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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Nota da Directora!

Hoje acordei a pensar nisto de ter um blog. De ter um espaço público, de acesso de todos os cantos e a todas as pessoas, a quem permito participar e conhecer todo o tipo de devaneio/opinião/pensamento (chamemos-lhe o que quisermos) que passa pela minha cabeça. Acordei a pensar nisto por volta das sete horas da manhã. Sim, sete horas da manhã. A hora em que toca o primeiro despertador em minha casa. E tentei sossegar a mente. Colocar de lado os pensamentos, por me parecer demasiado cedo e estar demasiado preguiçosa para de imediato abandonar o conforto da cama e sentar-me ao computador.

O resultado dessa preguiça foi que, muitas das considerações filosóficas que se concluíram na minha lógica, acabaram perdidas na meia hora seguinte de um sono mal dormido. Bonito serviço!

Já vos aconteceu? Comigo, verifica-se numa frequência brutal. Pela noite dentro e durante a madrugada, arrasto-me várias vezes à casa-de-banho. Julgo que poderia passar vinte e quatro horas sem beber líquidos, que ainda assim, atravessaria o corredor umas quantas vezes por noite. Mas o que queria dizer é que, nesses escassos minutos em que estou ainda meio adormecida e, à partida, não acordo totalmente, ocorrem-me mil e um assuntos, mil e uma temáticas que me despertam interesse e sobre as quais tiro alguma espécie de conclusão naquele momento. De todas essas vezes, me chicoteio emocionalmente porque deveria parar e tirar notas. Já adivinho que no dia seguinte não me vai restar memória do sucedido, mas sou demasiado preguiçosa para me atrever a distrair-me com papel e caneta às três da madrugada (ou às duas, quatro, cinco, seis...). Bem, neste caso, desculpabilizo-me com a minha leveza de sono e o facto de não querer correr o risco de despertar para não dormir mais.

A sério, já vos aconteceu?

Tenho a sensação de que as minhas conclusões mais inteligentes me passam ao lado, por causa desta preguiça associada à falta de memória das madrugadas na casa-de-banho.

Que parvoíce.

Mas toda esta conversa tinha um propósito. Ainda tem, se é que pode salvar-se algo desta súbita verborreia.

Recentemente disseram-me que este blog está a tornar-se aborrecido. Que a minha forma de escrever é aborrecida. Como em maçadora e repetitiva. A pessoa em causa baseou o seu (forte) argumento nos últimos textos publicados. A temática envolvente. O facto de escrever sobre relações, histórias de 'amor', dramas emocionais trágicos e profundos, etc... vocês, minha meia dúzia de preciosos acompanhantes de pensamentos, sabem perfeitamente do que se trata. Afinal de contas, continuam a passar a vista por aqui. (Muito agradecida, a propósito!).

É capaz de ter razão, no entanto, eu defendi-me com um vigoroso 'É sobre o que eu sei escrever!'. Sim, melhor do que este argumento, só mesmo se tivesse devolvido um 'Tu é que és!'. Mas, efectivamente, talvez tenha razão. Talvez se torne aborrecido, para quem, por algum misterioso motivo se habituou a vir aqui, encontrar sempre o mesmo género, ler sempre um ou outro pseudo-conto, cuja temática gira à volta do mesmo.

À partida, este é um espaço generalista, eclético na sua essência, tal como a sua autora se auto-intitula. Só que isto de escrever tem muito que ver com o estado de espírito, os períodos que se atravessam e a sensibilidade de uma forma geral. Pelo menos para mim. Predisposição. Este será provavelmente um dos mais ecléticos conceitos. Um dos mais generalistas. E a verdade é que, depois de algum tempo incapaz de tentar um género mais literário, resolvi tentar. Ir tentanto, testando e desbravando caminhos aos poucos. Barreiras que pareciam existir, mas só na minha cabeça. É apenas e só desta forma, que consigo explicar os textos mais recentes. Caso mais alguém precise de explicação, ou se sinta desiludido de alguma forma com este caminho que estamos, de momento, a seguir.

Depois, há outro factor importante. Um bastante mais prático e fácil de explicar. Neste momento sinto-me profundamente aborrecida com tudo o que se vai passando neste país, nesta sociedade, neste mundo que habitamos. Com tudo o que tem sido notícia, digo. Estou cansada de miúdos a morrer em acidentes, de adultos a matarem-se, de mundiais de futebol, de politiquices que o povo continua a deixar acontecer. Estou cansada de ver sempre as mesmas notícias, contadas da mesma forma, e comentadas de igual maneira. Não existe diversidade, não existe o novo. Na realidade, do meu ponto de vista, falta a notícia. A verdadeira notícia. Essa parece ter-se perdido. Estou realmente aborrecida e não tenho nada a dizer sobre o igual que vai acontecendo todos os dias.

Este aborrecimento tem nome. É inércia. A inércia de todos nós perante a sociedade que se desenrola à nossa frente. A inércia da estupidez e pela estupidez que fomentamos diariamente.

Estou realmente aborrecida com o mundo em que vivo, pela falta de oportunidades que não temos mas que não lutamos por criar. Pela desumanização que me rodeia.

Aborrecida de morte.

E bem, por tudo isto (não foi assim tanto), talvez me torne aborrecida a escrever 'sobre o mesmo', talvez seja incapaz de escrever um conto com um final feliz (ainda vou tentar, prometo), talvez não volta (brevemente) a comentar a actualidade (há demasiados comentadores neste país), talvez deixe de lado as crónicas (por uns tempos), mas prometo que não páro de escrever. Para a maioria de vós, pode não ser ao gosto, pode não encher-vos as medidas, mas isso não muda quem sou. Não me vejam de forma diferente.

E depois, se fizerem questão, se quiserem muito, usem do endereço de email do blog. Partilhem as vossas opiniões e se houver um tema que vos interesse, farei o meu melhor para escrever sobre ele. Para comentar, criticar, confortar. Enfim...o que for necessário.

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