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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Ho Ho Ho

Então é Natal... e eu gosto tanto do Natal! O cheiro, a comida, o frio, as luzes, o conforto, os presentes... Natal! A época (muito provavelmente) mais consumista do ano inteiro e à qual não conseguimos resistir. Essencialmente, porque a maioria de nós não está imune ao sentimento de obrigação da oferta da lembrança, do presente caro, do amigo secreto, etc.

No que a mim toca, a postura relativamente a compras de Natal rege-se de forma simples: Gosto de alguém. Descubro algo que vai fazer esse alguém sorrir. Posso conseguir/proporcionar/adquirir esse algo. Está feito. Não tem a ver com 'conheço esta pessoa desde sempre', ou 'ele(a) oferece sempre qualquer coisinha', ou 'é família, portanto tem mesmo de ser'. Se não tiver qualquer tipo de significado, não tem qualquer valor. E também não há qualquer valor que possa acrescentar algum tipo de significado. E estou perfeitamente a borrifar-me para se vou receber algo em troca ou não! Recebo sempre o mais importante. O sorriso verdadeiro de quem me diz muito e é tão especial.

Seja como for, não era sobre isto que queria falar.

Escrevo este texto com a Puma ao meu colo, a ronronar. Mal consigo ver as teclas porque a cauda dela anda aqui de uma lado para o outro. O Natal é muito este amor. No meio de tradições perdidas, de ficções, de religiões, de criatividade, de marketing e publicidade, o Natal é isto. É amor. Não amo mais a 24 de Dezembro do que noutro dia do ano. Nada disso. Mas na noite de 24 de Dezembro, o meu coração transborda de amor por estarmos juntos mais um ano, mais uma noite, apesar das dificuldades, dos desentendimentos, das parvoíces, da distância e dos desencontros. É Natal, e não há desculpas que nos afastem. Contam-se as mesmas histórias de família, fazem-se as mesmas piadas desconfortáveis, vêem-se os mesmos filmes, comem-se os mesmos pratos, riem-se os mesmos risos das tais histórias que se repetem há anos, e estamos juntos. Estamos juntos na certeza de que, por uma noite, permanecemos iguais. E isto é Natal. Amor. Família. Amor.

Que se lixe quem me diga o contrário! 

Temos bacalhau cozido, couves e batatas. A mãe faz aletria doce, que eu sempre peço. A mousse de chocolate de verdade que o mano e o avô Zé gostam, o arroz doce da Avó Maria que nos vê lá de cima, e se ele se tiver portado bem, até faz a baba de camelo para o pai João. A mana come de tudo porque é uma gulosa. E a tia Maria é responsável pela Bûche de Noel, que ela esteve emigrada e é a especialista do tronco.

E, à meia noite abrimos as prendas. O mano oferece chocolates (eu acho que ele é demasiado preguiçoso para escolher outras coisas!) e encontra forma de queixar-se de um ou outro presente que recebe (costuma calhar-me a mim). A tia esconde sempre uma surpresa no saco da prenda principal. A mãe diz que foi ela que comprou as prendas enquanto o pai João insiste que são dos dois. A mais nova é uma abusada e, se por um lado, não se queixa dos chocolates do irmão, três meses antes do Natal começa a massacrar-me com pedidos e mais pedidos. O avô Zé vai rindo e bebendo um copinho enquanto o filho lhe diz que já bebeu demais e a nora o quer empanturrar com mais comida. E conversa continua, e a mãe come mais um doce, o pai João deixa três ou quatro presentes por abrir, e nós continuamos a rir.

Eu gosto do Natal. E este Natal é muito meu. Que não se perca este Natal. Que me aquece, que me conforta, que me dá força, que me ama, que me lembra de amar, um ano inteiro.

 

Feliz Natal. E que se sintam tão afortunados como eu. As pessoas, sempre as pessoas. 

 

 

O Castelo

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