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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Morte violenta ou a perda repentina

Há muita coisa aqui dentro desta cabeça que não sabe como transitar para o exterior.

A minha avó morreu de repente, sem que os esperássemos. Dois anos antes, o Paulo morreu assim também. Muitos anos antes, menos do que foram provavelmente, o meu tio também. E antes foi o meu avô. Sempre de repente. Sem que esperássemos. Sem que estivéssemos preparados. Sem nos passar pela cabeça que ia acontecer tão breve.

Nunca se está preparado para a perda de alguém que faz parte de nós, é certo. Mas pus-me a pensar. O luto é um processo demorado, doloroso, de aceitação. É um processo que pode ter início quando o seu objecto ainda respira, certo?

Como é estar do lado daqueles que têm tempo para se despedir? Aqueles que vão conseguir dizer o 'adeus' final, que vão poder abraçar pela última vez quem amam, ainda com vida.

Passamos todos os dias à procura de tempo enquanto fugimos dos minutos e das horas que teimam em não passar. Queremos chegar sempre a algum lado, estar com alguém, sentir qualquer coisa. Criámos o tempo e é ele que nos consome.

Um dia recebemos más notícias e a correria deixa de fazer sentido. Paramos de fugir do tempo e queremos consumi-lo, respirá-lo, congelá-lo.

Quando a minha avó morreu eu não percebi como o tempo me trouxe ali. Quando o Paulo morreu eu não percebi como as horas separaram a vida da morte.

Mas e se eu soubesse? Não digo saber o momento exacto em que o coração pára e a respiração deixa de existir. Mas se eu soubesse que ia acontecer. Naquele prazo, naquela janela temporal, ia acontecer.

Pus-me a pensar naqueles que numa consulta médica descobrem que a inevitabilidade da morte lhes vai chegar a prazo. E nos seus familiares e amigos que nesse momento, perdem parte do seu mundo e, inconscientemente, começam nesse momento o tal processo de luto.

Será mais fácil, de alguma forma, para essas pessoas?

Não estou a falar da dor insuportável ou da revolta que nos atinge. Será que é mais fácil a última fase, a aceitação?

Quando penso na minha avó morta ou no Paulo, não sinto que tenha ficado algo por dizer. Sinto falta, uma falta que me consome, das pessoas com quem eu partilhava a vida. Com quem partilhava o sol. Sinto que queria mais. Mais de cada um deles. Mais tempo.

Não sei. Se tivesse sido uma doença sem cura, de alguma forma, penso que talvez tivesse tido mais tempo para os aproveitar. Por saber o fim. E talvez quando o fim chegasse, estivesse melhor preparada.

Talvez se o prazo de validade nos estivesse gravado na pele, já tivéssemos aprendido a aproveitar cada ser que partilha a nossa vida e, igualmente importante, a nossa própria vida.

O Castelo

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