eu sei, todos sabemos, que não voltarão a sê-lo. Eu sei, todos sabemos, que não haverá tempo suficiente no resto da vida para recompor o que ficou estragado.

Mas chega de ser podre. Chega de cortar braços ou pernas metafóricas. Chega de ignorar o mal que é palpável. Chega de pensar que um dia tudo de resolve ou que se for preciso vão estar lá. Isso é areia nos olhos. Nos vossos e de mais ninguém.

Chega de mortes metafóricas no metafórico fogo cruzado.

Falar não dói. Palavras são isso mesmo, palavras. Tudo o que já foi feito doeu. A todos, tanto quanto a cada pessoa de vós.

Nós somos família. Nós sobrevivemos. Nós devemo-nos respeito, honestidade e coragem.

‘Chamar as coisas pelos nomes’, apontar o dedo, discordar, contrariar muito. Viver o oposto dos conselhos de todos. Errar muito. E voltar para chorar no ombro, pedir desculpa, assumir erros e rir os risos sonoros de quem se valoriza acima de tudo o resto.

Vocês já fizeram tudo isso. Lembram-se?

As coisas nunca voltarão a ser iguais. Não há tempo que chegue no tempo.

Mas há tempo para honestidade. Ainda há tempo para coragem.

Eu ainda acredito.

E eu sou o perfeito exemplo de asneiras e discórdias.

Ainda assim, acredito.

O tempo não é nosso amigo, e a questão para mim, é simples:

Se ele passar e uma de vós desaparecer, vai ter valido a pena?

O Castelo

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