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do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Escuta!

Na tua vida vais sempre magoar alguém. Se tiveres sorte, alguém de quem gostas e com quem te preocupas.

Quanto mais depressa aceitares isso melhor vais conseguir viver. E podes só aperceber-te de que as coisas são mesmo assim quando estiveres quase nos trinta, e isso basicamente significa que já estás todo fodido da cabeça, mas não te preocupes. Basta tirares essa mesma cabeça do rabo onde a enfiaste e fazeres-te à vida, que essa, paciente que só ela, está à tua espera.

Outra lição importante. Aquilo que te dizem sobre o comboio da vida não esperar por ninguém é completamente bullshit. A vida dos outros sim, não espera por ti. A menos que eles sejam totalmente desprovidos de bom senso e/ou amor próprio. Mas o teu comboio só arranca quando tu o quiseres apanhar. E pára sempre que decidires. Ou sempre que sejas estúpido ao ponto de o deixares durante uma quantidade ridícula de tempo a fazer escala num apeadeiro qualquer.

Ainda assim, presta atenção. O teu comboio pára, és tu que o comandas e ele espera por ti, mas o universo tem que manter o equilíbrio por isso nem penses que depois da paragem vais conduzir um TGV qualquer. Isso nunca vai acontecer.

Acção é igual a consequência. Contrapartida. E porquê? É como te expliquei lá em cima totó! A tua vida espera por ti porque não tem outro remédio. A dos outros não. Se estiveres na merda continuas a acordar, e sempre que acordas isso é uma oportunidade. Mais uma oportunidade! De qualquer coisa...por exemplo, continuando a fraca metáfora do comboio, de seguir para a próxima estação. 

Só por isto, se calhar já saías da merda, não?

Não. Não tens que ajustar as tuas expectativas ou desistir dos teus sonhos só porque achas que já és velho demais. Só tens que te elevar à fasquia que tu próprio estabeleceste no primeiro momento em que sonhaste. Uma coisa engraçada sobre o mundo é que ele vai tratar-te sempre da forma como te permitires ser tratado. Pensa nisto como uma árvore gigante, mas uma árvore com todos os tipos de fruta, que é alimentada e se alimenta todos os dias. Tu és um fruto que por sua vez colhe outros frutos. E és tu que escolhes qual é o fruto que queres colher. Logo, és também tu que deves elevar-te à altura da colheita.

Infinitos frutos, infinitas oportunidades. A depender de ti, Como tu.

Raios, não são balelas! É isto que acontece quando acreditas e apostas em ti e nas tuas capacidades. Então afinal, de que é que estás à espera? Ainda não é agora que vais conduzir esse comboio?

Na tua vida haverá sempre alguém que vai abanar-te a cabeça em jeito de desaprovação. Se tiveres sorte é alguém que gosta de ti e que se preocupa contigo.

Mas sabes quando essa desaprovação é válida e deve ser tida em conta?

Quando a vires na figura que te aparece reflectida no espelho. Não preciso de explicar-te quem é essa figura, pois não? Vou só reforçar-te, caso ainda não tenha entrado nessa cabeça dura, que é a opinião dessa figura que interessa.

Porquê? Bolas...estás pior do que eu imaginava!

Então não é contigo que tens de viver diariamente? Com as tuas escolhas e com as tuas decisões? Onde é que está a dúvida?

Agora, já estás pronto para embarcar?

Na tua vida há sempre alguém que vai magoar-te. Se tiveres sorte será alguém que gosta de ti e que se preocupa contigo.

So fucking what?

Ainda não percebeste que é um círculo perfeito? De quantas formas mais conseguirei explicar-te o óbvio?

Hey, acção é igual a consequência, lembras-te? O universo encontra sempre forma de se equilibrar. Sempre.

Para saberes reconhecer o muito bom terás sempre, sempre, de experimentar o muito mau. E este é o único cliché que sempre fará sentido, muito simplesmente por estar certo. Completamente certo.

Ainda te lembras da lição nº 1?

Boa viagem.

F.

Chegar ao trabalho e uma colega aproximar-se para te contar que outra colega faleceu durante o fim de semana.

Nunca lhe prestei muita atenção.

Temos este defeito de não prestar muita atenção às pessoas que nos rodeiam para evitar o risco de elas nos desconcentrarem do centro do mundo que somos nós.

 

Há poucas coisas que sei sobre a minha colega que morreu.

Quando chegou à equipa esteve sentada ao meu lado para aprender a arte da coisa.

Infoexcluída como sou, ensinou-me a mudar a cor do memento sem estar constantemente a abrir e fechar até encontrar a pretendida.

Era uma pessoa estranha, ou peculiar, se quiser ser politicamente correcta.

Tinha uma paixoneta pelo meu namorado.

Trabalhava aos domingos.

Estava de baixa há imenso tempo.

Gostava de procurar e ver rapazes giros no facebook.

Agora que ela morreu.

Descobri que perdera o movimento num dos braços.

Caiu no trabalho e perdeu o movimento numa das pernas.

Descobriram que a sua doença era degenerativa.

Fazia fisioterapia e acreditava que ia melhorar.

Só ingeria líquidos.

Morreu porque se engasgou e dizem que não foi devidamente assistida no hospital.

 

Morreu porque se engasgou. Ridículo.

Parece um daqueles programas doidos das '1001 maneiras de morrer'. Acho que é assim que se chama. Ou algo deste género, pelo menos.

 

Ainda ontem pensava como é fácil alguém com quem trabalhas diariamente desaparecer de um dia para o outro sem que tu consigas sequer perceber porquê. Ficas incrédulo e perguntas como raio é possível não te teres apercebido de algo que podia estar errado, quando a resposta é tão simples.

(Favor reler terceiro parágrafo)

Conhecer alguém dá muito trabalho e exige muito de nós. Quanto mais tempo passa, quanto mais crescemos e vivemos, menos disponibilidade tendemos a ter para dar de nós e receber de alguém. Muito menos de alguém que é apenas um colega de trabalho com o qual nos cruzamos algumas horas por dia. Por norma, não parece valer a pena.

O mais estúpido, e falo sobre a minha postura, é que a F. foi provavelmente a única pessoa com a qual me cruzei neste local que não me dei ao trabalho de conhecer um pouco. Ou de descobrir um pouco.

Tenho uma curiosidade natural que abrange tudo e todos à minha volta. Quando alguém se senta ao meu lado para aprender ou para me ensinar, presto atenção à pessoa e interesso-me por descobrir uma ou outra curiosidade sobre si. Naquela semana em que nos conhecemos estava demasiado envolvida na minha cabeça e nos meus problemas para me dar ao trabalho de ouvir ou conhecer alguém.

Agora a F. é uma memória distante na minha mente de alguém com quem me cruzei e que, com a sua partida, reforça em mim que a facilidade com que viramos as costas, é a mesma facilidade com que perdemos pessoas.

 

Candelabro.

Eu gostava de chegar aqui e fazer as palavras fluir.

Gostava da facilidade um dia familiar com que sentia e escrevia, e escrevia e sentia. A facilidade com que o mundo parava. Um qualquer botão de pausa invisível que eu nem tinha que carregar e que accionava automaticamente. A música era aquele, o momento era aquele, a explosão interior estava ali. Clara. E era fácil chegar e escrever. Fácil. O reconfortante alívio pós-textual que se fazia sentir de imediato, seguido do último ponto final.

Agora a explosão ainda está a acontecer e o mundo não tem botão de pausa. Aquela conclusão, aquela conclusão que tirei ontem ou aquela verdade que eu sabia sê-lo. Desculpo-me constantemente com um tempo que me falta, com a pressa das coisas por fazer ou com a necessidade de derrubar paredes de betão para chegar ao pote de ouro que não está em fundo nenhum de arco-íris. Desculpo-me constantemente com o correr desse mundo que não pára quando na realidade quem não pára sou eu. E eu sei. Sei que se parar o mundo vai estar lá amanhã. E eu vou conseguir acompanhá-lo. Como sempre acontece.

A pressa, essa desculpa perfeita para não respirar. Para não correr o risco de sentir o ar encher-me os pulmões. Por causa do medo. Tudo por causa desse medo estúpido de ser tudo demasiado. De sucumbir ao demasiado sentimento de tudo o que está acontecer.

O medo de ter deixado de acreditar. Definitivamente.

Como é que se vive quando não se acredita? Como é que se preserva um ser quando não se acredita?

Ás vezes avariamos-nos como as coisas, os objectos digo. Quebramos um pedaço aqui ou lá e aos poucos, as peças voltam a encaixar e, tirando uma pequena cicatriz, voltamos a ser nós. É a aprendizagem. Ou a vida. Ou que raio lhe queiram chamar.

Só que avariado é diferente de estragado.

Se a vida for um candelabro daqueles carregados de pequenos e frágeis cristais e eu dançar sobre ele isso faz de mim corajosa ou estúpida?

 

O Castelo

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