Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

do alto do meu castelo

Se não puder escrever sobre o que penso, sobre o que sinto, sobre a vida, sobre este mundo retorcido, cortem-me as mãos e, por via das dúvidas, cosam-me a boca. De outra forma, não vou calar-me! Só os loucos podem mudar o Mundo.

Por que é que mentes?

Uma mentira não é uma mentira. Há mentiras e há mentiras.

O ser humano mente. Todas as pessoas mentem. Mentimos aos pais, aos filhos, aos irmãos, aos amigos, ao chefe, ao sem-abrigo que pede uns trocos. Mentimos a nós próprios. Mentimos com quantos dentes temos na boca. Mas uma mentira não é só uma mentira.

Colocando de parte a hipocrisia, somos forçados a admitir que há mentiras e mentiras. Na sua grande maioria perfeitamente desculpáveis. Com tempo, com gestos, com palavras... com o que for necessário desde que queiramos desculpar-nos ou desculpar.

Não é preciso muito para que nasça uma mentira. Criamo-las por tudo e por nada e a propósito de qualquer coisa. Pequenas coisas, por norma. Grandes coisas, de vez em quando. A um nível apocalíptico, muito raramente. 

As motivações da mentira são compreensíveis, ridículas, desnecessárias, ou inacreditáveis.

O que é passa pela cabeça de alguém quando mente? 

Cada um de nós, enquanto indivíduos mentirosos, encontra certamente diferentes respostas a esta mesma pergunta. Diferentes justificações para uma mesma causa. E cada um de nós conhecerá também o seu limite. Uma espécie de princípio da verdade. De forma simples, coisas sobre as quais se recusa a mentir.

E será esse limite, diferente para cada um, que nos tornará perfeitos hipócritas na hora de aceitar, entender ou desculpar, a mentira do próximo.

Eu conheço uma rapariga que mentiu. E eu não compreendo a mentira dela. Do alto da minha hipocrisia, não consigo mesmo compreender a mentira que ela criou. Porque essa rapariga transformou-se na mentira que contou. Ela é a personificação da mentira. E o que realmente me parece preocupante, é que tudo isto irá consumi-la mais tarde ou mais cedo e fazê-la desaparecer. Todos nós, peões num jogo de manipulação de sensações e sentimentos que ela jogou de acordo com a sua vontade e necessidade, sobreviveremos incólumes depois da mentira desvanecer. Já ela, não tenho tanta certeza. Não acredito que a sua estrutura emocional suporte a desconstrução da história que se atribuiu. 

Eu conheço pessoas que morreram de cancro. E conheço pessoas que mataram o cancro. E conheço a dor de perder alguém que nos é muito. O pedaço de vida que perdemos juntamente com quem morre. 

É esse o meu limite hipócrita. É esse o limite que me faz não compreender. Não querer aceitar e não querer desculpar uma mentira. 

 

Gostava de conhecer as tuas razões. O que se passa nessa alma tão escura, nessa mente tão negra, para te colocares em cheque desta forma.

Por que é que disseste que estavas a morrer?

Eu sobrevivo à tua mentira. Todos sobreviveremos. E tu? Como sobreviverás à verdade? 

(não) Ser humano.

Conheço, de vista e sem conhecer realmente, uma rapariga que sofre de uma doença degenerativa que não lhe permite a absorção de nutrientes. Esta jovem e eu já nos cruzámos algumas vezes embora nunca tenhamos falado, provavelmente porque não existe nenhum conhecido/amigo em comum. Do ponto de vista estético, a sua figura é verdadeiramente impressionante e arrisco-me a afirmar, assustadora. A expressão pele e osso encaixa-lhe perfeitamente. 

Segundo sei é uma pessoa jovem, com vida e irreverente, independentemente do seu problema de saúde. Usa cabelo às cores e está sempre acompanhada. Também sei que tem um namorado e que ele é ciumento, porque alguém que eu conheço ouviu uma conversa entre os dois e me contou. Sim, Lisboa é uma aldeia e eu adoro!

Esta moça, cujo nome eu desconheço, trabalha numa determinada empresa e não tem qualquer contacto presencial com os seus clientes. 

Ela fez a mesma formação que toda a gente só que com mais distinção que os restantes colegas (palavras do formador), e ao integrar a equipa de trabalho, continuou o seu brilharete profissional. Acontece que, terminada a formação, o seu formador (sim, formação e formador!) foi emboscado pela coordenadora do serviço que, em tom falsamente casual, lhe perguntou se estava então na hora de dispensar a rapariga.

Porquê? Que questão tão despropositada parecia esta. Afinal de contas estavam a falar de uma trabalhadora que estava a cumprir objectivos e a responder às exigências que lhe eram colocadas.

Oh, a figura dela... Dá uma má imagem ao cliente.

O formador não acreditou que acabava de ouvir aquelas palavras.

Eu não acredito que a coordenadora disse aquelas palavras.

Não acredito que a grande empresa que é representada pela coordenadora daquele serviço se reveja na discriminação contida na palavras que foram proferidas e reiteradas mais do que uma vez. É vergonhoso que alguém que ocupa um cargo de responsabilidade como é o seu, surja subitamente desprovida de humanidade e tão superficial ao ponto de ignorar e desprezar o bom trabalho de alguém por não corresponder a um determinado padrão estético. É mais vergonhoso que se desculpe com a imagem transmitida ao cliente quando a perturbação e incómodo provocaram-se apenas no seu umbigo.

Uma má imagem foi nesse momento a que passou a ser a dessa senhora. E seria a da empresa se tivesse ido na conversa.

Felizmente a rapariga não foi despedida. Ao contrário da coordenadora, o formador e os responsáveis pelo recrutamento não se encontram desprovidos de bom senso ou humanidade. 

Esta jovem que tem esta doença, não precisa de caridade ou pena ou tratamento diferenciado e muito menos de sofrer na pele a ignorância dos outros. Precisava de trabalho e limita-se a cumprir as suas funções como todos os empregados o deveriam fazer. Conto-vos este episódio não por sentir necessidade de defender a sua protagonista, mas porque é demasiado grave para não ser denunciado. É provável que a pequena não faça sequer ideia de tudo isto que aconteceu nos bastidores da sua contratação.

Eu tomei conhecimento por mero acaso. Conforta-me a crença profunda nos desígnios do karma. Até porque a bitch está claramente identificada.

 

Vergonha. Morram de vergonha da imagem reflectida no espelho. Está podre. Essa alma está podre. Esses olhos. Podres!

 

 

A propósito.

A minha casa foi assaltada e o meu computador levado por quem a violou. 

É uma sensação estranha a de saber que alguém penetrou no nosso espaço, na nossa intimidade. No nosso lugar seguro. Extraordinariamente estou a lidar,e lidei logo de início, bastante bem com a situação. Sim, eu. A pessoa mais descontrolada e espalhada aos bocados do mundo inteiro (sim, talvez esteja a hiperbolizar)! Evito pensar na perda do meu portátil, tão pouco valioso em moedas e notas mas tão detentor de toda a minha propriedade intelectual. Quanto ao receio a roçar o pânico que senti, naquela manhã assim que cheguei a casa, continua presente na minha mente e palpitante no meu peito sempre que me afasto e regresso ao porto de abrigo.

Mas eu não vinha escrever sobre isto.

Na verdade, não sei ao certo sobre o que vinha escrever.

Este mundo parece-me tão perdido, tão também ele espalhado em bocados, que me é difícil identificar e focar um determinado assunto ou acontecimento que não me parece também ele já esgotado à exaustão por comentadores, cronistas, jornalistas, bloggers, e conversas de café em geral. 

Somos um país de pensadores ou seremos um país de preguiçosos e conformistas? Cada vez mais, pensadores, parece-me a forma pomposa e intelectual que escolhemos para justificar a inércia que praticamos religiosamente todos os dias. 

Eu sinto que existe um encadeamento lógico que parece interrompido no tempo e no espaço. Se a permissa é penso, logo existo, por que raio não estão as pessoas a existir?

Existir - (de acordo com o amigo Priberam)

Ter existência. Viver. Subsistir. Ser. Destaco Ser.

Ser - (de acordo com o amigo Priberam)

Pertencer. Ter como proveniência. Preferir. Defender. Destaco defender.

Defender - (de acordo com o amigo Priberam)

Tomar a defesa. Oferecer protecção. Proporcionar abrigo. Desculpar. Patrocinar. Proibir. Interditar. Opor o esforço próprio ao ataque alheio. Repelir uma agressão, um ataque, uma acusação.

 

Agir?

Existência implica acção. E sem acção os pensamentos não são mais úteis do que conchas vazias. 

Perdemos demasiado tempo a mascarar a inércia de pensamento. A ocultar o desapego com falsos intelectualismos.

Enquanto assim for a sociedade não será mais do que loop infinito. Sem evolução, sem saber, sem prática, sem realmente existir.

 

O Castelo

foto do autor

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D