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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Não sou uma 'animal lover'

Não sou a pessoa que diz 'gosto mais de animais do que de pessoas'. Nunca fui essa pessoa. Não me identifico com quem o diz, embora respeite tanto essa como qualquer outra opinião. Gosto de pessoas por natureza. Sou apaixonada por gente. Homens e mulheres, indiferenciadamente. Essa, sou eu. Serei sempre, por mais vezes que me zangue, ou por mais 'momentos agorafóbicos' que me tomem. Sou pessoa de pessoas, e para pessoas, em toda a minha existência. Porém, sou tanto de gente como de outra vida qualquer. E serei em quantas vidas viver.

A vida é um dom. Qualquer vida. Em várias formas e perspectivas, não deixa de ser um dom. Estamos vivos porque nos foi dada essa vida. Um homem e uma mulher escolheram dar-nos vida. Um macho e uma fémea. A forma como utilizo essa vida sou eu que decido, as escolhas são minhas e os caminhos traço-os eu, ainda assim, o mais precioso foi-me dado de bandeja. Vida. Eu nem sequer tive que lutar por ela. Deixaram-me nascer e permitiram que os partilhasse e aos outros seres que habitam o planeta. E em troca eu só tenho que usufruir desse fôlego que me deram.

Infelizmente, crescemos com a falsa certeza de que somos donos do mundo, das outras pessoas que já existiam muito antes de nós, e de todos os outros seres vivos que habitam esta mesma Terra. É uma pena que no dom da vida não venha incluída a sensatez e a humildade. Seria um pacote mais completo. Talvez com a evolução da espécie venha a introduzir-se na genética.

Há coisa de dois meses adoptei a Puma. É uma gata e eu não sou dona dela. A Puma não é uma propriedade e eu não posso possuí-la. Um ser vivo não pode ser propriedade de outro. Jamais. Eu cuido da Puma o melhor que posso, e que vou aprendendo, e certifico-me de que ela está bem e confortável.

Questiono-me várias vezes sobre que direito é o meu de mantê-la fechada num apartamento com visitas condicionadas e supervisionadas à varanda, e tento sossegar a minha alma com a resposta óbvia. Nenhum. O meu direito é nenhum. E no entanto, se eu não o assumisse, a probabilidade de a Puma acabar mal tratada ou morta numa sarjeta qualquer seria estupidamente elevada. O conforto dela é tão prioritário quanto o meu. A vida dela é tão importante quanto a minha. Não sou entendida em zoologia, de todo, ainda assim, esta é a minha certeza inquestionável.

Sou apaixonada por pessoas e isso não invalida, anula, ou sequer atenua, o respeito e amor que sinto por todas as outras formas de vida.

Numa utopia perfeita, eu não teria de cuidar da Puma desta forma. Poderia amá-la, mas não teria que condicionar-lhe a independência inata. Ela faria usufruto da sua vida como entendesse, tal como a mim é permitido. Na tal utopia social perfeita, o ser humano nasceria com o tal pacote completo. A tal sensatez, a tal humildade, que o vê reconhecer aos outros o mesmo dom de vida que reconhece a si mesmo.

Quando, e em que situação, achas justo uma pessoa igual a ti matar-te? Ou um animal que é, e respira, tal como tu? Consegues clamar justiça em alguma equação cujo resultado seja este?

Se a tua resposta é sim, parabéns. És um perfeito idiota com dose elevada de hipocrisia. Ou, há uma remota possibilidade de seres tão verdadeiro e honesto, que vês justiça em seres morto no momento em que também decidires matar. Sim, também pode ser isso.

O nosso instinto mais básico é a sobrevivência. A sobrevivência do eu. E depois, a sobrevivência do grupo a que pertencemos. Não há nada de errado nisso.

Sobreviver significa superar, subsistir, resistir, escapar. Sobrevivência não significa assassinar gratuitamente. Matar sem motivo, porque sim. Porque sou mais forte e posso. Sobreviver não significa sobrepor. Quando não há perigo e eu mato, eu não estou a sobreviver. Estou só a matar. A tirar uma vida que não me pertence, que eu não vivo, e que não é minha para tirar.

Um animal indefeso, uma criança desamparada, uma árvore que nasceu em determinado local... Eu não lhes dei vida. Esse dom é tão deles quanto meu. A vida é-lhes tanto um direito quanto a mim.

Não deveria ser eu a protegê-los. A regrar-lhes a existência individual e colectiva. A vida é pertença de quem a respira.

E mesmo assim, sou eu a matá-los.

 

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