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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Candelabro.

Eu gostava de chegar aqui e fazer as palavras fluir.

Gostava da facilidade um dia familiar com que sentia e escrevia, e escrevia e sentia. A facilidade com que o mundo parava. Um qualquer botão de pausa invisível que eu nem tinha que carregar e que accionava automaticamente. A música era aquele, o momento era aquele, a explosão interior estava ali. Clara. E era fácil chegar e escrever. Fácil. O reconfortante alívio pós-textual que se fazia sentir de imediato, seguido do último ponto final.

Agora a explosão ainda está a acontecer e o mundo não tem botão de pausa. Aquela conclusão, aquela conclusão que tirei ontem ou aquela verdade que eu sabia sê-lo. Desculpo-me constantemente com um tempo que me falta, com a pressa das coisas por fazer ou com a necessidade de derrubar paredes de betão para chegar ao pote de ouro que não está em fundo nenhum de arco-íris. Desculpo-me constantemente com o correr desse mundo que não pára quando na realidade quem não pára sou eu. E eu sei. Sei que se parar o mundo vai estar lá amanhã. E eu vou conseguir acompanhá-lo. Como sempre acontece.

A pressa, essa desculpa perfeita para não respirar. Para não correr o risco de sentir o ar encher-me os pulmões. Por causa do medo. Tudo por causa desse medo estúpido de ser tudo demasiado. De sucumbir ao demasiado sentimento de tudo o que está acontecer.

O medo de ter deixado de acreditar. Definitivamente.

Como é que se vive quando não se acredita? Como é que se preserva um ser quando não se acredita?

Ás vezes avariamos-nos como as coisas, os objectos digo. Quebramos um pedaço aqui ou lá e aos poucos, as peças voltam a encaixar e, tirando uma pequena cicatriz, voltamos a ser nós. É a aprendizagem. Ou a vida. Ou que raio lhe queiram chamar.

Só que avariado é diferente de estragado.

Se a vida for um candelabro daqueles carregados de pequenos e frágeis cristais e eu dançar sobre ele isso faz de mim corajosa ou estúpida?

 

O Castelo

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