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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

(não) Ser humano.

Conheço, de vista e sem conhecer realmente, uma rapariga que sofre de uma doença degenerativa que não lhe permite a absorção de nutrientes. Esta jovem e eu já nos cruzámos algumas vezes embora nunca tenhamos falado, provavelmente porque não existe nenhum conhecido/amigo em comum. Do ponto de vista estético, a sua figura é verdadeiramente impressionante e arrisco-me a afirmar, assustadora. A expressão pele e osso encaixa-lhe perfeitamente. 

Segundo sei é uma pessoa jovem, com vida e irreverente, independentemente do seu problema de saúde. Usa cabelo às cores e está sempre acompanhada. Também sei que tem um namorado e que ele é ciumento, porque alguém que eu conheço ouviu uma conversa entre os dois e me contou. Sim, Lisboa é uma aldeia e eu adoro!

Esta moça, cujo nome eu desconheço, trabalha numa determinada empresa e não tem qualquer contacto presencial com os seus clientes. 

Ela fez a mesma formação que toda a gente só que com mais distinção que os restantes colegas (palavras do formador), e ao integrar a equipa de trabalho, continuou o seu brilharete profissional. Acontece que, terminada a formação, o seu formador (sim, formação e formador!) foi emboscado pela coordenadora do serviço que, em tom falsamente casual, lhe perguntou se estava então na hora de dispensar a rapariga.

Porquê? Que questão tão despropositada parecia esta. Afinal de contas estavam a falar de uma trabalhadora que estava a cumprir objectivos e a responder às exigências que lhe eram colocadas.

Oh, a figura dela... Dá uma má imagem ao cliente.

O formador não acreditou que acabava de ouvir aquelas palavras.

Eu não acredito que a coordenadora disse aquelas palavras.

Não acredito que a grande empresa que é representada pela coordenadora daquele serviço se reveja na discriminação contida na palavras que foram proferidas e reiteradas mais do que uma vez. É vergonhoso que alguém que ocupa um cargo de responsabilidade como é o seu, surja subitamente desprovida de humanidade e tão superficial ao ponto de ignorar e desprezar o bom trabalho de alguém por não corresponder a um determinado padrão estético. É mais vergonhoso que se desculpe com a imagem transmitida ao cliente quando a perturbação e incómodo provocaram-se apenas no seu umbigo.

Uma má imagem foi nesse momento a que passou a ser a dessa senhora. E seria a da empresa se tivesse ido na conversa.

Felizmente a rapariga não foi despedida. Ao contrário da coordenadora, o formador e os responsáveis pelo recrutamento não se encontram desprovidos de bom senso ou humanidade. 

Esta jovem que tem esta doença, não precisa de caridade ou pena ou tratamento diferenciado e muito menos de sofrer na pele a ignorância dos outros. Precisava de trabalho e limita-se a cumprir as suas funções como todos os empregados o deveriam fazer. Conto-vos este episódio não por sentir necessidade de defender a sua protagonista, mas porque é demasiado grave para não ser denunciado. É provável que a pequena não faça sequer ideia de tudo isto que aconteceu nos bastidores da sua contratação.

Eu tomei conhecimento por mero acaso. Conforta-me a crença profunda nos desígnios do karma. Até porque a bitch está claramente identificada.

 

Vergonha. Morram de vergonha da imagem reflectida no espelho. Está podre. Essa alma está podre. Esses olhos. Podres!

 

 

O Castelo

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