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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

A vida, o ser e o amor

Todos os dias me apaixono. Todos os dias posso apaixonar-me. Todos os dias quero apaixonar-me.

 

Rapaz conhece rapariga. Rapariga perde-se num olhar. Rapariga descobre rapaz numa conversa. Rapaz convida rapariga para jantar. Rapariga perde-se de amores por rapaz.

 

Todos os dias me apaixono. Todos os dias quero apaixonar-me.

Alimento-me da adrenalina que me percorre naquele momento em que o coração dispara porque se apaixonou.

 

Vivo a vida que acontece todos os dias. Não me satisfaz por completo, mas vivo-a com o desejo que deseja a pura satisfação.

Respiro profundamente. Rio com gravidade. Festejo, corro, ando, durmo, trabalho, como, acordo, converso e disparato.

Respiro profundamente. Considero, solenemente. Respeito. Desrespeito. Conceitualizo. Contextualizo. Enlouqueço. Sobrevivo.

 

Sobrevivo na vida que vivo todos os dias. Satisfeita. Insatisfeita. Consistente e incoerente. Controlada. Todos os dias.

Sobrevivo à vida que vivo todos os dias rodeada de pessoas. No meio de pessoas. Lidando com pessoas. Conhecendo as pessoas. Aprendendo com pessoas.

 

Alimento-me da vida que faz as pessoas. Deixo-me absorver pelas pessoas que me fazem a vida.

 

O maior desafio consiste no atingir da intimidade com o 'eu' interior. Atingir o conforto da total aceitação do 'próprio'. É isso intimidade. A partilha de tudo o que nos compõe, com a pessoa que somos. A perda da vergonha.

Intimidade, zona de segurança, instinto. Desespero, medo, desilusão. Conceito de bom e mau. Certo e errado. Insegurança.

Pecado. Fraquezas e certezas.

 

Desafio. Intimidade. Vergonha. Eu. Conhecimento. Conforto. Paz. Ansiedade. Vergonha. Eu. Confronto. Ser.

Somos conceitos que criámos. Conhecimento desconhecido na incessante procura de descobrir a definição que conjuga o verbo do nosso 'eu'.

 

Não somos nome. Não somos adjectivo. Somos verbo. Somos Ser. E nascemos para ser conjugados.

 

Apaixono-me todos os dias. Posso apaixonar-me todos os dias. Quero apaixonar-me todos os dias.

 

Conjugo-me no amor que sobrevive na vida. É essa a minha satisfação.

O tempo, as escolhas e os pensamentos

Cresceu a acreditar que não era comum. Que nunca seria comum. 

Cresceu com a crença de ser 'especial'. Foi isso, esse pensamento, que em muitos momentos, a ajudou a suportar os dias.

Uma miúda tão calada, tão séria, tão introvertida.

Combateu o sentimento de inferioridade com essa crença. Ser especial. Acreditar que estava destinada a grandes feitos.

A força desse pensamento, crucial nos dias menos felizes da infância e adolescência, foi-se desvanecendo aos poucos. Na verdade, à medida que se aproximou da 'idade adulta', deu por si a combatê-lo com cada fibra do seu ser.

Não queria ser especial. Não queria concretizar grandes feitos.

Queria rir como todos, viver como todos. Queria conhecer a gente. Integrar-se. Ser a menina/mulher igual a todas as outras. Tranquila.

Não queria distinguir-se da multidão que a rodeava.

Combateu a sua crença. Aquela que a ajudara a crescer, para se sentir nada mais do que mais uma, entre as massas.

Simplificou-se. Tornou-se comum.

Sucumbiu à pressão que o seu sentimento de inferioridade exercera sobre si própria. 

Deixou-se vencer e nem se apercebeu.

 

Um dia acordou, e viu-se vulgar. Descobriu-se igual a todos.

Objectivo cumprido.

Percebeu que fizera a escolha errada.

Escolhera, estupidamente, viver aquém do seu potencial.

 

Um facto interessante sobre 'potencial': É inato. Mas obriga a ser trabalhado para que possa desenvolver-se, e transformar alguém e o mundo.

 

Não sabe ainda identificar o momento exacto em que 'escolheu a escolha' errada. Mas reconhece que não foi uma decisão inteligente.

Acredita que nada acontece por acaso. Que a vida não corre em linha recta. Acredita que existem cruzamentos vários, e que uma escolha estúpida, não define o futuro. O futuro acontece todos os dias no instante em que os olhos se abrem, e a rotina é um conceito que existe para que possa ser contornado.

 

Acorda todos os dias para combater o pior de si. Acorda para superar o lado mais sombrio. Acorda para ultrapassar os medos e as hesitações que impedem a vida de acontecer.

Acorda todos os dias para sobreviver ao comum. E levanta-se porque acredita em si. Recuperou a sua crença.

 

O tempo não é definitivo e, enquanto existir, é infinito. Como as escolhas.

 

 

 

O Castelo

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