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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Por que é que mentes?

Uma mentira não é uma mentira. Há mentiras e há mentiras.

O ser humano mente. Todas as pessoas mentem. Mentimos aos pais, aos filhos, aos irmãos, aos amigos, ao chefe, ao sem-abrigo que pede uns trocos. Mentimos a nós próprios. Mentimos com quantos dentes temos na boca. Mas uma mentira não é só uma mentira.

Colocando de parte a hipocrisia, somos forçados a admitir que há mentiras e mentiras. Na sua grande maioria perfeitamente desculpáveis. Com tempo, com gestos, com palavras... com o que for necessário desde que queiramos desculpar-nos ou desculpar.

Não é preciso muito para que nasça uma mentira. Criamo-las por tudo e por nada e a propósito de qualquer coisa. Pequenas coisas, por norma. Grandes coisas, de vez em quando. A um nível apocalíptico, muito raramente. 

As motivações da mentira são compreensíveis, ridículas, desnecessárias, ou inacreditáveis.

O que é passa pela cabeça de alguém quando mente? 

Cada um de nós, enquanto indivíduos mentirosos, encontra certamente diferentes respostas a esta mesma pergunta. Diferentes justificações para uma mesma causa. E cada um de nós conhecerá também o seu limite. Uma espécie de princípio da verdade. De forma simples, coisas sobre as quais se recusa a mentir.

E será esse limite, diferente para cada um, que nos tornará perfeitos hipócritas na hora de aceitar, entender ou desculpar, a mentira do próximo.

Eu conheço uma rapariga que mentiu. E eu não compreendo a mentira dela. Do alto da minha hipocrisia, não consigo mesmo compreender a mentira que ela criou. Porque essa rapariga transformou-se na mentira que contou. Ela é a personificação da mentira. E o que realmente me parece preocupante, é que tudo isto irá consumi-la mais tarde ou mais cedo e fazê-la desaparecer. Todos nós, peões num jogo de manipulação de sensações e sentimentos que ela jogou de acordo com a sua vontade e necessidade, sobreviveremos incólumes depois da mentira desvanecer. Já ela, não tenho tanta certeza. Não acredito que a sua estrutura emocional suporte a desconstrução da história que se atribuiu. 

Eu conheço pessoas que morreram de cancro. E conheço pessoas que mataram o cancro. E conheço a dor de perder alguém que nos é muito. O pedaço de vida que perdemos juntamente com quem morre. 

É esse o meu limite hipócrita. É esse o limite que me faz não compreender. Não querer aceitar e não querer desculpar uma mentira. 

 

Gostava de conhecer as tuas razões. O que se passa nessa alma tão escura, nessa mente tão negra, para te colocares em cheque desta forma.

Por que é que disseste que estavas a morrer?

Eu sobrevivo à tua mentira. Todos sobreviveremos. E tu? Como sobreviverás à verdade? 

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